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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Viralizou: Por que Andréa Beltrão é a heroína perfeita para tempos caretas

Na novela das 9 "Um Lugar ao Sol", a atriz Andréa Beltrão interpreta Rebeca, uma mulher cinquentona que se envolve com um cara mais novo - Reprodução/Instagram
Na novela das 9 "Um Lugar ao Sol", a atriz Andréa Beltrão interpreta Rebeca, uma mulher cinquentona que se envolve com um cara mais novo Imagem: Reprodução/Instagram
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Nina Lemos

Colunista de Universa

10/12/2021 04h00

Quando eu era adolescente, minha heroína predileta era Zelda Scott, personagem interpretada por Andréa Beltrão no seriado "Armação Ilimitada". Ela era uma repórter super moderna, de cabelo curtinho, estilo new wave. Tão "pra frente" que andava de lambreta e tinha dois namorados. E sim, isso passava na TV durante a tarde e ninguém fazia boicote falando que "a família brasileira estava sendo destruída".

Andréa Beltrão sempre foi uma gênia e a personagem era perfeita para ela. Eu e muitas garotas da época víamos em Zelda/Andréa um exemplo de quem a gente queria ser quando crescer.

Mais de 30 anos depois, a internet descobriu e se apaixonou por Andréa Beltrão. O nome da atriz ficou por vários dias entre os assuntos mais comentados do Twitter e clipes com momentos seus "bombam" no Tik Tok. Finalmente, os mais jovens descobriram e se apaixonaram por uma das mulheres mais modernas do Brasil.

Um dos motivos para Andréa bombar em 2021: ela interpreta na novela "Um Lugar ao Sol" a modelo Rebeca, uma mulher de 50 e poucos anos que vive as crises da idade, a menopausa e se apaixona por um garoto mais novo. Tudo é tratado com clareza e de maneira real e aberta. E nós, que adolescentes queríamos ser como Zelda Scott, agora entramos na menopausa e temos essa musa para nos representar. Não podíamos querer uma representante melhor.

É com alegria que constato que a vida das mulheres de 50 parece estar entrando na moda. Estreou na quinta (9) na HBO Max "And Just Like That", uma continuação de "Sex and The City", agora com as atrizes com mais de 50. Mas a personagem de Andréa foi tão de vanguarda que veio na frente.

"A coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer", canta Arnaldo Antunes na música "Envelhecer". Mas moderno mesmo é quebrar os tabus e mostrar que as mulheres, quando passam dos 50, não se vestem imediatamente de bege e passam a cuidar dos netos. Na verdade, continuamos sendo as mesmas pessoas. Só que mais espertas e seguras, o que é ótimo.

Se existem problemas? Claro que sim. E, repito, ninguém melhor do que Andréa para mostrá-los.

Masturbação e vídeo

Na novela, Andréa encarna uma mulher descolada, sexy. E, sim, é assim que muitas mulheres de 50, 60, 70 são. Ela tem conversas ótimas com a sua analista e suas amigas (sim, mulheres são amigas de mulheres) e fala abertamente sobre sexualidade.

Andréa chegou a interpretar uma cena de masturbação. Sim, gente, pessoas mais velhas também transam. E são legais, engraçadas e cool como Andréa Beltrão.

Nos últimos dias, fãs têm desenterrado trechos de entrevistas da atriz. Em clipes que circulam na internet, ela diz, por exemplo: "Quero ser enterrada de paetê, com cílio postiço, quero estar linda no caixão"; "Eu vou sair nua pela praia de Copacabana beijando todo mundo. Já estou avisando"; "O melhor filósofo moderno dos últimos tempos é Zeca Pagodinho". Está errada? De jeito algum. E que bom que, em tempos tão caretas, uma mulher tão fora da caixa e dos padrões voltou a ser heroína.