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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Não faça como Túlio: como agir para que uma troca de casais dê certo?

Túlio (Daniel Dantas) achou que seria uma boa ideia surpreender Rebeca (Andrea Beltrão) com uma troca de casais - Reprodução
Túlio (Daniel Dantas) achou que seria uma boa ideia surpreender Rebeca (Andrea Beltrão) com uma troca de casais Imagem: Reprodução
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

18/12/2021 04h00

A personagem Rebeca (Andréa Beltrão), da novela "Um Lugar ao Sol", parece estar decidida a tomar as rédeas da sua vida e da sua sexualidade. Em episódio que foi ao ar no início da semana, o marido dela, Túlio (Daniel Dantas), resolve armar uma situação com outro casal, na tentativa de promover uma noite de sexo entre os quatro. Sem saber do que se tratava, Rebeca se depara com o rapaz acariciando suas coxas. Sentindo-se apunhalada pelo marido, ela interrompe o jantar, volta para casa, mas antes termina o casamento.

O mais interessante nesse caso é perceber a distorção de Túlio, achando que estava tudo bem promover um swing sem a mulher ter opinado sobre o assunto. Com uma relação que já está por um fio, aliás, essa era a pior ideia do planeta. Casais swingers que respeitam o desejo e os limites da parceria sabem como a construção de um ambiente seguro e saudável não é simples, mas é condição fundamental, já que os sentimentos de insegurança, ciúme e medo podem trazer desafios emocionais que só uma relação segura consegue dar conta. Que não é só sobre sair por aí curtindo sexo, mas ter responsabilidade afetiva com todos os envolvidos.

Durante toda a minha trajetória profissional, já me deparei com vários conflitos conjugais que envolviam a introdução de terceiros e/ou troca de casais. Me lembro, por exemplo, de uma paciente que cansou da fantasia insistente do marido de ela fazer sexo com outra pessoa. Como o desejo inicialmente não era dela, por um período a situação pareceu interessante e excitante, mas passou a se aborrecer com a narrativa, que precisava estar sempre presente para o sexo acontecer entre eles. Ela me dizia que queria experimentar "ser a exclusiva", só para variar um pouco.

Outra, em algum momento, passou a desconfiar que o marido era homossexual e que, na verdade, ele se excitava mais com a presença do outro homem do que com a dela. Teve também a mulher que foi para a casa de swing por insistência do marido e acabou se apaixonando por uma frequentadora, depois que fez sexo com ela.

Fantasias devem ser discutidas antes

No livro "Ela, Dama de Espadas", Camila Voluptas narra a sua trajetória no swing, sempre ao lado do atual marido, com quem divide experiências interessantes e prazerosas e outras não tão boas assim. Ilude-se quem acha que vai só encontrar prazer nas experiências liberais. Para algumas pessoas, manter o swing na fantasia pode ser bem melhor do que enfrentar as também frustrações das vivências concretas.

No caso da personagem Rebeca, o swing não era uma fantasia já apresentada, conversada e discutida. O que ela faz é não aceitar que seu parceiro conduza o sexo sem que ela esteja consciente e com desejo de experimentar.

Sei que é importante comunicar desejos e fantasias com as parcerias e que, no ideal de todos nós, reside essa vontade de que alguém tope experimentar de tudo. Mas cada pessoa tem seu ritmo, seus desejos, valores e limites. É no mínimo abusivo achar que há uma obrigação na realização de todas as práticas sexuais.

Cansei de ouvir também que uma negativa diante de uma nova proposta sexual do parceiro é sinal de que a mulher é careta, fresca e "travada" sexualmente. Os homens adoram fazer esse tipo de pressão para convencer suas parceiras a embarcar nos seus devaneios. Só vale a pena experimentar novas possibilidades trazidas pelas parcerias quando elas também são pessoas generosas, comprometidas com o projeto comum do casal. Elas devem entender e considerar as dificuldades envolvidas e serem, portanto, dignas de confiança. O que definitivamente Túlio, marido de Rebeca, está longe de ser.