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Toca de 70 mi de anos onde crocodilos fugiam do calor é descoberta em MG

Ilustração mostra como era a toca de crocodilos encontra em Peirópolis - Jorge Blanco/Divulgação
Ilustração mostra como era a toca de crocodilos encontra em Peirópolis Imagem: Jorge Blanco/Divulgação

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

27/05/2019 16h05Atualizada em 30/05/2019 09h52

Resumo da notícia

  • Toca é a mais antiga do período Cretáceo Superior encontrada na América do Sul
  • Espaço era usado por crocodilos para proteção contra altas temperaturas e secas na região do Triângulo Mineiro
  • Há 70 milhões de anos, as temperaturas alcançavam entre 50º e 60ºC

Cientistas argentinos e brasileiros descobriram uma toca (paleotoca) que abrigava um crocodilo Labidiosuchus amicum, uma das quatro espécies identificadas de crocodilos (crocodilomorfos), que habitaram o distrito de Peirópolis, em Uberaba (MG), a 475 quilômetros de Belo Horizonte.

Segundo o paleontólogo Agustin Martinelli, do Museu Argentino de Ciencias Naturales Bernadino Rivadavia, um dos responsáveis pela descoberta, trata-se da primeira toca do período Cretáceo Superior, há 70 milhões de anos, descoberta na América do Sul.

"É o primeiro registro que temos de uma paleotoca em rochas do período Cretáceo Superior, ou seja, há cerca de 70 milhões de anos, em toda a América do Sul. Talvez, um dos únicos do mundo no período", afirmou Martinelli.

Segundo o geólogo Luiz Carlos Borges Ribeiro, do Centro de Pesquisas LLewelly Ivor Price, braço da UFTM (Universidade Federal do Triângulo Mineiro) para pesquisas de paleontologia em Peirópolis, a toca descoberta está localizada a 2,5 quilômetros ao norte do centro do distrito. O pesquisador explica que o achado tem grande relevância para as pesquisas do Cretáceo Superior, por causa das dificuldades para encontrar registros icnofósseis, como pegadas e marcas deixadas pelas espécies de crocodilos extintas.

"O achado se reveste de grande relevância, face à raridade de se ter este tipo de fóssil preservado, o icnofóssil, que são registros indiretos das atividades biológica produzidas pelo animal, e não restos fósseis corpóreos, como dentes e ossos", disse Ribeiro.

Ele explica que as tocas eram utilizadas pelos crocodilos para se "proteger" das altas temperaturas e secas prolongadas na região do Triângulo Mineiro, 70 milhões de anos atrás. Segundo o geólogo, as temperaturas alcançavam algo entre 50º e 60ºC.

"As tocas determinam um hábito comportamental utilizado para proteção em tempos de secura extrema, ou mesmo para colocação de ovos pelo indivíduo", diz o pesquisador.

"O esconderijo para enfrentar o calor intenso, a guarda de alimentos e a hibernação, foi utilizado pela espécie Labidiosuchus amicum, um crocodilomorfo de tamanho pequeno".

Ribeiro lembra que não foram encontrados restos esqueléticos, ovos e restos de alimentos, no local.

"O animal responsável pela construção dessa toca a utilizou para se proteger de temperatura entre 50º e 60º em longos períodos de secura. Por questão de sobrevivência, escavava um buraco", afirmou.

Segundo o geólogo, durante os milhões de anos, a toca foi sendo preenchida por uma mistura de areia fina e lama, que a deixou fossilizada, possibilitando que fosse descoberta e identificada.

Errata: o texto foi atualizado
A reportagem refere-se ao campo da paleontologia, e não da arqueologia. Por isso foi retirado o termo "arqueologia" do topo da página, que constava inicialmente.

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