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Amigas trocam escritório de arquitetura por brechó e faturam R$ 600 mil/ano

Siomara e Danielle, que inauguraram o Brechó Agora é Meu - Divulgação
Siomara e Danielle, que inauguraram o Brechó Agora é Meu
Imagem: Divulgação

Renata Turbiani

Colaboração para Universa

10/02/2020 04h00Atualizada em 14/02/2020 12h41

Sócias em um escritório de arquitetura em São Paulo durante quase uma década, as amigas Danielle Kono, 37, e Siomara Leite, 50, há pouco mais de dois anos decidiram apostar em outro segmento, o de moda. Assim, em 2017, inauguraram o Brechó Agora é Meu.

As empresárias contam que a mudança foi pautada tanto por necessidade quanto por oportunidade. "Começamos nosso negócio em 2007, em uma sala comercial no bairro paulistano de Higienópolis. Em 2011, mudamos para uma casa na mesma região. Para adequá-la ao negócio, fizemos uma grande reforma, e instalamos o escritório na parte de cima e uma loja de decoração em baixo. Foi um investimento alto nesse projeto, de mais de R$ 100 mil", recorda Danielle.

Durante algum tempo, o retorno foi satisfatório, mas, em 2014, foram atingidas pela crise, e aí, quando a queda no movimento chegou a 70%, tiveram de ser criativas. A solução que encontraram foi fazer um bazar com as roupas que uma cliente tinha doado por não caber mais no novo apartamento reformado, e que estavam ocupando espaço na sala de reuniões.

"Isso foi em abril de 2016. Juntamos essas peças com algumas nossas e de amigos e divulgamos no bairro. A procura foi enorme, e, resolvemos, então, usar o espaço da loja de decoração para continuar com as vendas", relata Danielle, acrescentando que, em oito meses, faturaram R$ 135 mil com essa iniciativa.

Aos poucos, o desânimo e a preocupação das sócias se transformaram em otimismo e elas assumiram que era hora de se reinventar. Sem medo, no segundo semestre de 2017, fecharam as portas durante 15 dias para repaginar os cômodos e, em agosto, reabriram oficialmente como Brechó Agora é Meu.

A opção por trabalhar com peças usadas e não novas, explicam as empresárias, se deu pelo desejo de prolongar a vida de produtos que ou ficariam esquecidos no guarda-roupa ou teriam como finalidade o descarte, e estimular as pessoas a comprarem de forma mais consciente.

O investimento inicial no negócio, que incluiu a adequação do local, decoração e estoque, foi de R$ 70 mil. No mesmo ano, o faturamento registrado foi de R$ 384 mil. Em 2018, subiu para R$ 426 mil e, em 2019, fechou em R$ 596 mil. O custo mensal fica na casa dos R$ 23 mil, e o valor das peças parte de R$ 19 e pode passar de R$ 10 mil.

Encarando a empreitada com total seriedade, a dupla fez um curso de imagem e consultoria de estilo. "Apesar de já gostarmos de moda, eu principalmente, e de termos muita noção de estética, precisávamos de mais conhecimento, para atender melhor os clientes", afirma Danielle.

Divulgação
Imagem: Divulgação

E-commerce e franquia

A pedido dos compradores, e também para difundir o conceito eco-fashion e possibilitar que mais pessoas, além dos paulistanos, tenham acesso a tal vivência, as sócias, há cerca de um ano e meio, lançaram um e-commerce. O investimento foi de R$ 15 mil e, hoje, cerca de 5% das vendas são feitas através dessa modalidade.

Além disso, para expandir a marca de forma mais rápida e organizada, elas se voltaram para o sistema de franquias. Para formatar o negócio, buscaram uma empresa especializada e investiram R$ 20 mil. Em maio do ano passado, ocorreu o lançamento. São dois os modelos que oferecem.

O primeiro é a nanofranquia Brechó Bag. Nele, o franqueado adquire uma mala personalizada, já com estoque inicial, pelo valor de R$ 5.900, sem royalties e taxa de publicidade. O prazo de retorno se dá em até três meses e o faturamento estimado gira em torno de R$ 5.000. A segunda opção é a loja física, com investimento inicial de R$ 183,7 mil, já inclusos taxa de franquia, instalações, equipamentos de TI e estoque inicial. O faturamento estimado é de R$ 50 mil, com uma lucratividade de 20%.

Por enquanto, duas nanofranquias Brechó Bag foram vendidas, para franqueadoras do litoral de São Paulo e da região sul de Minas Gerais. A meta das empresárias é fechar 2020 com 20 dessas em funcionamento e cinco lojas físicas.

Desafios

Apesar dos negócios estarem indo bem, Danielle e Siomara passaram por alguns perrengues. "Entramos no mercado de brechó sem conhecer nada. Aprendemos tudo na raça, e tivemos alguns problemas por causa disso. Por exemplo, percebemos que sapatos não vendem tão bem, só que antes disso tínhamos comprado muitos pares. Acabou que ficamos com o estoque parado, o que significa perda de dinheiro", relata Danielle.

A dupla também sofreu com alguns roubos. No começo, elas deixavam todos os produtos em exposição, porém, depois dos episódios, optaram por guardar os mais caros, de grifes internacionais, em uma sala separada. Nela, a pessoa só entra com hora marcada e depois de preencher um cadastro.

Mas o principal desafio, apontam as sócias, é o preconceito que uma parte das pessoas ainda tem com os brechós.

"Muita gente acha que roupa de brechó é velha, suja. Só que nós nos preocupamos muito com a qualidade do que oferecemos, por isso, fazemos uma seleção criteriosa da peças e lavamos, higienizamos e passamos todas elas. Não queremos que elas cheguem às araras com cara de usadas. Nossa intenção é que os clientes se sintam como se estivessem em uma loja 'normal", conta Danielle.

Mapa da mina