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Plásticos em oceanos provêm majoritariamente de navios mercantes, diz estudo

30/09/2019 20h07

Washington, 30 Set 2019 (AFP) - A maioria das garrafas que acabam na costa da pequena ilha Inacessível, batizada assim por sua localização no meio do Atlântico Sul, provavelmente foi lançada por navios mercantes chineses, concluiu um estudo publicado nesta segunda-feira.

Este trabalho é mais uma prova de que as ilhas flutuantes de resíduos plásticos no meio dos oceanos, cujas imagens escandalizaram a opinião pública, seriam formadas com garrafas e outros artigos de uso único lançados na natureza e nos córregos não tanto pelos consumidores desses produtos, mas pelas indústrias pesqueiras e marítimas, que liberam toneladas de plástico no mar.

Os autores do artigo publicado na revista americana PNAS compararam milhares de resíduos coletados durante as visitas à pequena ilha em 1984, 2009 e 2018.

Embora inicialmente a maioria das garrafas na ilha Inacessível apresentassem inscrições mostrando que vinham da América do Sul, transportadas pelas correntes a partir desses litorais até 3.000 km para o oeste, em 2018 três quartos procediam da Ásia, principalmente da China.

Muitas destas garrafas PET foram esmagadas com suas tampas de rosca como se faz nas embarcações para economizar espaço, afirma o autor principal, Peter Ryan, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul.

As datas de fabricação eram recentes, 90% nos dois anos anteriores à publicação, excluindo as que viajaram desde a costa asiática, de onde o percurso do lixo dura entre três e cinco anos.

E como o número de navios pesqueiros asiáticos se manteve estável desde a década de 1990, enquanto o número de navios mercantes asiáticos e principalmente chineses aumentou significativamente no Atlântico, os pesquisadores concluem que todas estas garrafas provêm de navios mercantes, que se desfazem delas em vez de levá-las de volta a terra.

"Não há outra explicação: provêm de embarcações e não das terras costeiras", declarou Peter Ryan à AFP. "Parte da frota mercante parece ser responsável, e aparentemente é a frota asiática", expressou.

É necessário, portanto, diferenciar dois tipos de poluição marinha.

Por um lado, a de praias em volta dos principais centros urbanos. O plástico que se encontra lá provém dos litorais: garrafas, sacolas e embalagens de plástico. Mas esses objetos leves fluem facilmente e são menos arrastados pelas correntes.

Mais adentro dos oceanos, os vórtices de resíduos contém fragmentos de objetos de origem incerta, assim como artigos utilizados pela marinha mercante e pelos navios pesqueiros: não só as garrafas que são consumidas a bordo, mas também redes, cordas, boias e caixas, entre outros.

ico/cjc/llu/db

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