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Twitter pode obrigar Musk a cumprir acordo avaliado em US$ 44 bilhões?

Elon Musk negocia compra do Twitter - Dado Ruvic/Reuters
Elon Musk negocia compra do Twitter Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Ellen Alves

Colaboração para Tilt*, no Rio de Janeiro

19/05/2022 16h07

O bilionário sul-africano Elon Musk pode ter ressalvas sobre a compra do Twitter, mas a diretoria da empresa está determinada a fechar o acordo de venda avaliado em US$ 44 bilhões (R$ 214 bilhões, na cotação de hoje).

Na terça-feira (17), o conselho administrativo da plataforma afirmou que "está comprometido em concluir a transação no preço e nos termos acordados o mais rápido possível".

A declaração faz parte de um comunicado enviado à imprensa após Musk suspender temporariamente a compra da rede social, alegando que precisa de mais informações sobre contas falsas e de spam na plataforma.

"A diretoria e o Sr. Musk concordaram com uma transação no valor de US$ 54,20 [R$ 264] por ação", diz a nota. "Nós acreditamos que este é o melhor interesse de todos os acionistas. Nós pretendemos fechar a transação e fazer com que o acordo de fusão se cumpra".

Segundo a publicação, o negócio estabelece multa de US$ 1 bilhão (R$ 4,8 bilhões) em caso de desistência. O acordo de compra e venda inclui uma cláusula que permite ao Twitter processar Musk e obrigá-lo a finalizar o contrato, desde que o valor original da proposta permaneça intacto.

Perfis falsos e emoji cocô: o que rolou?

Nos últimos dias, Musk fez uma série de questionamentos à plataforma, anunciou a suspensão temporária da compra e até ironizou Parag Agrawal, presidente-executivo do Twitter, com um emoji de cocô.

Tudo isso por causa dos bots (contas automatizadas que postam, curtem e compartilham) de spam que agem na rede social. O bilionário quer a garantia de que menos de 5% dos perfis na plataforma sejam falsos.

A reação do empresário ocorreu após Agrawal revelar não poder expor uma estimativa como essa, já que a análise usa informações privadas.

"Infelizmente, não acreditamos que essa estimativa específica possa ser divulgada externamente, dada a necessidade crítica de usar informações públicas e privadas (que não podemos compartilhar)", disse Parag Agrawal.

Na visão do presidente-executivo da Tesla, é prejudicial uma informação como essa não estar disponível para anunciantes e investidores, uma vez que não há como eles saberem "o que estão recebendo pelo seu dinheiro".

"Como os anunciantes sabem o que estão recebendo pelo seu dinheiro? Isso é fundamental para a saúde financeira do Twitter", publicou Elon Musk.

Analistas criticam comportamento de Musk

A resposta de Musk ao negócio de compra do Twitter tem sido vista como inapropriada por especialistas do mercado.

O colunista do site Bloomberg, Matt Levine, criticou Musk por tentar impedir o acordo usando números de spam como justificativa dado que o empresário conhecia essas estimativas antes — as informações foram divulgadas há semanas.

"Ele sabia sobre o problema do bot de spam antes de assinar o acordo, porque ele falava sobre isso constantemente, inclusive enquanto anunciava a negociação. Se ele não quisesse comprar o Twitter porque existem bots de spam, ele não deveria ter assinado um contrato para comprar o Twitter", escreveu Levine, em sua coluna intitulada "Elon Musk não se importa com spam bots".

Para o jornalista, é provável que Musk esteja querendo alterar o valor de compra do Twitter por razões de mercado, em meio a um período difícil para a Tesla —a empresa viu suas ações caírem nos últimos dias, principalmente com o anúncio da aquisição da rede social.

"Isso claramente não é permitido pelo acordo que ele assinou: acordos de fusão de empresas públicas trazem riscos de mercado para o comprador, e ele não pode sair só porque as ações caíram", escreveu Levine.

Especialistas acreditam que, ao se apegar à questão das contas falsas, Musk estaria "jogando" para tentar negociar um valor menor.

"Ele quer deixar o negócio sem pagar taxas e voltar com uma proposta de preço menor pela compra do Twitter", diz a jornalista especializada em tecnologia Kara Swisher. "A questão é: será que a SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) permitirá isso?", questionou.

*Com matéria do site ArsTechnica e Guilherme Tagiaroli