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Aula para saber transar e traição de rico: Netflix mostra sexo em 6 cidades

Como pessoas de diferentes países lidam com a sexualidade? A série "Amor e Sexo pelo Mundo" fala sobre as particularidades de seis países - Getty Images
Como pessoas de diferentes países lidam com a sexualidade? A série "Amor e Sexo pelo Mundo" fala sobre as particularidades de seis países Imagem: Getty Images

Camila Brandalise

Da Universa

24/01/2019 04h00

Você sabia que em Tóquio, no Japão, os casais não pegam na mão e há até um grupo para estimular que maridos sejam carinhosos com suas mulheres?

E que em Xangai, na China, mães fazem uma "feira de casamento" em parques, levando fotos de filhas e filhos solteiros para tentar arranjar um casamento?

Ou que em Acra, em Gana, homens ricos podem trair (mulheres nem pensar!), e os pobres, não?

christiane amanpour - Reprodução - Reprodução
A jornalista Christiane Amanpour
Imagem: Reprodução

A veterana entrevistadora inglesa da rede CNN Christiane Amanpour lançou em dezembro uma série documental na Netflix chamada "Amor e Sexo pelo Mundo", em que fala sobre essas e outras curiosidades.

Ela visitou seis cidades de diferentes países -- Tóquio, Délhi, Beirute, Berlim, Acra e Xangai -- para mostrar como cidadãos desses lugares lidam com a sexualidade e os relacionamentos, retomando fatos históricos e abordando questões atuais, principalmente em relação à vida sexual das mulheres.

Listamos alguns fatos curiosos abordados na série; veja:

Tóquio (Japão)

Sexo pop

Sexo era pop no Japão até o século 19. A arte mais famosa e popular da época eram ilustrações com cenas de sexo, as chamadas shungas. Elas eram dadas de presente às filhas de samurais na noite de núpcias. Quando o país se abriu para as influências externas, o começo da Era Meiji, as shungas foram banidas por serem "inapropriadas" e confiscadas pelo governo

É proibido beijar

Hoje, sexo é um tabu a tal ponto que raramente casais dão as mãos em público. Beijar, então, nem se fale. É mal visto fazer isso no meio de todo mundo. Normalmente, o beijo só rola durante a relação sexual. Há pouca intimidade entre marido e mulher, e acontece com frequência de cada um ter um namorado ou uma namorada, mas a família continuar junta. 

Organização dos Maridos Carinhosos

É um evento anual em que homens sobem em um palco e falam que amam a mulher -- dizer "eu te amo", lá, é considerado piegas, e quase ninguém fala. Também pedem desculpas por chegarem tarde em casa e se comprometem a ser mais atenciosos. Em uma das cenas da série, um senhor diz à mulher: "Hoje vou te abraçar", e a plateia vai à loucura.

Délhi (Índia)

No Tinder indiano não existe encontro casual

Os jovens indianos são usuários assíduos do Tinder e dizem que é um dos poucos espaços em que a mulher tem poder de escolha. Na vida off-line, ela costuma ser escolhida para formar uma família em um casamento arranjado pelos parentes.

Mas as conversas no aplicativo não costumam ser muito liberais: casamento é um assunto que aparece rapidamente. Antes de sair com alguém, a pessoa envia a foto do pretendente à família, que provavelmente vai perguntar de que casta ele é.

Abrigos para casais que fogem de casamentos arranjados

Há centenas de abrigos na Índia que recebem casais que são proibidos de ficar juntos ou que estão fugindo de casamentos arranjados.

As proibições acontecem, normalmente, porque os indivíduos são de castas diferentes. Ou então, porque vivem em vilas vizinhas, e, na cultura indiana, isso seria como casar com um irmão ou uma irmã. 

Beirute  (Líbano)

Dona de revista sobre sexo sofreu ameaça de ataque com ácido

A jornalista Joumana Haddad criou a revista Jasad ("corpo", em árabe) em 2008 para falar sobre sexo e sexualidade. Não foi bem aceita -- até hoje recebe ameaças de morte, de estupro e de ataque com ácido. Isso porque falar sobre sexo ainda é uma imoralidade.

