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Direitos da mulher

Manifesto Internacional Feminista: brasileiras promovem greve em 32 cidades

Mulheres durante manifestação do Dia Internacional da Mulher de 2018, na Praça Oswaldo Cruz, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress
Mulheres durante manifestação do Dia Internacional da Mulher de 2018, na Praça Oswaldo Cruz, em São Paulo Imagem: Eduardo Anizelli/Folhapress

Mariana Gonzalez

Da Universa, em São Paulo

07/03/2019 17h09

As brasileiras Mônica Benício, Sônia Guajajara, Antonia Pellegrino, Amelinha Teles e Jupiara Castro estão entre as feministas de oito diferentes países que assinaram o "Manifesto Feminista", pedindo uma greve internacional de mulheres nesta sexta-feira, 8 de Março, Dia Internacional da Mulher. No Brasil, atos de paralisação estão previstos em pelo menos 32 cidades do país, segundo o movimento 8M 

"Queremos que as mulheres parem o que estão fazendo [seja trabalho, casa, família] e participem do ato", disse à Universa a roteirista Antonia Pellegrino, que é codiretora do documentário "Primavera das Mulheres". 

Ela acredita que as principais bandeiras levantadas neste ano serão as investigações do caso Marielle Franco, vereadora assassinada há quase um ano no Rio de Janeiro, o combate ao feminicídio e alguns aspectos da reforma da previdência que podem prejudicar as mulheres trabalhadoras

Mas, segundo o manifesto, as pautas são ainda mais amplas: 

"Mulheres e pessoas queer por todo o mundo estão se mobilizando contra os feminicídios e toda forma de violência de gênero; pela autodeterminação de seus corpos e acesso ao aborto seguro e legal; por igualdade salarial para trabalhos iguais; pela livre sexualidade. Se mobilizam também contra os muros e fronteiras; o encarceramento em massa; o racismo, a islamofobia e o anti-semitismo; a desapropriação das terras de comunidades indígenas; a destruição de ecossistemas e a mudança climática", resume o documento. 

Movimento global

Essa não é a primeira vez que, no 8 de Março, feministas de diferentes países organizam ações conjuntas pela igualdade de gênero -- isso acontece pelo menos desde 2017.

"O globalismo é uma característica da 4ª onda do feminismo", explica Pellegrino. "A mesma força conservadora que opera nesse momento contra nós aqui no Brasil está operando Hungrua, nos Estados Unidos, na Itália. Não faz sentido lutar a mesma luta separadamente".

Além das brasileiras citadas no início do texto, também assinaram o Manifesto representantes do movimento argentino Ni Una Menos e outros grupos feministas, autoras, acadêmicas e políticas, todas escolhidas pelas norte-americanas Angela Davis e Nancy Fraser, cabeças do manifesto. 

"Fiquei muito honrada quando entraram em contato comigo. O primeiro critério para a escolha [desses 21 nomes] era viver em países com uma agenda conservadora que coloca em risco os direitos das mulheres, como é o caso do Brasil", explica, citando o governo Bolsonaro. 

Atos pelo Brasil

Antonia fará parte do ato no Rio de Janeiro, marcado para começar às 16h, na Igreja da Candelária. Em São Paulo, o ato vai se concentrar no mesmo horário, no vão livre do Masp, na Avenida Paulista -- no ano passado, o local recebeu cerca de 6 mil mulheres segundo a Polícia Militar.

Confira a lista completa de eventos oficiais:

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