Topo

Sexo


Sexo

O jeito de gozar muda conforme o tempo? Especialistas respondem

Transformações do corpo podem interferir na libido - Getty Images/iStockphoto
Transformações do corpo podem interferir na libido Imagem: Getty Images/iStockphoto

Heloísa Noronha

Colaboração para Universa

12/07/2019 04h00

Conforme as pessoas envelhecem, o modo de encarar o sexo também passa por transformações. A idade, é claro, interfere na libido, no desejo e nas preferências. E isso, consequentemente, acaba influenciando na maneira de alcançar e vivenciar o orgasmo, sob o ponto de vista fisiológico e emocional.

Para as mulheres, a questão sempre envolve fatores contraditórios que precisam ser equilibrados. Na puberdade, por exemplo, há um pico hormonal que estimula a vontade de transar e pode intensificar o orgasmo. "No entanto, pensamentos permeados por culpa, medo de uma gravidez precoce, consequências sociais do ato e toda a preocupação que envolve a perda da virgindade e o início da vida sexual acabam dificultando o prazer", comenta a sexóloga e ginecologista Franciele Minotto, diretora técnica da clínica Bem-Estar Medicina e Saúde.

Além disso, tudo, ainda existem o tabu e a repressão que envolvem a masturbação feminina --ao contrário do que acontece com os rapazes, ela não é incentivada culturalmente entre as garotas.

Até os 20 anos, em média, a falta de intimidade e a insegurança podem atropelar a fase de excitação das mulheres, encurtando as preliminares e, consequentemente, dificultando ou impedindo o orgasmo, já que ele necessita de estímulos diretos e indiretos no clitóris para acontecer. Entre os 20 e 30 anos de idade, elas atingem a plenitude do período reprodutivo e o auge da receptividade sexual.

"Para muitas, porém, é difícil vivenciar o orgasmo devido à falta de autoconhecimento físico e de um certo receio sociocultural de viver a sexualidade de forma mais livre, sem a necessidade de um relacionamento estável com desejo de reprodução", considera Franciele.

A faixa etária que vai dos 30 aos 40 anos é marcada pelo acúmulo de experiências e por uma maior apropriação dos desejos e vontades. A mulher está no pico da responsividade, sente-se mais à vontade em relação ao sexo, mais consciente do próprio corpo e de suas necessidades, mais segura de si, decidida e exigente na cama. Por saber o que quer, também conhece bem os caminhos para atingir isso e, portanto, é comum que nessa fase ela experimente orgasmos incríveis, tanto em quantidade como em qualidade.

A chegada da menopausa, entre os 45 e os 55 anos, promove uma série de alterações físicas derivadas da diminuição do hormônio feminino estrogênio, entre as quais o afinamento da pele e da mucosa vaginal e a redução da lubrificação natural. "A resposta sexual humana possui fases que são divididas em: desejo, excitação, platô, orgasmo e resolução. Com o envelhecimento, ocorrem mudanças nessas etapas. Na resolução, fase após o orgasmo, o corpo pode levar menos tempo para retornar a um estado neutro do que levaria no caso de mulheres mais jovens", explica a fisioterapeuta pélvica Mônica Lopes. Isso dificulta --mas não impede, vale frisar-- a obtenção de um novo orgasmo.

Segundo Mônica, fazer sexo durante a menopausa pode parecer complicado, mas é importante lembrar que o desejo tem um componente emocional importante e, nessa fase, muitas preocupações deixam de existir, abrindo caminho para mais liberdade. Uma vez que o estrogênio é responsável por manter a lubrificação vaginal durante a excitação, a redução dele tende a levar à secura vaginal. "O uso de um lubrificante à base de água é imprescindível", fala a fisioterapeuta.

"Após os 60 anos, a vagina pode apresentar graus mais intensos de afinamento e perda da elasticidade, mas tanto as sensações de prazer quanto o orgasmo ainda são possíveis", afirma Franciele, que recomenda conversar com um ginecologista sobre tratamentos de reposição hormonal e técnicas como laser e/ou radiofrequência, que amenizam esses incômodos.

Outra mudança é a maior necessidade de estímulos --ou seja, as preliminares devem ser mais prolongadas. Há outras maneiras de alimentar essa motivação: usar a imaginação, recorrer a fantasias, ler romances excitantes, ver vídeos e filmes pornôs, apostar na masturbação, ouvir músicas que despertem as memórias sexuais e por aí vai.

E em relação aos homens?

Assim como ocorre com as mulheres, a fase jovem se caracteriza pela taxa elevada dos níveis hormonais, principalmente da testosterona, o que facilita a excitação e a ereção. "Nessa etapa, o tempo de latência, que é o período entre ejacular uma vez e tudo se restabelecer para ejacular novamente, é menor", afirma Alex Meller, urologista da UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo) e membro do corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein.

O tempo de latência aumenta conforme a idade, o que acaba modificando o jeito de ejacular. "Já o adolescente, quando começa a ter relações sexuais, é normal que ejacule antes até de penetrar devido a uma ansiedade natural de desempenho", diz Lessandro Curcio Gonçalves, urologista do Hospital Federal de Ipanema e vice-presidente da SBU-RJ (Sociedade Brasileira de Urologia do Rio de Janeiro).

Depois dos 30 anos, há o início do declínio hormonal, quando a libido e a excitação começam a diminuir e o volume da ejaculação também, pois tudo faz parte do mesmo processo. "Costumo explicar isso aos pacientes e lembrá-los que depois dos 30 anos o potencial fértil vai diminuindo e, inclusive, reforçando que isso faz parte da nossa biologia e não tem muito como evitar", diz Meller.

"A balança pende para um maior tempo de relação e um menor número de vezes. O homem adulto tem mais confiança na sua virilidade e consciência de que a mulher também precisa se satisfazer. No entanto, é frequente receber no consultório pacientes nessa faixa etária reclamando de mau desempenho por conta da vida atribulada associada à rotina no casamento", completa Gonçalves, reforçando que o aspecto emocional tem papel importante no orgasmo também para os homens.

Após os 40 anos, o DAEM (Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino) surge sorrateiramente com quedas graduais dos níveis de testosterona, afetando diretamente a performance física e sexual do homem. Ainda de acordo com Gonçalves, essa condição tende a piorar com a idade, principalmente para aqueles que se alimentam mal, dormem pouco, são sedentários, estão acima do peso ou têm diabetes e hipertensão arterial.

Os 50 anos, de acordo com Meller, marcam um declínio hormonal maior, o que faz com que os pacientes sintam diminuição na libido e com que a ereção seja menos imediata. "O nível de excitação necessária para atingir a ereção é maior, enquanto o volume da ejaculação geralmente fica reduzido", explica o especialista.

Medicamentos indicados para disfunção erétil, como o Viagra, permitem ereção suficiente para uma atividade sexual satisfatória, mas não basta apenas engolir o comprimido para o pênis ficar ereto. Viagra não é afrodisíaco, e sim um facilitador. Se não houver estímulos nem erotização na fase pré-sexo, o remédio não vai funcionar.