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Em tempos de coronavírus, elas relatam experiências de isolamento no mundo

Do UOL, em São Paulo

30/03/2020 13h26

Restringir a circulação de pessoas em vias públicas tem sido uma solução adotadas em diversas cidades ao redor do mundo em tempos de pandemia do novo coronavírus. Mas quais são os desafios específicos que as mulheres enfrentam em tempos de isolamento social?

Para responder esta e outras perguntas, o UOL Debate de hoje reuniu a atriz e apresentadora Luana Piovani, que mora em Cascais, cidade próxima a Lisboa; a modelo e influencer Tessália Serighelli, atualmente em Londres; a jornalista Patrícia Maldonado, hoje em Orlando; e a atriz Tânia Khalill, em Nova York.

"Está tudo fechado, mas acho que aqui as pessoas não estão em pânico, reclusas, e não isoladas. As ruas estão vazias", disse Luana Piovani. "Moro em uma cidade praiana, em Cascais, céu azul, mas no meu bairro — e moro perto de duas praças e parque — vejo muita mãe saindo com criança pequena, de bicicleta, mas longe de parecer férias. Não sinto esse pesar que tenho notado em outros lugares. Acho que as pessoas estão conscientes. Teve sumiço de produto no mercado inicialmente, mas houve campanha para as pessoas pararem com isso, e já cessou. Vejo um movimento próximo de casa", explicou.

Na Inglaterra, Tessália vê pouca circulação de pessoas. "As pessoas vão ao parque, estamos autorizados a ir na farmácia, para o necessário, e acho que as pessoas estão seguindo bem as regras. Estão indo ao parque, se exercitando, e não mais que isso. Até as pombinhas sumiram", contou ela, que relatou também o tipo de ajuda financeira que os cidadãos têm recebido.

"Estava em um trabalho normal na Irlanda, em um hotel, e agora eles não estão demitindo as pessoas, mas deixando elas irem para casa. O governo então está pagando 350 euros por semana, e isso ajuda bastante, e ainda estou empregada. Estou recebendo esse salário desemprego por 12 semanas. Isso é garantido. É uma conta boa. Agora, quem converte não se diverte. Não dá pra converter e pensar que 350 euros é muito. Não. É um salário mínimo aqui. É o básico. Como se no Brasil estivesse recebendo salário mínimo. Mesma coisa nem Londres, onde estou agora. Aqui estão dando ajuda de até 2500 libras, mas o governo repassa para as empresas", acrescentou.

Em Nova York, segundo Tânia Khalill, as regras também têm sido seguidas. "A única coisa que pode é, obviamente, ir ao mercado. Fui semana passada e não tinha ninguém. Mas as pessoas — moro perto do rio — têm corrido com distanciamento. Elas estão saindo na rua, e estamos falando de um lugar com apartamentos muito pequenos, e a questão do isolamento é muito forte, e uma passeada na rua é importante pra saúde mental", relatou.

Casos de desobediência

Mas nem todo lugar é tão rigoroso quanto às medidas de restrição. Em Portugal, Luana Piovani lembrou da construção civil ativa perto de sua casa.

"Tem duas casas construindo perto da minha casa. E eles não pararam. E ninguém está de máscara", citou a atriz e apresentadora.

Em Miami, Patrícia Maldonado presenciou situação semelhante.

"As pessoas estão abusando em vários lugares. O governador falou que pode ir na rua pra se exercitar, ir ao mercado. No fim de semana, fui na rua levar a cachorrinha para passear, e um grupo de brasileiros estava fazendo churrasco na rua. Devia ter umas 40 pessoas. Tem que contar com o bom senso das pessoas. A galera estava fazendo churrasco, jogando futebolzinho no terreno ao lado, e comecei a prestar atenção que era brasileiro. E pensei: caramba, esse povo vive em Marte", contou.

"Tinha que ser brasileiro", alfinetou Luana.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado na primeira versão do texto, Patricia Maldonado está em Orlando, não em Miami. O erro foi corrigido.

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