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Condenado por matar ex é preso suspeito de agredir mulher com pé de cabra

Mulher levou mais de 30 pontos na cabeça e ficou com vários ferimentos no corpo - Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo
Mulher levou mais de 30 pontos na cabeça e ficou com vários ferimentos no corpo Imagem: Divulgação/Polícia Civil do Espírito Santo

Daniel Leite

Colaboração para o UOL, em Juiz de Fora (MG)

27/08/2019 11h28

Uma inspetora escolar, de 34 anos, levou mais de 30 pontos na cabeça e ficou com vários ferimentos no corpo depois de ser agredida pelo ex-namorado com um pé de cabra em Vila Velha (ES). Segundo a investigação, ela só não foi morta porque a mãe, de 62 anos, conseguiu conter as agressões, mas também foi atingida e teve escoriações.

A tentativa de feminicídio ocorreu na última sexta-feira (23). O suspeito da agressão é um motoboy, de 39 anos, que se apresentou na delegacia no dia seguinte e não teve a identidade revelada pela polícia, assim como a vitima.

De acordo com a investigação, o suspeito já esteve preso por cinco anos após matar outra ex-namorada. Coincidentemente, ela tinha o mesmo nome da inspetora agredida na sexta-feira.

O homem preso e a inspetora de escola namoraram por dois meses no final do ano passado, apresentados por um irmão dela. A mulher terminou o relacionamento por causa do temperamento agressivo do namorado.

Contrariado, ele passou a ligar para a mulher sempre exigindo que voltassem. "Falava que ela tinha que reatar o namoro com ele de qualquer maneira, e ela falava que não, que percebeu que o relacionamento não era positivo para ela. É um típico comportamento de homem achando que a mulher é posse, que é propriedade dele", afirmou a delegada Cláudia Dematté, chefe da divisão especializada de atendimento à mulher.

Os dois não reataram, mas, quando soube de um novo namoro da ex, o rapaz decidiu matá-la, segundo Cláudia.

No horário do almoço, ao chegar em casa, a vítima foi abordada pelo suspeito, que a procurou para tentar retomar o relacionamento. Com a resposta negativa, ele tirou um pé de cabra da mochila e passou a agredir a mulher em várias partes do corpo. Muitos golpes foram dados na cabeça, e a vítima só se lembra de gritar pela mãe porque alega que perdeu a consciência.

Segundo a delegada, a mãe ouviu os pedidos de socorro. Mesmo também ferida por alguns golpes, conseguiu conter o motoboy. Com a aproximação de vizinhos do local, o agressor fugiu e ainda teria enviado uma mensagem de WhatsApp para o irmão da ex pedindo para orientá-la a dizer que sofreu uma tentativa de roubo e não denunciar as agressões.

Como possui um serviço 24 horas para atender vítimas de violência doméstica e familiar, a polícia passou a procurá-lo na sexta e sábado, inclusive fazendo um cerco eletrônico para monitorar a entrada e saída de veículos da região.

No dia seguinte ao crime, a investigação solicitou à justiça mandado de prisão preventiva, concedido no plantão do judiciário, e conseguiu contato com o suspeito da agressão para avisá-lo que estava sendo procurado. Pouco depois, o motoboy se entregou, foi preso e vai responder por tentativa de feminicídio.

"Ninguém leva um pé de cabra para conversar com a ex namorada, o que demonstra a intenção dele de cometer um crime grave", explicou Cláudia.

Em depoimento, o homem afirmou ter se descontrolado com a negativa da vítima em voltar a namorar, demonstrando um comportamento machista, na avaliação da delegada. "Como se ele tivesse o direito de impor a vontade dele. Infelizmente é o que vemos todos os dias, homens que acham que são donos", disse.

Suspeito já havia matado uma namorada há 14 anos

Em outubro do ano passado, quando começaram a relação, que durou apenas dois meses, a mulher não tinha conhecimento do homicídio cometido por ele contra a namorada, em 2005, de acordo com a polícia. O rapaz ficou preso por cinco anos. Na época, crimes assim não eram tipificados como feminicídio.

Agora, apesar de ele estar na cadeia, em caráter de emergência a mulher agredida passou a contar com uma medida protetiva contra o suspeito. Antes, ela não havia registrado queixa, afirma a delegada. A vítima alegou a polícia que não havia sido agredida antes.

Violência contra a mulher