Amazon cria seu próprio chatbot com IA para mudar o dia a dia no trabalho

O já engarrafado cenário dos chatbots com inteligência artificial generativa acabou de ganhar mais um habitante. A Amazon Web Services, empresa de computação em nuvem da Amazon, lançou o Amazon Q nesta terça-feira (28).

Diferentemente de ChatGPT (OpenAI) e Bard (Google), que são generalistas, e do Copilot (Microsoft), criado para auxiliar programadores, o Amazon Q é voltado exclusivamente para ambientes corporativos.

Maior fornecedora de computação em nuvem do mundo, ambiente em que rodam os serviços de AI, a AWS curiosamente parecia longe do burburinho provocado pelo ChatGPT, que fez a tecnologia virar algo popular.

Durante sua conferência anual, em Las Vegas, a companhia reafirmou que vários de seus processos são orientados por IA, a começar pela escolha das embalagens dos produtos enviados pela Amazon. O Amazon Q, em meio a vários anúncios técnicos, é uma forma de a AWS marcar território no novo campo de batalha da IA generativa.

AI generativa é o próximo passo e vai reinventar toda e qualquer aplicação
Adam Selipsky, CEO da AWS

A missão do Amazon Q é ajudar funcionários em tarefas cotidianas, como resumir documentos, ter insights sobre relatórios, elaborar modelos e protótipos de produtos — e até testá-los—, preencher pedidos ao suporte interno e consultar detalhes das políticas da empresa.

Os principais atrativos do Q são o que ele pode fazer, como ele construído e as regras por trás de seu desenvolvimento.

Ligado no negócio

Ele pode ser conectado a 40 diferentes sistemas de produtividade, como Google Drive, Microsoft 365, Slack, Jira e Salesforce. A partir daí, pode compreender a organização da empresa para executar ações nessas plataformas.

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Os pedidos podem ser desde modificar algo em um dashboard a marcar uma reunião que se adeque à agenda de vários colegas de trabalho. Como o Q pode ser abastecido com bases de dados da empresa, é possível obter análises de relatórios e ideias de decisões a tomar a partir de informações corporativas.

"Basta apontar para a fonte dos dados e fazer as perguntas de acordo com a necessidade de cada área, como 'Eu quero saber quanto foram as vendas da área de bebidas'.", exemplifica Américo de Paulo, diretor de soluções em infraestrutura da AWS.

Programadores são um dos públicos principais do Q. Uma de suas funções, chamada Code Transformation, permite atualizar uma ou diversas aplicações com base nos updates de softwares. Segundo o CEO da AWS, Adam Selipsky, um time atualizou mil aplicações de Java 8 para Java 17 em só 2 dias. "Isso são meses e meses, se não anos em tempo economizado."

O nome Q é uma brincadeira com a palavra "pergunta", dada a natureza conversacional do chatbot, afirmou Selipsky ao jornal "News York Times". É também uma brincadeira com o personagem Q dos romances de James Bond, que cria fabrica ferramentas inventivas. .

Amazon Q x rivais

Do ponto de vista prático, ele competirá com outros chatbots corporativos, como Copilot, Duet AI (Google) e ChatGPT Enterprise.

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Diferentemente desses robôs, o Amazon Q não possui um modelo fundacional de inteligência artificial específico - esses são os algoritmos treinados com uma grande quantidade de dados e capazes de executar diferentes tarefas a ponto de poderem ser adaptados para outras atividades.

O novo chatbot da Amazon é uma colcha de retalhos dessas tecnologias, todas disponibilizadas na plataforma Bedrock, que interliga Titan (Amazon), Claude (Anthropic) e Llama 2 (Meta) e outros.

Por trás da cortina

"O Amazon Q foi criado para ser seguro, não alucinar e dar respostas confiáveis, porque, quando eu falo de corporações, só posso fornecer informações fidedignas", explica Alex Coqueiro, diretor de tecnologia da AWS para América Latina, Canadá e Caribe.

Na verdade, a Bedrock já permite que esses vários modelos sejam combinados sem passar pela fricção de saber como a mágica funciona. Basta escrever comandos. Mas o Amazon Q vai um pouco mais adiante.

Formalmente, uma inteligência artificial generativa depende de três aspectos. Primeiro, a infraestrutura física, ou seja, os chips robustos capazes de fazer cálculos complexos, como os fabricados pela Nvidia. Na camada intermediária, estão os modelos fundacionais. E, na superfície de contato com o usuário, a aplicação — é caso do Amazon Q.

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Na prática, o chatbot da Amazon torna todo esse processo invisível ao eliminar a necessidade de conhecimento técnico para combinar as melhores características dos vários sistemas de IA e até mesmo compreender como funciona a interface.

"Já é uma solução pronta com interface para o usuário, porque o foco do Amazon Q é democratizar a GEN IA", Coqueiro.

Outra característica do Q é que ele nasceu para ser privado. Dessa forma, os dados usados na interação ficam na conta do cliente e não são compartilhados externamente. "Imaginem dois países. Se eu for do governo do Brasil, não vou ver dados do governo do Chile", explica Coqueiro.

O preço do Amazon Q começa em US$ 20 por usuário por mês no plano Business e em US$ 25 no pacote Q Builder. Esse último permite acionar outros recursos, como o assistente automatizado da IA e a possibilidade de enviar mensagens para Slack e Microsoft Teams. Microsoft e Google cobram US$ 30 por mês para seus chatbots corporativos.

*o jornalista viajou a convite da AWS

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