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Nasa começa a 'matar' sondas Voyager; veja 15 melhores fotos da missão

Sondas gêmeas foram lançadas em 1977 e estão ficando sem energia no espaço interestelar - Nasa/JPL Caltech
Sondas gêmeas foram lançadas em 1977 e estão ficando sem energia no espaço interestelar Imagem: Nasa/JPL Caltech

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt*, em São Paulo

24/06/2022 12h13

Pioneiras na ciência e exploração espacial, as sondas Voyager 1 e 2 foram mais longe do que qualquer objeto humano até as bordas do Sistema Solar. Mas chegou a hora de iniciar a despedida dessa jornada pelo Universo, que já dura quase 45 anos.

Há um problema irreversível: a energia delas está acabando. Para economizar o que resta, os cientistas da Nasa, agência espacial dos Estados Unidos, estão desligando seus instrumentos aos poucos. O objetivo é que as duas continuem minimamente vivas por mais alguns anos coletando os principais dados científicos.

"Se tudo correr muito bem, talvez possamos estender as missões até a década de 2030. Depende apenas da energia. Este é o ponto limitante", disse Linda Spilker, cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), à revista Scientific American.

Suas câmeras já haviam sido desligadas em 1990, depois que a Voyager 1 tirou as últimas fotos, conhecidas como "retrato de família do Sistema Solar". Assim, priorizou-se a eletricidade (gerada por plutônio) e a memória do sistema para os instrumentos que analisariam o então desconhecido espaço interestelar.

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Por onde passaram?

As sondas gêmeas foram lançadas em 1977, para explorar planetas exteriores — principalmente Júpiter, Saturno, e suas luas. As fotos que tiraram foram reveladoras e estampam livros escolares até hoje.

Depois, seguiram viagem por caminhos e velocidades diferentes, até cruzarem as fronteiras do Sistema Solar, chegando mais longe da Terra do que qualquer objeto feito por humanos.

Em 2012, a Voyager 1 se tornou a primeira nave a alcançar o espaço interestelar —uma zona caótica fora da "bolha" de influência do Sol, entre as outras estrelas da galáxia.

Em 2018, a Voyager 2 foi a segunda a fazer isso. Um feito que deve demorar décadas para ser repetido por outra missão.

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Trajetória de cada uma das sondas
Imagem: Nasa/JPL Caltech

Expectativa de vida

Previstas para durarem meros quatro anos, elas já superaram em mais de dez vezes as expectativas. Apesar dos efeitos do tempo e da radiação, continuam recebendo comandos e transmitindo dados —os sinais de rádio demoram até 19 horas para chegar aqui.

Hoje, a Voyager 1 está a 23,3 bilhões de quilômetros da Terra, a uma velocidade estimada de 17 km/s. A Voyager 2 está a 19,4 bilhões, a 15,4 km/s. E contando.

A distância e status dos instrumentos podem ser acompanhados na página da missão da Nasa.

Mais imagens pioneiras podem ser conferidas no vídeo:

O que carregam?

Apesar do nome, Voyager 2 foi lançada primeiro (20/8/1977) que Voyager 1 (5/9/1977). São naves exatamente iguais.

A bordo delas há três geradores e 11 instrumentos, operados por computadores primitivos, incluindo uma grande antena, um magnetômetro, espectrômetros e sistemas para medir plasma e raios cósmicos. Alguns pararam de funcionar nos últimos anos.

Cada sonda também leva um "Disco Dourado": um LP com 115 imagens codificadas, saudações em 55 línguas, 12 minutos de sons do nosso planeta e 90 minutos de música. Uma amostra da humanidade e nossa localização para possíveis civilizações extraterrestres.

Depois de "morrerem" e perderem contato com a Terra, elas continuarão atravessando o Universo indefinidamente, passando por outras estrelas. Proxima Centauri deve ser alcançada em 16 mil e 20 mil anos, respectivamente, pela Voyager 1 e Voyager 2.

*Com informações de Scientific American, Insider, Space e Nasa.