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Pornografia: saiba quais são os prós e contras para sua vida sexual

Pornografia: saiba quais são os prós e contras para sua vida sexual - Getty Images/iStockphoto
Pornografia: saiba quais são os prós e contras para sua vida sexual Imagem: Getty Images/iStockphoto

Priscila Rodrigues

Colaboração para Universa

09/02/2019 04h00

Segundo estudos conduzidos pela empresa Quantas Pesquisas e Estudos de Mercado a pedido do canal a cabo Sexy Hot, em 2018, no Brasil, há 22 milhões de pessoas que assumem consumir pornografia -- 76% são homens e 24%, mulheres. Em algum momento da vida toda pessoa terá contato com a pornografia, seja de forma voluntária ou não. A maneira de lidar com ela, porém, é o que faz a diferença na experiência sexual.

Enquanto há quem a use como estímulo para esquentar as transas e a masturbação, outros acabam alimentando conceitos "tortos" sobre prazer e performance. Saiba quais são os prós e os contras desse tema tão controverso, cada vez mas acessível e até mesmo banalizado para alguns.

Prós

Estímulo à imaginação: vídeos e filmes pornôs podem servir como o incentivo que faltava para casais combaterem a monotonia e explorarem outras formas de prazer. Além disso, pode ser uma forma de transpor para as imagens certas fantasias que ficavam só no plano do pensamento.

Maior conhecimento da anatomia: por ser explícita e proporcionar, inclusive, ângulos bem detalhados e ampliados de certas partes do corpo, a pornografia permite entender como o sexo acontece, de fato, bem como descobrir como tudo --pênis, vagina, ânus, dedos, línguas-- funciona na hora H. Vale lembrar que a masturbação, especialmente a feminina, ainda é tabu para muitas mulheres, o que tem como consequência a falta de informação sobre como são as reações do corpo. E os homens, embora mais "liberados" culturalmente para se tocarem, também têm suas dúvidas.

Quebra de tabus: visualizar como certa prática acontece --sexo anal, por exemplo-- ajuda a se livrar de crenças erradas, ideias repressoras, pudores e vergonhas. É possível, ainda, ganhar uma mentalidade mais aberta e demonstrar maior respeito às diferentes práticas e orientações sexuais. 

Compartilhamento de desejos e fantasias com o par: assistir um filme pornô juntos pode levar muitos casais a perderem o receio de abrir o jogo sobre suas vontades, necessidades e até reclamações. Há homens e mulheres que, embora tenham vida sexual ativa, acreditam que o assunto se esgota na cama, no quarto, e evitam conversar a respeito do que sentem. A pornografia pode ser a porta de entrada para compartilhar e experimentar fantasias e novidades.

Contras

Objetificação da mulher e machismo: a pornografia, de modo geral, coloca o homem no centro das ações --dentro e fora da tela. Embora materiais com um toque feminista estejam conquistando espaço nos últimos anos, a maior parte do conteúdo ainda coloca a mulher como submissa e disponível aos mandos e desmandos masculinos. Muitas produções ainda mostram práticas violentas (enforcamentos, estupros, tapas) como se fossem comuns, naturais e, pior, apreciadas.

Ideias equivocadas sobre performance sexual: os homens costumam ter pênis enormes, sempre rígidos, e demorar uma eternidade para gozar; já as mulheres não se cansam nunca, são gostosérrimas e poliorgásmicas, independente da prática. Como na vida real o cenário é bem diferente, a sensação de inferioridade é marcante para os homens mais inseguros, imaturos e inexperientes. A pornografia pode causar a sensação amarga -- não justificada-- de que sua vida sexual é entediante se não for consumida com o mínimo de senso crítico. Em 2016, o psiquiatra Kevin Majeres, pesquisador da Universidade Harvard (EUA), divulgou um estudo que mostra que a pornografia afeta o cérebro masculino, prejudicando a região que os faz diferenciar a realidade da ficção. 

Aprendizado deturpado do sexo: isso acontece principalmente entre pré-adolescentes e adolescentes. Embora muitas famílias se preocupem com a educação sexual de seus filhos, na prática as conversas sobre o tema não costumam fluir de modo tão natural. A busca por informação fora de casa sempre foi uma constante entre os mais jovens, mas hoje em dia o fácil e precoce acesso à pornografia, principalmente via celular, pode resvalar para comportamentos extremos e até mesmo moralmente complicados. As situações de abuso se tornam mais comuns e o sexo passa a ser usado para a submissão de outros, diferente de ser usado para obtenção e compartilhamento de prazer. Especialistas americanos, inclusive, têm detectado a triste tendência de que a exposição precoce à pornografia está levando a um número alarmante de agressões sexuais violentas perpetradas por crianças contra outras da mesma idade.

Vício em masturbação e consequente dificuldade de relacionamento: é claro que a masturbação faz parte do contexto, mas se a pessoa passa a se exceder no consumo da pornografia para essa finalidade, algo está errado. Prejuízos à vida profissional e social e dificuldade ou resistência a estabelecer vínculos afetivos devem ser motivo de atenção, pois há um cenário de dependência. Relacionamentos demandam tempo e energia, então o vício é facilitado para quem tem dificuldades de administrar frustrações.

FONTES: Breno Rosostolato, psicólogo, educador sexual e cofundador do projeto de imersão para casais; LovePlan; Carlos Eduardo Carrion, psiquiatra especializado em sexualidade, de Porto Alegre; (RS); Oswaldo Martins Rodrigues Jr., psicólogo, terapeuta sexual e diretor do InPaSex (Instituto Paulista de Sexualidade Humana); e Ricardo Desidério da Silva, educador sexual e sexólogo do programa "Ver Mais" da TV Record Paraná.