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Geisy usa seu vestido rosa após 10 anos: "Ser sexy é uma afronta no Brasil"

Geisy Arruda com vestido de 2009 - Cauê Garcia / CG Comunicação / Divulgação
Geisy Arruda com vestido de 2009 Imagem: Cauê Garcia / CG Comunicação / Divulgação

De Universa, em São Paulo

22/10/2019 09h58

Geisy Arruda relembrou hoje os dez anos desde que o episódio que marcou sua vida aconteceu. Em 22 de outubro de 2009, ela foi hostilizada por usar um vestido rosa na faculdade em que estudava. A modelo voltou a posar com o modelo e criticou o momento do país: "Ser sexy é uma afronta no Brasil".

"10 anos que eu passei pelo episódio mais triste da minha vida. Fui julgada e quase violentada por apenas usar um vestido. Consigo lembrar com detalhes do dia 22 de outubro de 2009. Os gritos, os palavrões e as ofensas estão até hoje frescos na minha memória. Sempre tive uma ótima estrutura familiar e emocional, do contrário, não teria aguentado", desabafou ela.

Geisy tinha 20 anos na época. E diz que se sentiu culpada. "Nas primeiras semanas eu me cobrava: 'E se eu tivesse ido com uma roupa comportada ou com uma calcinha não tão pequena?'. Eu me torturava como se fosse uma vilã. Mas descobri que não teria feito nada diferente, eram roupas das quais eu gostava".

Hoje ela mudou de opinião e não se vê com essa culpa. "Vivemos em uma sociedade em que ser sexy é uma afronta, um abuso, quase um desrespeito e eu gostaria de poder ajudar a mudar isso com a minha história".

Geisy se diz feminista e afirma que sua história pode servir como exemplo para as mulheres ganharem força defendendo o direito de seus corpos. "Mulheres são livres! A liberdade das mulheres sobre o seu corpo e sua sexualidade precisam ser respeitadas. Nós ouvimos muito sobre as roupas das mulheres, que quando usam uma roupa sensual estão dando a entender que querem sexo e por isso não merecem respeito, estão pedindo para serem assediadas e até estupradas. Isso é um absurdo", argumenta ela.

Depois do caso, Geisy se lançou como modelo, foi capa de revistas, participou do reality show A Fazenda e hoje tem um canal no YouTube, o Ponto G, em que aborda sexualidade.

Direitos da mulher