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Astrônomos esperam encontrar mais objetos interestelares nos próximos anos

Asteroide interestelar foi observado por astrônomos - Reprodução/CNN
Asteroide interestelar foi observado por astrônomos Imagem: Reprodução/CNN

Do TILT, em São Paulo

01/10/2019 13h21

Astrônomos descobriram dois objetos interestelares em nosso sistema solar nos últimos dois anos. E eles acreditam que isso é apenas o começo.

Os pesquisadores acreditam que, no futuro, poderemos ver vários objetos grandes originados fora do nosso sistema solar passando por ele, além de centenas de objetos menores.

O primeiro objeto interestelar observado, ou objeto que se originou fora do nosso sistema solar, foi chamado de "Oumuamua" e foi observado por algumas semanas em outubro de 2017. Os astrônomos debateram se era ou não um asteroide ou cometa interestelar.

O segundo objeto, "2I/Borisov", é um cometa interestelar que foi observado no final de agosto deste ano. Ele ganhou esse nome após ser observado pela primeira vez por Gennady Borisov, um astrônomo amador. Agora, os pesquisadores terão pelo menos um ano para aprender mais sobre o objeto.

Estes são os dois únicos objetos que foram observados, mas provavelmente este número poderá aumentar de acordo com um novo estudo aceito para publicação no "The Astrophysical Journal Letters".

"Deve haver muito desse material flutuando", afirmou Malena Rice, autora do estudo e estudante de graduação da Universidade de Yale. "Muito mais dados serão divulgados em breve, graças aos novos telescópios que estão online. Não precisaremos especular."

Estudar esses "visitantes" em nosso sistema solar pode ajudar astrônomos a determinarem de onde eles vieram. Uma teoria é que eles são sobras de outros sistemas solares que foram expulsos para o espaço interestelar.

Mas dos 4 mil planetas confirmados fora do nosso sistema solar, chamados exoplanetas, a maioria está orbitando perto suas estrelas, o que significa que eles não poderiam ejetar as sobras de blocos de construção planetários chamados planetesimais. Em uma situação de órbita próxima, essas sobras ficariam presas nas órbitas onde se formaram.

O novo estudo sugere que esses objetos poderiam realmente ser restos de grandes planetas recém-formados com uma órbita distante de sua estrela. Esses planetas grandes deixariam lacunas no disco ao redor da estrela, onde materiais como gás e poeira são usados para formar planetas. O disco é chamado de disco protoplanetário. Devido à distância da estrela, esses planetas poderiam enviar sobras para o espaço.

Esses planetas são mais difíceis de observar porque estão localizados mais distantes de suas estrelas, e é por isso que poucos foram encontrados. Os pesquisadores analisaram três discos protoplanetários brilhantes, próximos e grandes, fotografados por um telescópio no Chile.

"Estávamos procurando discos nos quais era bem claro que um planeta estava lá", disse Rice. "Se um disco tem lacunas claras, como vários discos DSHARP, é possível extrapolar que tipo de planeta estaria lá. Em seguida, podemos simular os sistemas para ver quanto material deve ser ejetado ao longo do tempo".

"Essa ideia explica bem a alta densidade desses objetos à deriva no espaço interestelar e mostra que deveríamos encontrar centenas desses objetos com as próximas pesquisas entrando em operação no próximo ano", disse Gregory Laughlin, autor do estudo e professor de astronomia da Universidade de Yale.

Quando esses objetos entram no nosso sistema solar, eles possibilitam aos astrônomos a oportunidade de entender mais sobre o universo, já que eles agem como "impressões digitais" de sua parte da galáxia.

"Você não está olhando para uma estrela distante através de um telescópio", disse Rice. "Este é um material real, que compõe planetas em outros sistemas solares, sendo lançados contra nós. É uma maneira completamente sem precedentes de estudar sistemas extra-solares de perto - e esse campo começará a explodir com dados muito em breve", concluiu.

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