Homossexualidade é crime

Pela lei, ter relações sexuais consideradas "contra a natureza", o que inclui pessoas do mesmo sexo, é crime. Porém, juízes têm se negado a balizar esse tipo de caso desde 2009, quando foi proferida uma decisão atestando que a vida sexual de uma pessoa não pode ser objeto de crime. 

Desde então, organizações não governamentais têm pressionado o governo para que a orientação sexual individual seja respeitada. Em 2017, foi realizada a primeira parada gay de todo o mundo árabe em Beirute.

Berlim (Alemanha)

Instituto de Pesquisa Sexual incendiado no nazismo

Berlim tem um histórico de vanguardismo quando o assunto é sexualidade. Em 1919, foi lá que surgiu o primeiro instituto dedicado ao sexo de que se tem notícia, coordenado pelo médico Magnus Hirschfield. Era um lugar para estudo do corpo e da sexualidade humana. Foi considerado imoral já no começo do regime nazista, em 1933, e, por isso, incendiado.

Todo mundo nu na Cultura do Corpo Livre

O movimento Freikörperkultur (Cultura do Corpo Livre) vê no nudismo a expressão da liberdade. Foi criado na Alemanha Oriental, durante a Guerra Fria (1947-1991), como uma resposta à repressão do governo comunista que dominava parte da cidade de Berlim. Mas ficar pelado exige uma certa organização: há espaços específicos para que a Cultura do Corpo Livre seja vivida, entre eles, algumas praias e clubes. 

Acra (Gana)

O prazer do homem é a regra

A vida sexual das mulheres em Gana é voltada para o desejo masculino, e as mulheres dificilmente questionam esse quadro. Uma boa mulher é a que está disponível para satisfazer o marido quando e como ele quiser. 

Homens casados e com posses têm amantes (que lá, são como uma segunda mulher) e namoradas (parceiras casuais). O contrário, mulheres com amantes ou namorados, não acontece.

Só trai quem é rico

Os relacionamentos em Gana costumam se basear na responsabilidade do homem em bancar os gastos da mulher -- seja ela a oficial ou a amante. Por isso, só trai quem é rico. 

Cristianismo e machismo

A capital de Gana é tomada por igrejas evangélicas, e o cristianismo foi amplamente incorporado pela cultura local. Seguir a Bíblia ao pé da letra, porém, trouxe a ideia de que no momento do casamento a mulher se torna uma ajudante do marido. Pastores reproduzem a crença da mulher virtuosa e vigorosa, que dá amor e segurança ao marido.

"Sex and the City" africano

Um dos programas mais famosas da televisão em Gana é a série "An African City" ("uma cidade africana"). É uma espécie de "Sex and the City", o famoso seriado americano sobre quatro amigas mulheres em Nova York.

As personagens femininas têm falas e diálogos com outros homens, numa tentativa de mostrar às espectadoras que o prazer sexual também é um direito delas. Exemplo: em uma conversa entre um casal, a mulher pede sexo oral, o homem se nega e diz que isso não é comum, mas ela insiste e fala que o próprio prazer também importa.

Xangai (China)

Feira de casamento em parques 

Mães levam pequenos cartazes com fotos de filhos -- no geral, mulheres -- aos parques de Xangai, onde escrevem as características físicas e emocionais e o tipo de parceiro ou parceira que eles procuram. 80% dos filhos não sabem dessa propaganda feita pelas mães.

A pressão pelo casamento é tão grande, que homens e mulheres solteiros com mais de 27 levam apelidos. Elas são as "Sheng nu", ou "restos", e eles são os "Guang gun", ou "galhos vazios".

Mulheres ricas que não sabem flertar

Jovens em Xangai são ensinadas a estudar e ter um bom emprego. E são uma parcela significativo do mercado de trabalho, inclusive ocupando cargos de chefia em grandes empresas. Mas muitas delas dizem não terem aprendido a flertar, e por isso procuram cursos sobre o tema. Há coaches de namoro que, em 20 minutos ensinam a paquerar, a se vestir para um encontro e até a transar.
 

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