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Idosos LGBT formam grupo e estreiam hoje sua primeira novela em áudio

Em Aquarius, Mônica Pita interpreta Matilde, uma mulher lésbica de 66 anos, pisciana e "sem namorada no momento" - Divulgação
Em Aquarius, Mônica Pita interpreta Matilde, uma mulher lésbica de 66 anos, pisciana e "sem namorada no momento" Imagem: Divulgação
Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

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Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista do UOL

04/11/2020 04h00

Para a maioria dos 19 atores do projeto, essa é a primeira experiência cênica da vida. Professores, administradores e produtores, agora aposentados, eles tiveram a oportunidade de fazer arte justamente em um dos períodos mais difíceis de todos os tempos: o de isolamento social, imposto pela pandemia de Covid-19.

Na segurança de suas casas, se comunicando apenas por aplicativos, eles participaram da seleção, passaram pela preparação de elenco, ensaiaram e gravaram suas atuações através de seus próprios celulares.

O resultado de todo esse trabalho, desenvolvido ao longo de cinco meses, é Aquarius, uma audionovela de dez episódios com oito minutos de duração cada um.

"Houve um chamamento no mês de maio e uma adesão muito grande. Os atores e atrizes que se apresentaram estão passando pela vivência cênica e teatral pela primeira vez. Os ensaios aconteceram todos os sábados, desde junho, e eram momentos muito importantes de integração dessas pessoas", explica o ator, roteirista e diretor de Aquarius, Celso Rabetti.

A história foi escrita a quatro mãos entre Celso Rabetti e Mariza Pinto, licenciada em Artes Plásticas e Cênicas, com especialização em Linguagens da Arte.

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De Porto Alegre, o atendente de bar Juarez Anandi, 53, vive sua primeira experiência teatral e surpreende como Rosa, uma idosa que sofre de Alzheimer em Aquarius
Imagem: Divulgação

Aquarius, uma metáfora da realidade

Na história, que se passa em 2030, o residencial Aquarius é uma ILPI (Instituição de Longa Permanência Para Idosos) que tem sua rotina transformada - para pior - com a chegada de um novo gestor.

"Esse gestor traz algumas regras que retiram as liberdades democráticas de cada um. Dentre as várias limitações impostas, a que mais causa revolta entre os idosos é a obrigatoriedade do uso de uniformes, tirando sua autonomia e sua individualidade", adianta Celso.

"É uma espécie de metáfora do que acontece hoje, em especial no Brasil, onde nós, as pessoas, as chamadas minorias (LGBTs, negras, mulheres) sofrem cortes violentos em seus direitos e garantias. Isso traz uma série de consequências que levam, inclusive, as pessoas à morte. Acho que isso também é uma grande inspiração. Maléfica, mas que de alguma forma é retratada também no enredo da audionovela. Ainda bem que temos um final feliz, uma resposta de esperança, pra que as pessoas se unam através da sua força e da sua arte. No último capítulo acontece uma grande revolução no residencial Aquarius", completa o dramaturgo.

A estreia de Aquarius acontece hoje, às 19h30, e é gratuita. A sala do evento online, com noite de autógrafos para o público, será aberta às 19h15.

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O dramaturgo Celso Rabetti dá voz a Vitório, o narrador da história
Imagem: Divulgação

Eternamente Sou, centro de referência para idosos LGBT

Aquarius faz parte de uma série de atividades desenvolvidas pela Eternamente Sou, uma associação sem fins lucrativos que existe desde 2017 em São Paulo e que contempla, remotamente, atendimentos em todo o país promovendo a inclusão social, o protagonismo e uma velhice digna e ativa a pessoas idosas LGBTs.

Atualmente, mais de 200 idosos se conectam através da Eternamente Sou. Devido à pandemia, todas as atividades foram adaptadas para versões online como aulas de idiomas, terapias em grupo, atendimentos jurídicos, entre outros. "Nosso foco são pessoas LGBTs 50+, no entanto, temos um importante trabalho integracional de socialização, em que todas as pessoas são contempladas", afirma o assessor de comunicação Matheus Kohn.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL