PUBLICIDADE

Topo

Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ao escrever aqui, registro o mundo a partir da minha perspectiva preta

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
Conteúdo exclusivo para assinantes
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista de Universa

24/09/2021 04h00

Quando recebi o convite para escrever em Universa, compartilhei com a equipe uma questão: para mim, é um grande desafio escrever uma coluna — e, por várias razões. Um deles é minha dislexia e o quanto é uma novidade escrever a partir desse lugar. É uma superação especial quando me apresento como colunista, logo eu que já fugi tanto - e vivo escapando - de ser escritora.

Estou por aqui há pouco mais de um ano e quero, junto com vocês e com toda a equipe de Universa celebrar este espaço, um território de compartilhamento, mas principalmente de registro de um olhar negro sobre a moda, sobre a sociedade, sobre o mundo.

Durante os meus processos de escrita e dedicação em pensar moda e sociedade, foi ficando cada vez mais gostoso e importante registrar as reflexões que proponho, sempre trazendo perspectivas não muito vistas sobre a relação entre elas e o quanto interseccionam com as questões que me atravessam enquanto uma mulher preta. A minha carreira se relaciona muito com a moda, mas eu não tinha isso sistematizado, organizado. E esta coluna no UOL me trouxe tal oportunidade.

Foram muitos momentos marcantes. As entrevistas são incríveis e, talvez, eu destacaria o bate-papo com a Hanayrá Negreiros, minha professora, primeira conversa que trouxe por aqui, sobre a arqueologia da moda negra. Destaco também a entrevista com a Jamine Miranda, a Preta Caminhão, que me fez repensar a feminilidade.

Foram alguns desafios e o maior deles, sem dúvida, foi o texto sobre a Beyoncé e uma de suas obras-primas, Black Is King, porque havia uma pressão, uma tensão, uma expectativa muito grande para que eu falasse sobre as "estampas de oncinha". Também tiveram os textos que me surpreenderam, por exemplo ''Cadê o Boy?'', em que falo sobre relacionamentos e sobre como o mundo resiste em aceitar mulheres no centro de suas existências, que foi bem compartilhado!

Teve texto sobre periferia e sustentabilidade, sobre corpos volumosos, sobre os discursos para vestir e a história do Ateliê Xongani, onde tudo começou. Teve muito texto não apenas registrando, mas apresentando o talento de tantos artistas negros que ocupam esse ecossistema do estilo. E essa é das coisas que mais adoro fazer.

Comecei a ver o que digo aqui ecoarem em redes como Instagram, Twitter e LinkedIn, por pessoas de universos por vezes diferentes do meu e isso é muito legal. Tenho orgulho de ser colunista de Universa, um canal de comunicação tão grande e que vem pensando diversidade de uma forma positiva.

Me sinto desafiada, feliz e orgulhosa. Obrigada, Universa. Obrigada, UOL. Que este ano que passamos juntos se transforme em muitos outros e que sejam prósperos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL