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Meteoro que passou pelo Brasil pode ter deixado 200 kg de meteoritos

Colaboração para Tilt, em Florianópolis*

26/01/2022 15h30

O meteoro que passou pelo Brasil no início de janeiro pode ter deixado pelo menos 200 kg de fragmentos pelo solo, os chamados meteoritos. Os cálculos são da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) e do Exoss (projeto colaborativo de ciência cidadã, ligado ao Observatório Nacional). Calcula-se que as rochas espaciais estejam em uma área de 20 km quadrados, entre as cidades mineiras de Araxá, Perdizes e São José da Antinha.

De acordo com os institutos, os fragmentos podem ter caído em uma região com solo com relevo acidentado e vegetação relativamente densa, o que pode dificultar a vida dos caçadores de meteoritos.

O cálculo da quantidade de rochas do espaço é baseado pelo tamanho do bólido (meteoro muito brilhante), que tinha duas toneladas ao entrar na atmosfera.

"Por seu tamanho grande o bastante, com certeza há meteoritos em solo. Estima-se que cerca de 10% da massa total de um bólido atinje o solo. Então pode haver mais de 200 quilos de meteoritos", afirma Carlos Di Pietro, cofundador da Bramon, em entrevista dada a Tilt na última semana.

Mapa de dispersão da Bramon dá ideia de onde meteorito pode ter caído - Reprodução/Bramon/Google Earth - Reprodução/Bramon/Google Earth
Mapa de dispersão da Bramon dá ideia de onde meteorito pode ter caído
Imagem: Reprodução/Bramon/Google Earth

Apesar de imagens de possíveis meteoritos terem viralizado nas redes sociais, inclusive, com a venda em sites de comércio eletrônico, ainda não existe registro oficial de algum achado.

Como identificar se uma pedra é um meteorito?

Caso você queira se aventurar em busca do meteorito, saiba que existem características que ajudam a identificá-lo.

A principal delas é que um meteorito "fresco", recém-caído na Terra, possui uma "casca" escura, com aspecto de carvão, chamada crosta de fusão. Ela se forma quando a rocha atravessa nossa atmosfera em altíssima velocidade, deixando o rastro no céu.

Essa camada externa na rocha é fina, de menos de 1 mm, em geral. Na parte interna, o fragmento, normalmente, é cinza com pequenos pontos escuros ou metálicos. É perceptível o contraste do interior, caso a rocha tenha sido quebrada ao colidir com o solo.

Por outro lado, o meteoro registrado no Brasil, de acordo com a Bramon, pode ser o que os especialistas chamam de "condritos carbonáceos", que resultam em fragmentos escuros também por dentro.

Além disso, como já se passaram alguns dias após o fenômeno, é possível que a crosta de fusão tenha se perdido, o que torna o meteorito muito parecido com qualquer outra rocha comum. A diferença é que costumam se mais pesados, já que são compostos por metais.

Caso você encontre um, é importante registrar exatamente o local em que a rocha foi encontrada — por exemplo, com um pin no Google Maps, a fim de que os cientistas tenham esses dados.

Achou uma rocha que deseja saber se pode ser um meteorito? Então realize o teste abaixo e avise os pesquisadores.

Diagrama ajuda a saber se uma pedra é um meteorito - Reprodução - Reprodução
Diagrama ajuda a saber se uma pedra é um meteorito
Imagem: Reprodução

O fenômeno que ocorreu no Brasil

Os primeiros registros do meteoro ocorreram na região do Triângulo Mineiro na noite de 14 de janeiro. Dados da Bramon apontam que ele viajou sobre a Terra a uma velocidade de 43,7 mil km/h, percorrendo 109,3 km em apenas 9 segundos, desaparecendo a 18,3 km de altitude.

Apesar de os cálculos apontarem para a queda ter ocorrido em Minas Gerais, o clarão no céu pôde ser visto também no Distrito Federal, Goiás e São Paulo.

Relatos de moradores mineiros dizem que ocorreu um forte estrondo, o que reforça a tese de que existem vários fragmentos espalhados.

*Com informações de Letícia Naísa, de Tilt; e Marcella Duarte, em colaboração para Tilt.