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Ela deixou emprego na Globo e fatura R$ 3 mi por ano com empresa de cookies

A empresária Rosana Braem, dona da rede carioca de franquias Bendito Coookies  - Divulgação
A empresária Rosana Braem, dona da rede carioca de franquias Bendito Coookies Imagem: Divulgação

Renata Turbiani

Colaboração para Universa

06/03/2020 04h00

Depois de trabalhar como diretora de arte de publicidade por 15 anos, oito deles na Central Globo de Comunicação, a designer e empresária Rosana Braem, dona da rede carioca de franquias Bendito Coookies decidiu diminuir o ritmo para ficar mais perto da filha.

Assim, em 2007, mesmo sendo chamada de "louca" pelos conhecidos por largar um emprego estável e com ótimo salário, foi viver como freelancer. "A minha bebê estava crescendo e eu, vendo tudo de longe. Existia dentro de mim uma insatisfação com o mundo corporativo, com toda a pressão que ele traz", conta. "Sai do emprego sem nada em vista, mas, como sempre tive uma boa rede de contatos, as coisas foram aparecendo."

Um dos trabalhos que surgiram foi em uma produtora e lá, totalmente sem querer, Rosana viu sua vida mudar completamente. Em uma conversa informal com o pessoal da empresa, perguntou se gostavam de brownie. Ela, então, resgatou uma receita que fazia para vender na faculdade - mais por brincadeira e menos pelo dinheiro - e levou para os colegas.

"Depois desse dia, virou uma loucura, toda semana eu tinha que fazer o brownie. No final do ano, o dono da produtora fez uma encomenda para o Natal. Ele me pegou de surpresa, porque minha ideia não era vender, mas aceitei. Corri para inventar um nome [primeiro foi Santo Brownie] e desenvolver a logomarca e as embalagens", recorda, acrescentando que os presenteados gostaram tanto que também fizeram pedidos e indicaram para outras pessoas. "Naquele momento o dom de fazer doces despertou em mim."

Durante alguns meses, a empresária conseguiu atender demandas cozinhando em sua própria casa. Mas, em 2009, com o aumento dos pedidos, alugou um espaço e montou um pequeno ateliê. Inicialmente, ainda se dividia entre o computador e a batedeira, mas confessa que, aos poucos, a paixão pela confeitaria se solidificou.

Foi aí que sentiu a necessidade de fazer outros produtos. "Pensei em cookie. Nunca tinha feito, mas fui experimentando e testando receitas até chegar na ideal. Também mudei o nome da empresa e a logomarca e renovei as embalagens."

Loja Bendito Cookie - Divulgação - Divulgação
Uma das lojas da rede da Bendito Cookies
Imagem: Divulgação

Neste primeiro momento, Rosana tinha um custo mensal com o negócio de cerca de R$ 1.500 e faturamento baixo, mas o suficiente para a compra dos insumos - seu orçamento, na época, ainda era complementado com o trabalho de designer. A situação seguiu dessa forma até 2013, quando ela viu um ponto para alugar, no bairro de Copacabana.

"Eu nem tinha tanta demanda para isso. Minhas encomendas, apesar de frequentes, eram pequenas. Fazia entre 50 e 60 unidades de brownies e cookies por semana e, às vezes aparecia um pedido maior, para um casamento. Mas adorei o lugar e aluguei, na cara e na coragem."

No espaço de 28 m2, dividido em loja e fábrica, a designer investiu cerca de R$ 200 mil, oriundos de capital próprio e do então marido, Alexandre Motta, que mais tarde se tornou seu sócio. Na remodelação, ela relata que teve um cuidado especial não apenas com os produtos que iria servir, mas também com a estética, para explorar, junto com o paladar, os outros sentidos.

A Bendito Cookies funcionou no endereço por 12 meses, com custo mensal entre R$ 8 mil e faturamento entre R$ 25 mil e R$ 30 mil. Até engrenar, a empreendedora passou por alguns perrengues. O pior deles, diz, foi estar com a loja cheia e não ter mais o que vender.

"No começo, eu não sabia bem como mensurar a quantidade. Tinha medo de fazer a mais e sobrar. Meu maior desafio, lá atrás, com certeza foi calcular a venda diária da loja para saber o quanto teria de produzir. Quando o negócio cresceu, o estoque era o que mais me preocupava, pois eu não queria mobilizar o capital", aponta.

Loja maior e franquia

Em meados de 2014, com o sucesso da loja, Rosana mudou para um espaço maior, de 150 m2, no mesmo bairro - essa loja começou com custo mensal entre R$ 65 mil e R$ 70 mil, e faturamento era de cerca de R$ 100 mil. Mais quatro unidades vieram em um prazo de quatro anos. Quando abriu a quinta, resolver entrar para o sistema de franquias.

Segundo ela, como já tinha tudo formatado e padronizado, viu no franchising a melhor oportunidade de crescimento. Nessa empreitada se uniu, no ano passado, ao Espetto Carioca, rede de bares e restaurantes do Rio de Janeiro. Hoje, a designer está com apenas uma loja própria, além de um centro de produção, e com cinco franquias em funcionamento e mais uma vendida.

O projeto de expansão da marca prevê inaugurar 10 unidades neste ano, entre lojas e quiosques, dobrando o faturamento que, em 2019, passou de R$ 3 milhões. Presente apenas na capital fluminense, o principal foco da Bendito Cookies será direcionado para o estado de São Paulo.

A rede de doces tem, atualmente, mais de 80 produtos no cardápio - sendo que 70% são de fabricação própria e exclusiva -, com preço máximo de R$ 33. Os cookies e os brownies, tanto os tradicionais como os diferenciados, como os cookies recheados e os brownies em formato de palito, são os carros-chefe.

Mas também há espaço para os salgados. Os preferidos dos clientes são a nuvem de queijo, um pãozinho recheado com queijos gruyère, parmesão e requeijão, e a torrada Petrópolis, versão do croque-monsieur, o famoso sanduíche francês de presunto e queijo.

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