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"Julgar só piora", especialista comenta tentativa de suicídio de Luane Dias

Luane Dias começou a receber ataques após término com Leo Stronda - Reprodução/RecordTV
Luane Dias começou a receber ataques após término com Leo Stronda Imagem: Reprodução/RecordTV

Ana Bardella

Colaboração para a Universa

17/12/2018 19h28

Na noite de ontem, Luane Dias, participante da última edição de "A Fazenda", deixou os seguidores preocupados pelas declarações que fez por meio das redes sociais. Dias depois de confirmar o término do relacionamento com o fisiculturista Leo Stronda, a youtuber usou a internet para desabafar. Nos posts, revelou que está passando por um período difícil: além de confessar que está em depressão, sem comer e nem beber há dois dias, Luane escreveu também que chegou a tentar tirar a própria vida. 

"Foram diversas tentativas frustradas. A dor e a angústia tomaram conta do meu ser e eu me entreguei sem medo. Eu não pensei em nada, só em ir embora", escreveu. Mais tarde, apagou parte do que foi postado e pediu aos fãs que parassem de atacar ao ex-namorado, dizendo que é um momento delicado, de muita exposição e que "o que vai prevalecer é o respeito e carinho ao próximo". 

Leo também usou o Instagram para explicar sobre o caso. "Ela sofreu muitos ataques, ofensas e isso acabou acarretando negativamente", afirmou se referindo ao término do relacionamento - que, segundo o relato, ocorreu porque a youtuber se tornou emocionalmente instável e confusa. O rapaz pediu também que as pessoas parassem de dizer que ela estava se vitimizando, garantindo que está disposto a ajudá-la. 

Término pode ser um estopim 

Mario Louzã, psiquiatra e psicanalista, afirma que rompimentos amorosos costumam ser dolorosos e podem desencadear um quadro depressivo ou piorar um transtorno pré-existente. "Se a pessoa não está bem, um término pode ser a gota d'água para que sua angústia chegue a níveis mais elevados", aponta. No entanto, quando uma tentativa de suicídio acontece, não se pode responsabilizar o outro pelo fato. "Centenas de rompimentos acontecem diariamente e quase nenhum acaba de maneira trágica", relembra. Ou seja: a pessoa que cogita tirar a vida precisa de auxílio para aliviar seu sofrimento, independentemente de como o fato aconteceu.

Julgar é colocar "lenha na fogueira"

Em pouco tempo as redes sociais de Luane foram inundadas de mensagens e comentários. Apesar de muitas pessoas desejarem melhoras e forças à jovem, há também quem critique sua postura. "Questionar os motivos e julgar a dor do outro como sendo fútil ou infundada é colocar mais lenha na fogueira", opina o médico. Como o psicológico da pessoa está fragilizado, isso pode desestabilizá-lo ainda mais. 

Redes sociais não são efetivas

Na visão do psiquiatra, é comum a geração atual querer dividir informações pessoais nas redes sociais. "Porém se a pessoa precisa de ajuda, a estratégia não funciona", defende. Isso porque as relações virtuais são superficiais. "Quem lê o desabafo não sabe em que contexto foi escrito, o que coloca em cheque a credibilidade das palavras", diz. 

Além disso, os posts são atualizados a todo instante - e por isso o assunto pode passar despercebido. Na opinião do médico, alguém que pensa em atentar contra a própria vida precisa de auxílio de pessoas próximas. "O primeiro passo é acolher através da escuta para, em seguida, encaminhá-la para um profissional", orienta. Em consulta com psicólogo ou psiquiatra, a origem do sofrimento pode ser investigada e tratada. 

Uma alternativa para os momentos de maior angústia é procurar o atendimento do CVV (Centro de Valorização da Vida) - associação que presta serviço gratuito de apoio emocional e prevenção ao suicídio. "Os atendimentos realizados na maior parte das vezes por telefone têm como objetivo aliviar os sentimentos ruins que levam o indivíduo a acreditar que está sem alternativas", indica o médico. Para entrar em contato, o número é 188. 
 

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