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Ciúme: como não entrar na neura e desconfiar de tudo o que o parceiro faz

Claudia Dias

Colaboração para Universa

06/04/2019 04h00

Tem gente que não dá a mínima. Tem quem se incomode só um pouquinho. E tem, também, aquelas pessoas que ficam alucinadas se desconfiarem qualquer tiquinho do parceiro. Ciúme, para essa gente, é algo que interfere no dia a dia e afeta a qualidade de uma vida inteira.

Conversamos com especialistas, ciumentos assumidos e ex-ciumentos, que dão dicas do que pode ser feito e atitudes que funcionam para o autocontrole. Assim, fica muito mais fácil de não duvidar de tudo que o parceiro faz, sem colocar em risco a relação, é claro!

Fuja do compartilhamento de senhas

Para algumas pessoas, ter acesso às contas pessoais de e-mail e redes sociais é a maneira de se sentirem confortáveis. Núbia Rodrigues, corretora de seguros, 37 anos, já passou por isso e agora abomina a ideia. "Tinha senhas de tudo, até de cartão de crédito. Acabei descobrindo coisas que não queria. Partindo disso, e sabendo que sou extremamente curiosa e tenho facilidade em descobrir coisas, prefiro hoje manter uma postura de 'nunca, jamais, em hipótese nenhuma, nem me oferecendo', ter senhas, acesso a celular, e-mails etc. Tem sido melhor, pois hoje tenho paz", afirma.

Não conclua, não deduza. Pergunte!

Conclusões precipitadas são armadilhas para detonar qualquer relação. "Ao fazer isso, a pessoa se apega a uma interpretação negativa de uma situação, mesmo sem fatos que sustentem a interpretação", pontua a psicóloga Linda Vieira. Por essa razão, se algo está sendo um incômodo, a melhor saída é mesmo o diálogo direto. Em vez de teorias e achismos, questione o crush sobre sua suspeita. "Ter confiança em si e no outro é sinal de maturidade", lembra a especialista.

Policie... a sua autoestima

Em vez de fiscalizar o do outro, que tal passar a vigiar o seu comportamento? Foi a alternativa adotada por Tati Lima, 42 anos, fisioterapeuta. "O que me controla é me manter vigilante em bons pensamentos. Era possessiva, até o marido comentar que estava difícil viver assim.

Comecei a trabalhar para aumentar minha autoestima, o amor próprio, a pensar mais em mim, a me cuidar mais. Continuo ciumenta, mas sigo a receita de orar e vigiar: orar para livrar meu casamento das tentações e vigiar meus comportamentos e emoções", comenta.

Controle a impulsividade

Qualquer pessoa que exercitar o autocontrole vai conseguir ter maior domínio sobre suas respostas, impulsos e emoções extremas. "A impulsividade pode levar a decisões de forma emocional, impensadas, sem considerar nenhum aspecto da situação. Faça uma pausa, respire e analise o cenário", ensina a psicóloga Linda. E só depois tome qualquer tipo de atitude.

Respeite a sua individualidade

O outro deve ter seu espaço, mas você também precisa considerar as próprias necessidades e ter controle da sua vida. Faça atividades independentes do seu par. Assim, avaliando o que é importante para você, também vai reconhecer e se comprometer com o que é imprescindível na vida do outro. "Uma relação saudável é feita disso. O que não é saudável é se anular, se excluir por causa de um relacionamento ou alguém", frisa Linda.

Alinhe os objetivos da relação

Se individualidade é necessária, ter planos e metas em conjuntos também é essencial para a relação não desmoronar. "Quando o casal tem seu relacionamento focado em interesses mútuos, de maturidade e crescimento, ambos seguirão pelo mesmo caminho, sempre um apoiando o outro", garante o psicólogo Moisés Luz.

Conviva mais com o parceiro

O namoro a distância entre os estudantes Guilherme Steuck, 23 anos, e Olavo Codina, 21, foi recheado de desconfiança enquanto estavam longe no primeiro ano de relação -- um em Santa Catarina, outro no Paraná. "Brigávamos muito, porque eu era bem neurótico, cobrava atenção. Se ele demorava para responder, já imaginava coisas e ficava interrogando onde e com que estava", lembra Guilherme.

A relação começava a desgastar quando decidiram morar juntos, na cidade de Olavo. Meses antes, fizeram a primeira viagem a dois e notaram que a convivência diária seria o fim para todos os receios. "São dois anos morando juntos e hoje tentamos ser transparentes em tudo. Acredito que a convivência e a transparência são pontos-chave para acabar com as dúvidas de fidelidade e confiança", avalia Guilherme.

Dê atenção ao par

Tempos de vida atribulada e multifacetada, em que as pessoas correm em rotinas intensas, sempre conectadas tanto quanto possível nas redes sociais, pedem um pouco mais de dedicação "real" para o parceiro.

"Esse estilo de vida contemporâneo, cheio de informações, pode afetar os relacionamentos. Muitas vezes, o indivíduo cria sentimentos e fantasias negativas pela falta de atenção dispensada a ele", observa o especialista Moisés. A saída? Deixe o smartphone e a vida virtual um pouco de lado e aproveite o momento presente.

Observe e aprenda com o outro

A pesquisadora Júlia Garcia, 40 anos, literalmente mudou de lado, deixando de ser ciumenta para se firmar em um relacionamento aberto. Aprendeu tudo com o marido. "Ele nunca foi ciumento e chegou me mostrando que ciúmes, definitivamente, não significa amor", conta. No início, a relação era fechada, até que ela descobriu (por acaso) ele dando bola para uma garota.

"Conversamos, ficamos bem, mas passei a ser muito mais controladora. Ficava grudada o quanto podia. Ele me deu um chega pra lá, falou que eu precisava cuidar de mim, fazer as minhas coisas e sair da órbita dele. E eu fiz isso! Naquele momento, vi que só estávamos juntos porque nos amávamos e o controle era uma das grandes ilusões da nossa vida", diz.

Júlia entendeu que, se fosse pra acontecer algo, aconteceria às escondidas. "Percebi que o controle, o ciúme, é inútil e isso me libertou. A partir daquele momento aceitei uma relação aberta e hoje, depois de anos casados, cada um sai sempre e com quem quiser", revela.