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Após 75h de testes, helicóptero que voará em Marte é aprovado com louvor

Imagem do modelo de voo do helicóptero da Nasa que será enviado a Marte - Divulgação/Nasa
Imagem do modelo de voo do helicóptero da Nasa que será enviado a Marte Imagem: Divulgação/Nasa

Felipe Germano

Colaboração para o UOL

03/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Nasa conclui testes do helicóptero que sobrevoará o solo marciano
  • Propósito não é transportar pessoas, mas tirar fotos de Marte
  • Testes simularam temperaturas, gravidade e densidade atmosférica do planeta
  • Previsão é que invenção alce voos em fevereiro de 2021, um ano após missão

Na próxima vez que você vir imagens de Marte e tiver algo voando ao fundo, acalme-se. Isso (infelizmente) não é uma prova cabal de que existe vida fora da Terra, mas não deixa de ser o registro de algo incrível. A Nasa concluiu os testes para sua mais nova invenção: um helicóptero que sobrevoará o solo marciano.

Calma, isso também não significa (mais uma vez, infelizmente) que os astronautas vão sair por aí curtindo voos panorâmicos no planeta vermelho. O modelo em questão possui menos de um metro de altura, pesando 1,8 kg.

O propósito da máquina não é transportar pessoas, mas tirar fotos aéreas de Marte para ajudar em estudos e no reconhecimento do planeta.

Mesmo com um modelo pequeno, a missão de decolar um helicóptero em Marte é mais complicada do que parece. A primeira dificuldade aparece na temperatura. O maquinário tem que ser apto a resistir ao clima nada ameno dos marcianos: apesar dos dias tranquilos com temperatura de 20 °C, durante a noite os termômetros podem marcar -90 ºC.

Os pesquisadores, então, desistiram de tentar encontrar materiais que não sofrem prejuízos com o frio. Em vez disso, desenvolveram um sistema de aquecimento, onde o veículo eleva a própria temperatura para permanecer funcionando.

O problema térmico, no entanto, não era o único. A atmosfera dos vizinhos também se tornou um incômodo para os pesquisadores. Ela possui apenas 1% da densidade que temos por aqui. Além disso, a própria noção de gravidade teve que ser reavaliada.

Marte não tem gravidade zero, mas tem gravidade 3,7. Esse cenário muda toda a dinâmica de voo do modelo. Nossas regras da aviação servem só como referência. Por lá, o cenário é completamente diferente.

Para superar essas questões, os cientistas recriaram as condições marcianas em uma câmara de vácuo no laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, em Pasadena, Califórnia. Foram 75 horas de testes até que a prova do sucesso chegasse: um voo com cinco centímetros de altura.

Foi a altura necessária para obtermos todos os dados exigidos que confirmam: nosso helicóptero marciano pode voar autonomamente na atmosfera de Marte. Não precisamos ir mais alto que isso
Teddy Tzanetos, condutor do teste

A previsão é que a invenção alce voos em fevereiro de 2021. É nessa data que ela chegará ao planeta vermelho, quase um ano depois de ter deixado a Terra na missão Mars2020, planejada para decolar da Florida em julho do ano que vem.

"A próxima vez que ele voará, será em Marte", afirma MiMi Aung, responsável pelo projeto.