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Para proteger o planeta, Nasa quer que satélites surfem asteroides; entenda

Ilustração conceitual do funcionamento da vela solar que se acoplará ao asteroide - Reprodução/Nasa
Ilustração conceitual do funcionamento da vela solar que se acoplará ao asteroide Imagem: Reprodução/Nasa

Gabriel Daros

De Tilt, São Paulo

26/01/2022 04h00

Pouco tempo após o sucesso do posicionamento do telescópio James Webb, a Nasa já está de olho em seu próximo projeto ambicioso: plugar uma espaçonave do tamanho de uma caixa de sapatos em um asteroide para armar velas solares e, tal qual num windsurf espacial, surfar a imensidão do espaço profundo.

É essa a proposta do Near-Earth Asteroid (NEA) Scout, um CubeSat (minisatélite cúbico) de escolta que fará parte da missão não-tripulada Artemis I, da agência espacial estadunidense.

Previsto para março deste ano, a operação carregará uma série de objetivos secundários, inclusive o de colocar uma sonda de reconhecimento em um corpo celeste em movimento — no caso, o asteroide 2020 GE.

Como funciona?

Uma vez no espaço, a Nasa quer que o NEA Scout se propulsione até o ponto de encontro tomando impulso com motores à combustível, e então posicionado, armar suas velas solares de 85 m². A pressão da radiação do sol deve manter a trajetória do CubeSat pelos próximos dois anos, que é quando a agência estima que haverá o contato.

Se tudo der certo, o satélite do tamanho de uma caixa de papelão terá de pousar em uma dimensão extremamente precisa. O 2020 GE possui cerca de 18 m de dimensão — um asteroide pequeno, mas ainda de interesse de estudo dos cientistas.

Fins de proteção

Segundo a Nasa, embora parte do objetivo do NEA Scout seja de estudo, a importância majoritária desta missão está no potencial de defesa.

"Embora grandes asteroides sejam de maior preocupação de um ponto de defesa planetário, objetos como o 2020 GE são muito mais comuns e podem representar uma ameaça a nosso planeta, apesar de seus tamanhos menores", afirma em nota a principal pesquisadora do projeto, a cientista planetária Julie Castillo-Rogez, do Laboratório de Propulsores a Jato. "[O] 2020 GE representa uma classe de asteroide que sabemos muito pouco a respeito."

Para mudar esse panorama, o NEA Scout possui uma câmera alojada em sua estrutura, que irá coletar informações sobre sua superfície de contato — que pode ser tanto rochas sólidas quanto uma amálgama de rochas pequenas e grandes.

Além desta missão, a Nasa planeja utilizar as velas solares em outras duas operações: a Advanced Composite Solar Sail System (ACS3), um teste de formato do meio de condução espacial para outras missões, e a Solar Cruiser (Cruzeiro Solar). Esta última consistirá em outro CubeSat que armará velas solares de 1.672 m² para se direcionar ao sol.