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EUA: Gigante contábil instruía mulheres a falar menos e proibia minissaia

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Imagem: iStock

De Universa, São Paulo

21/10/2019 15h22

A empresa Enst & Young, uma das gigantes do ramo contábil dos EUA, foi implicada hoje em um caso de machismo. Um documento de 55 páginas detalhando o treinamento de funcionários nos escritórios da empresa em Hoboken, no estado de New Jersey, mostra recomendações restritas para contratadas do sexo feminino.

Segundo o texto vazado ao Huffington Post, por exemplo, as mulheres não deveriam "soar estridentes" quando falassem. Suas roupas deveriam "valorizar o corpo", mas saias curtas demais não eram permitidas, porque "a sexualidade pode confundir a mente [dos colegas]". Além disso, as funcionárias eram instruídas a parecerem "saudáveis e atléticas", com "bons cortes de cabelo e unhas bem feitas".

O curso, batizado de Poder-Presença-Propósito (ou PPP), ainda apontava uma suposta diferença de abordagem entre mulheres e homens no ambiente de uma reunião. Segundo o texto, mulheres "falavam mais brevemente", "fraseavam seus pensamentos como ideias ou perguntas" e "esperavam sua vez (que nunca chegava)".

Jen, uma ex-aluna que falou ao Huffington Post sob um nome falso, disse que a apresentação destes estereótipos não era feita para que as mulheres pudessem quebrá-los. "O foco era como poderíamos 'nos gerenciar' dentro dessas regras", comentou.

As alunas começavam o PPP preenchendo um formulário em que diziam o quanto se identificavam com características consideradas masculinas ("ser um líder", "agressividade", "ambição") e femininas ("infantilidade", "compassividade", "gentileza"). Segundo Jen, as mulheres que não se identificavam tanto com a lista de atributos femininos eram penalizadas e levadas a crer que isso atrapalharia sua carreira.

O seminário de treinamento ocorreu em junho de 2018, em meio ao movimento #MeToo. Meses antes, a Ernst & Young estivera nas manchetes por pagar uma quantia não revelada pelo silêncio de Jessica Casucci, uma sócia da empresa que disse ter sido assediada sexualmente por um dos colegas do sexo masculino.

Ao Huffington Post, a empresa garantiu que o seminário passou por uma revisão e nunca mais foi administrado nestes moldes pela empresa. A Ernst & Young ainda garantiu que o curso foi criado por um prestador de serviços contratado pela companhia, e não por um funcionário.

O veículo norte-americano apurou que o PPP foi elaborado por Marsha Clark, uma consultora de fora da empresa, a quem foi dada a missão de compilar conselhos para mulheres prosperarem dentro da Ernst & Young. A consultora se negou a falar sobre o tema com a imprensa.

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