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Reflexo social? O que a final de "A Fazenda" diz sobre mentalidade do país

Rafael Ilha fala com peões nas últimas horas de confinamento  - Reprodução/PlayPlus
Rafael Ilha fala com peões nas últimas horas de confinamento Imagem: Reprodução/PlayPlus

Ana Bardella

Colaboração para Universa

14/12/2018 12h10

A décima edição de "A Fazenda", que se encerrou ontem, foi marcada por muitas polêmicas. Além de duas expulsões por agressão e diversas discussões, o programa teve também falas controversas. Muitas delas envolveram o ganhador Rafael Ilha que, na convivência com outras mulheres da casa, foi acusado de ter atitudes machistas. Fora do confinamento, algumas de suas "brincadeiras" também repercutiram, como quando o ex-polegar fez uma piada sobre estupro e concluiu que deveria existir uma lei chamada "João da Penha" para proteger os homens contra as mulheres

Na opinião de Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental, os realities fazem sucesso porque neles os participantes estão autorizados a agir de uma maneira que não é aceita socialmente. "As pessoas fazem escândalos, fofocas e apresentam todo tipo de comportamento inadequado. Já no cotidiano, somos obrigados a cumprir diversos protocolos, guardar coisas que gostaríamos de dizer, mas não podemos", defende. Por isso assistir ao programa depois de um dia difícil de trabalho, por exemplo, pode ser um deleite. 

Votação é um termômetro social

Assim como "Big Brother Brasil", "A Fazenda" funciona com base nas escolhas do público sobre quem deve permanecer na casa. "Nesse processo, os espectadores podem tomar a decisão com base em diferentes fatores. Os prediletos costumam ser escolhidos por sentimentos como identificação ou pena. Há também quem vote pela permanência dos indivíduos que geram mais problemas, uma vez que eles tornam o programa mais interessante", aponta. Segundo Ellen, nas disputas, quem apresenta um comportamento extremo costuma se sair melhor. 

"Quem age de maneira misógina ou machista tem mais chance de permanecer no jogo por representar a mentalidade do país, criar polêmica e incomodar outros que ali estão", aponta. Na visão da profissional, o contrário também é uma possibilidade: alguns participantes se beneficiam de defender o ponto de vista feminista, já que isso também costuma resultar em conflitos. Gleici Damasceno, vencedora da última edição do "Big Brother" é um exemplo dessa tendência.

Debates de temas importantes 

Ainda de acordo com a psicóloga, reality shows e outros programas de entretenimento, tais como as novelas e séries, podem servir como instrumentos de debate social. "O importante é que as pessoas estejam dispostas a escutar diferentes lados e a dialogar sobre os acontecimentos", opina. "Ter contato com variados pontos de vista e aparar as arestas sobre o que foi assistido, decidindo o que é compatível com os próprios valores, gera discussões saudáveis", finaliza. 


 

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