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Cantora trans conta que foi xingada ao denunciar racismo em shopping de SP

Raquel Virgínia - Reprodução/Instagram
Raquel Virgínia Imagem: Reprodução/Instagram

Gustavo Frank

Da Universa

08/03/2019 17h42

Raquel Virgínia, vocalista da banda "As Bahias e a Cozinha Mineira", usou seu Instagram na noite da última quinta-feira (8) para fazer uma denúncia contra o Shopping Bourbon, na Zona Oeste de São Paulo. No estabelecimento comercial, ela teria visto alguns jovens sofrendo racismo.

Na publicação feita em sua rede social, a cantora, militante também na causa LGBTQ+, postou uma foto para relatar os detalhes do episódio.

Segundo Raquel, ela estava passando por um dos corredores do shopping quando viu um grupo de adolescentes negros cercados por seguranças e prestou atenção sobre o que conversavam.

"Ouço um deles dizer pro outro, 'você fez alguma coisa? Não. Então já era". Esperei alguns minutos fingindo que estava olhando vitrines e fui até um deles, pedi licença e perguntei o que estava havendo. Ele me contou que os seguranças estavam averiguando uma reclamação de uma loja", contou.

Raquel disse que foi então questionar os seguranças sobre o que estaria sendo averiguado. Ela teria recebido uma resposta inconclusiva dos funcionários e aconselhado o grupo de jovens a continuarem a fazer o que faziam.

"Eu perguntei pro segurança: 'o que vocês estão averiguando?'. Ele me respondeu: 'uma loja reclamou deles'. Eu perguntei: 'reclamou o que?'. Ele me olhou com cara de 'não sei'. Eu olhei para os garotos e disse: 'podem ir, vão passear, eles não podem segurar vocês aqui, podem ir'. Nesse momento um deles me olhou e disse: 'valeu tia'", relembrou.

A cantora diz que depois de discutir com os seguranças e resolver a situação, reencontrou um deles no corredor. Nesse momento, ela teria sido chamada de "puta".

"Voltei às compras. Encontrei com o segurança novamente: ele olhou minhas sacolas, por certo para saber meu poder de compra. Eu falei para ele: "pode olhar, sou rica, comprei bastante coisa e tudo coisa cara. Fruto de estudo e competência. Ao que ele me disse: 'tem que estudar para ser puta e fazer programa?'", concluiu ela, afirmando ter vídeos do momento.

Procurado pela Universa, o Shopping Bourbon se pronunciou por meio de nota: "A empresa ressalta que repudia qualquer forma de racismo ou ato discriminatório. Informa que todos os procedimentos e protocolos de abordagem a clientes estão sendo reavaliados junto à empresa terceirizada responsável pela segurança do shopping."

Após o pronunciamento do shopping, Raquel, por meio do Instagram, afirmou ter sido procurada pela empresa e foi comunicada que a equipe de segurança foi afastada.

"O Shopping me procurou e segundo o contato; vão afastar a equipe de segurança que me ofendeu e vão tomar providências internas que ainda vão informar. Houve a ligação e a garantia que não encontrarei mais o segurança que me chamou de puta e que posso voltar ao shopping à vontade. Pelo menos isso. Obrigada de coração a todo apoio de vocês."

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