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Direitos da mulher

Metade das meninas refugiadas não voltará à escola pós-pandemia, alerta ONU

Em alguns países, a pandemia pode fazer com que meninas refugiadas abandonem os estudos para sempre, diz ONU - Adobestock
Em alguns países, a pandemia pode fazer com que meninas refugiadas abandonem os estudos para sempre, diz ONU Imagem: Adobestock

De Universa, em São Paulo

03/09/2020 18h15Atualizada em 03/09/2020 18h26

Quando as salas de aula forem reabertas neste mês, metade de todas as meninas refugiadas do ensino médio não retornará para a escola. Em alguns países, isso pode significar que todas as meninas abandonem os estudos para sempre, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

De acordo com estudo publicado hoje pela Acnur (Agência das Nações Unidas para Refugiados), meninas refugiadas já têm menos acesso à educação do que os meninos e ainda têm metade da probabilidade de se matricular na escola quando terminam o ensino fundamental.

Estou especialmente preocupado com o impacto sobre as meninas refugiadas. Educação não é apenas um direito humano fundamental, mas a proteção e os benefícios econômicos para as meninas refugiadas, suas famílias e comunidades são claros
Filippo Grandi, comissário das Nações Unidas para os Refugiados

Os dados do relatório, chamado de "Unindo Forças pela Educação de Pessoas Refugiadas", são de 2019 e têm como base informes de doze países que acolhem mais da metade das crianças refugiadas do mundo.

Enquanto no ensino fundamental a taxa de matrícula de crianças refugiadas é de 77%, apenas 31% dos jovens nesta população estão matriculados no médio. No ensino superior, apenas 3% dos jovens refugiados estão matriculados.

O não retorno

Dentre os motivos para abandono definitivo da escolaridade, estão o fechamento de escolas, dificuldades para pagar mensalidades, uniformes ou livros, falta de acesso a tecnologias ou porque são obrigadas a trabalhar para sustentar suas famílias.

O relatório ainda menciona que 85% dos refugiados do mundo vivem em países em desenvolvimento ou menos desenvolvidos, o que dificulta acesso à tecnologia e, consequentemente, à informação em tempos pandêmicos.

Como alerta a ONU, antes da pandemia, uma criança refugiada tinha duas vezes mais chances de estar fora da escola do que uma criança não refugiada.

Por fim, a organização convoca governos, setor privado e sociedade civil para se mobilizar quanto a essa questão, evitando "uma geração de crianças refugiadas privadas de educação".

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