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A volta da paquera vintage: busca por amigos de amigos cresce na quarentena

Carol Tilkian e André Lage

sobre os colunistas

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

André Lage

Piranhas românticas, André e Carol são experts em solteirice e partidários do afeto mesmo nas relações casuais. Carol está solteira há 6 anos e já não troca a aula de hot yoga por um date mais ou menos. André está solto monogâmico mas já se esbaldou muito na vida de contatinhos. Publicitários e roteiristas, trabalham com comportamento e conteúdo há anos e decidiram se aprofundar no tema que é assunto da manicure à terapia: como se relacionar hoje em dia.

Colunista do UOL

26/10/2020 04h00

Como vai ser a vida paquerativa no tal "novo normal"? Se você é solteira assim como eu, já deve ter se feito essa pergunta um milhão de vezes durante a quarentena. Fiquei em isolamento bastante tempo (até escrevi aqui achando que eu ia ser a única trouxa encalhada por que a solteirada toda tava furando a quarentena menos eu) mas visto que está claro que infelizmente esse vírus não irá embora tão cedo e que as cidades começam medidas de flexibilização, também comecei a pensar na flexibilização paquerativa.

Não sei vocês, mas eu não pretendo sair na mesma frequência do que antigamente. Ou seja, cada voltinha tem que ser certeira. A equação que eu tento fechar é: como me expor minimamente ao risco do contágio e maximamente à pessoas interessantes, que justifiquem o esforço que terei pra domar meu lado hipocondríaco à caça de possíveis sintomas nos 14 dias sequências à minha saidela? A nova-velha tendência dos encontrinhos de "amigos de amigos" parece ter voltado com tudo pra aplacar corações carentes e cautelosos como os meus. Bem-vindos à paquera vintage.

Distanciamento social com casting selecionado

Por mais que ame a vida boemia dos bares e restaurantes, eles não me parecem uma opção atrativa pra desenferrujar meu flerte. Só por serem locais públicos já imagino que muitas pessoas circularão por lá, o que me deixa mais exposta. Por outro lado, os lugares que seguem os protocolos de distanciamento recebem bem menos gente, ou seja, as chances de encontrar alguém caem na mesma proporção que os afastamentos das mesas aumenta. E os bares que estão aglomerados a la Leblon bom... tão cheios de gente que só de se achar imune ao vírus já representa unmatch por justa causa.

Encontrinhos na casa de amigos realmente parecem ser a solução perfeita. Pensa só: tem bem menos gente, o que já te deixa menos exposto; é um lugar que você conhece e já te deixa mais a vontade; a bebida e músicas boas são garantidas, afinal foram vocês que organizam os drinks e as playlists e o melhor de tudo para solteiros como eu: alguém que você adora fez a seleção do casting. Ou seja, as chances de você conhecer pessoas com papos e interesses similares ao seu é bem maior do que a média.

O friozinho na barriga do "tenho um amigo pra te apresentar"

Outra vantagem dessa paquera vintage é a volta da frase "tenho um amigo pra te apresentar". Depois de anos usando apps de paquera onde você já puxa a ficha da pessoa e vai ao encontro sabendo que rolou um "crédito pré aprovado" de interesse, parece que rola um friozinho na barriga gostoso de não saber direito quem a pessoa é, se vai rolar um lance? Entrevistamos o psicanalista Christian Dunker para o Soltos s.a. e ele defende que saber demais sobre o outro, neste comecinho de flerte pode ser justamente um dos motivos de fazer as relações desandarem. "Precisamos de uma dose de ilusão, mistério e encantamento até que o envolvimento aconteça" explica Dunker. Ou seja, os encontros às cegas arranjados por amigos são uma forma de colocar a gente em conexões que vão se construir mais ao vivo e no improviso.

Os filtros qualitativos que o Tinder não tem

Não importa qual pacote premium de app você pague, se você é assídua na paquera online como eu, provavelmente já se deu conta de que tem muita, muita, muita gente em todos eles e achar alguém com quem papos e química batam é como tentar achar uma blusinha legal em outlet. Você vai ter que gastar muito tempo e peneirar muito.

Contar com a curadoria de bons amigos é saber que se ele é alguém que te conhece bem, e o pretendente também, e provavelmente vai encontrar conexões entre a vida de vocês dois que filtro nenhum encontraria. Só um bom amigo vai te apresentar um cara que também só aprendeu a andar de bicicleta com 15 anos ou que leu 3 vezes Cem anos de Solidão. Além disso, se o amigo estiver junto no tal encontro ele provavelmente levantará boas bolas de assuntos para você e crush cortarem. Exatamente aqueles que ele sabe que interessam o outro e que você fala com desenvoltura, humor e sensualidade.

Sensação de "certificado de garantia" e serviço de atendimento ao consumidor 24hs

E em épocas do combo ghosting e Covid, meu pavor é sair com alguém que eu acho que está saindo só comigo mas está pegando geral ou que vai me dar o golpe do "fui comprar álcool gel e nunca mais voltei". Na paquera vintage parece que o amigo funciona como um SAC amoroso: você pode dar uma mini puxada de ficha pra já sacar onde está se metendo sem ter que fazer a "google maps" e perguntar por onde o crush têm circulado e, acionar o sistema em caso de sumiço ou sintomas de Covid..

Estou animanda pra entrar na tendência e me aventurar nesses matches por indicação. Vocês também? Aliás, se tiverem amigos que achem que combinam comigo, inbox e convites pra vinho são bem-vindos.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.