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O inverno chegou: veja seis truques da ciência para ficar aquecido em casa

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Imagem: iStock

De Tilt*, em São Paulo

21/06/2022 04h00

O inverno começa no Brasil oficialmente às 6h14 (horário de Brasília) desta terça-feira (21) com chances de geadas no Sul e Sudeste, além de possibilidade de neve em áreas serranas e planaltos também do Sul.

Para você evitar os impactos do frio ao longo do inverno, Tilt destaca a seguir dicas da ciência para você se manter aquecido sem a necessidade de aquecedores e lareiras.

1. Pijama reforçado ou cobertor mais pesado?

Dependendo da escolha, as noites de frio podem ser mais ou menos confortáveis.

Para ficar o mais quente possível na hora de dormir, use uma combinação de pijama e cobertor.

Para ter conforto térmico (ou seja, usar uma quantidade normal de roupas sem sentir frio ou calor demais), opte pelo cobertor.

A explicação para isso está na área da física chamada termodinâmica, que estuda as causas e efeitos de eventos como trocas de calor, variações de temperatura e transformação de energia.

A combinação de pijama e cobertor funciona melhor para aquecer, porque coloca mais superfícies intermediárias entre o seu corpo e o ambiente, diminuindo drasticamente a perda de calor.

Mais quente, porém, não quer dizer mais confortável. Quando a temperatura do "sistema" corpo-agasalho-cobertor aumenta muito, é preciso "ligar" o mecanismo de resfriamento do corpo: o suor. Neste caso, há a sensação de desconforto.

Tirar o cobertor após suar, fará você sentir mais frio de novo, porque a água é um excelente condutor térmico.

Por que isso ocorre?

O corpo humano funciona, basicamente, como uma usina transformadora de energia. Pijama e cobertor funcionam como barreiras que limitam a perda de calor do seu corpo.

"Quando comemos algo, estamos consumindo uma fonte de energia. O nosso corpo a converte em trabalho, que pode ser desde o ato de caminhar até as funções mais básicas do corpo. Uma boa parte dessa energia, que pode chegar a até 70%, acaba sendo desperdiçada na forma de calor", explica Adriano Alencar, professor de Física do Corpo Humano na USP (Universidade de São Paulo).

Há diferentes meios pelos quais o corpo perde calor:

  • Transpiração: o processo de evaporação da água através da pele. Em exercícios intensos, o corpo perde 85% do seu calor pela transpiração;
  • Condução: quando se perde calor por contato com objetos ou substâncias. Em temperaturas do ar abaixo dos 20ºC, o corpo perde cerca de 2% de sua temperatura por meio da condução pelo ar. Outro caso ocorre na água --que, aliás, conduz calor muito melhor do que o ar;
  • Convecção: é a resposta ao movimento natural do ar quente tentando subir e roubando calor do corpo. Normalmente o corpo perde de 10 a 15% de sua temperatura dessa forma;
  • Radiação: é a principal forma, especialmente quando a temperatura do ar está abaixo de 20 ºC. Isso se dá pela emissão de radiação infravermelha, que é responsável por 65% da perda de calor do corpo.

Essa perda de calor não é algo ruim: é fundamental para que o corpo funcione corretamente. A nossa anatomia é "desenhada" para maximizar a eliminação de calor para o ambiente.

"O corpo humano está normalmente acima da temperatura ambiente e isso, por si só, já faz com que ele perca calor todo o tempo. Essa perda de calor também é fundamental para garantir que o corpo se mantenha dentro de um intervalo bem restrito de temperaturas, algo exigido para a manutenção da nossa vida", explica Leandro Russovski Tessler, professor de Física da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

Pijamas e cobertores limitam a perda de calor do corpo ao interromper os processos de evaporação, radiação, condução e convecção. Para isso, utilizam materiais que são maus condutores térmicos, como lã e tecidos sintéticos.

Ao manterem o ar quente próximo do corpo, o processo de convecção também é afetado.

Paralelamente, ter uma superfície intermediária entre você e o ambiente também diminui a eficiência do processo de radiação.

Aquelas mantas forradas com alumínio, usadas em operações de resgate, usam o metal como um condutor térmico e retentor da radiação emitida pelo corpo. Isso funciona bem em situações de frio extremo.

Você pode experimentar em casa: deixe um pedaço de papel alumínio com o lado reflexivo voltado para a sua pele, por alguns minutos, sobre a sua mão. A região deve ficar mais quente do que o resto do corpo.

Sendo assim, pode ser mais confortável para algumas pessoas dormir com poucas camadas de roupa (ou até mesmo sem) e debaixo de um bom cobertor. Assim, a temperatura do "sistema" fica agradável, sem impedir que o corpo realize a troca natural de calor.

2. Cuidado com o "choque térmico"

De acordo com Fábio André Santos Pampolha, médico de família e comunidade do Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), diante de uma variação brusca de temperatura, o corpo reage alterando o calibre dos vasos sanguíneos.

"Isso pode ocasionar desde um leve mal-estar até quadros graves de arritmias cardíacas, alterações pulmonares e metabólicas", explica.

Ainda que isso seja improvável de acontecer na sua casa, uma boa opção —inclusive em termos de conforto— para quem quer aposentar o pijama nas noites frias é manter uma roupa por perto para vestir assim que você sair da cama.

3. Acumule calor quando for possível

Aproveite a luz do Sol ao máximo, abrindo as cortinas e deixando os vidros semiabertos para que o calor aqueça o ambiente e haja circulação de ar. Tome cuidado para que o Sol não encontre obstáculos tais como plantas grandes ou móveis, explica o arquiteto e urbanista Eduardo Pizarro.

Após o pôr do sol, ou ao final da tarde, a dica é fechar as cortinas e vedar bem qualquer fresta de vento para evitar a troca térmica inversa —de quente para frio.

Esse princípio rudimentar de acumular energia é usado há centenas de anos no Ártico para a construção dos iglus, cujas paredes, assim como toda sua estrutura, são feitas de neve.

4. Barre o frio

Se você colocar a mão no vidro da janela perceberá que ele está gelado no final do dia. Então, qualquer obstáculo que puser ali, vai ajudar a manter a temperatura.

"As cortinas blackout funcionam melhor que uma cortina mais fina", afirma João Carlos Lopes Fernandes, professor de engenharia do Instituto Mauá.

Mas existem outras soluções práticas para bloquear frestas: colocar panos secos, fitas adesivas e velcros dupla face entre a janela e as cortinas.

5. Isole as paredes geladas

Nas madrugadas, as paredes voltadas para o exterior do imóvel ficam geladas por causa da umidade relativa do ar, que aumenta e é absorvida.

No quarto, dá para reduzir o contato criando camadas de isolamento térmico.

O uso de cobertores, tapetes felpudos, cortinas pesadas ou, em casos extremos, forrar paredes com livros, quadros ou espelhos evita a difusão de umidade acumulada nas paredes.

Nada do que você colocar no quarto como barreira faz a temperatura aumentar, ressalta o professor, mas evita que o frio entre.

6. Desencoste a cama da parede

Seguindo esta lógica, deixar camas, sofás e mesas muito próximas das paredes, sobretudo se elas forem as paredes externas do imóvel.

A disposição dos imóveis conta. Assim como no calor, em que uma parede exposta o dia todo ao sol tende a deixar os móveis também mais quentes, se esses mesmos móveis ficarem encostados ou perto das paredes em dias no frio, a tendência é que a pessoa também sinta mais frio se estiver neles.

*Com matérias de Rodrigo Lara e Clayton Freitas, em colaboração para Tilt