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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Como identificar e valorizar forma que um parceiro demonstra amor por você

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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

21/06/2022 04h00

"Será que ele/ela me ama?" Uma dúvida comum, que ronda a vida emocional da maioria das pessoas, de vez em quando. Uma pergunta, por vezes, difícil de ser respondida. O amor é um sentimento complexo e ainda pouco estudado e há várias maneiras de expressá-lo, ou seja, transformá-lo em ação.

Já que você nunca terá certeza dos sentimentos alheios, sugiro que mude a pergunta: "A maneira como ele/ela me ama me satisfaz?" Assim você está se colocando em pessoa ativa, que avalia sua própria satisfação emocional. É muito mais eficaz.

Por vezes, uma pessoa pode não dizer "Eu te amo" por medo de se entregar ou se comprometer, por vergonha, por falta de jeito, por não valorizar o romantismo e até para manter você insegura.

Sei que é bom escutar, mas não caia nessa armadilha: o importante é que o amor só se realiza, de verdade, na ação. Se você se sente amada pelo que ele faz, o máximo que pode fazer a respeito é explicar, com carinho, que gostaria de ouvir um "Eu te amo", de vez em quando.

Não imponha. Peça.

Há o caso oposto. Da pessoa que diz, mas não demonstra. Então, talvez a pessoa não expresse da maneira como você está acostumada a amar.

Nossa história pessoal nos ensina a decodificar o amor através de alguns comportamentos como o desejo de intimidade, de compartilhar momentos a dois, os carinhos e a vontade de fazer sexo, os cuidados com o outro e até a vontade de constituir família.

Muitas vezes acontece de cada um amar de uma maneira diferente. Então, após identificar como o seu par demonstra o amor por você, há duas coisas a fazer: entender se é possível valorizar essa forma de amar e se, mesmo dando crédito ao que o outro faz, isso é suficiente para mantê-la conectada ao outro e comprometida com essa relação.

O amor se transforma. Ele pode passar de uma paixão erótica que envolve desejo sexual ardente, para um amor romântico, que une tesão e intimidade.

Mas com o tempo também é possível que a intimidade (conexão, compartilhar ideias, emoções e afetos, sensação de aconchego) se intensifique e que o tesão esmaeça, a ponto de duas pessoas tornarem-se mais amigos do que amantes.

Ou é possível que a intimidade emocional nunca aconteça, mas o sexo mantenha-se ótimo.

Quem vive uma relação estável pode reconhecer essas e outras mudanças e construir estratégias para alavancar uma dimensão que seja importante para ambos, como fazer mais atividades a dois ou apimentar o sexo.

Às vezes funciona, em outras uma saudade entrará no lugar daquilo que já não é mais presente. Daí é importante analisar se o novo "formato" é suficiente para lhe fazer bem.