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A missão da SpaceX com civis deixou as de Bezos e de Branson comendo poeira

Inspiration4 da SpaceX: membros da missão Chris Sembroski, Hayley Arceneaux, Jared Isaacman e Sian Proctor (da esq. para dir.) - Inspiration4/John Kraus
Inspiration4 da SpaceX: membros da missão Chris Sembroski, Hayley Arceneaux, Jared Isaacman e Sian Proctor (da esq. para dir.) Imagem: Inspiration4/John Kraus

Letícia Naísa*

De Tilt, em São Paulo

16/09/2021 12h31

Na noite da última quarta-feira (15), a missão Inspiration4, da SpaceX, foi lançada com sucesso. Quatro pessoas amadoras (não astronautas) foram enviadas à órbita da Terra a partir da base do Cabo Canaveral, na Flórida, no foguete Falcon 9.

A missão é considerada um teste para popularização do turismo espacial. Nesta corrida pela conquista do espaço, há uma disputa entre três bilionários: Richard Branson, da Virgin Galactic, Jeff Bezos, ex-presidente executivo da Amazon e fundador da Blue Origin, e Elon Musk, presidente da Tesla e da SpaceX.

O trio já conseguiu colocar suas naves no espaço, mas, na noite de ontem, a da SpaceX voou mais alto (a missão ainda vai durar o total de três dias).

Branson foi o primeiro a colocar lançar seu foguete em 11 de julho ao lado de três passageiros e dois pilotos. A tripulação atingiu 85 km de altitude. Já o voo de Bezos aconteceu no dia 20 de julho. O bilionário decolou acompanhado de mais três civis e sem piloto. A altitude alcançada foi de 107,05 km, segundo a própria Blue Origin.

Há muito debate em torno das conquistas de Bezos e Branson, porque tem quem acredite que eles não chegaram ao espaço de fato. Existe uma marca chamada Linha de Kármán que fica a uma altitude de 100 km acima do nível do mar, que é considerada o limite entre a atmosfera terrestre e o espaço de fato.

Missão Inspiration4  - Divulgação/SpaceX - Divulgação/SpaceX
SpaceX missão Inspiration4 órbita
Imagem: Divulgação/SpaceX

Teoricamente, Bezos ultrapassou essa linha, mas a SpaceX foi muito além e deixou a concorrência a ver navios — ou melhor, estrelas. A Inspiration 4 deverá atingir 575 km de altitude, o que é muito além da Linha de Kármán. A Crew Dragon deverá ultrapassar a ISS (Estação Espacial Internacional) e o telescópio Hubble, que estão a 408 km e 540 km de altitude, respectivamente.

"Poucos já estiveram lá e muitos seguirão. A porta está abrindo, é muito incrível", declarou à AFP o bilionário Jared Isaacman, comandante da missão, no interior da cápsula depois de chegar ao espaço.

Inspiration4 da SpaceX: membros da missão Chris Sembroski, Sian Proctor, Jared Isaacman e Hayley Arceneaux (da esq. para dir.) - Inspiration4/John Kraus - Inspiration4/John Kraus
Inspiration4 da SpaceX: membros da missão Chris Sembroski, Sian Proctor, Jared Isaacman e Hayley Arceneaux (da esq. para dir.)
Imagem: Inspiration4/John Kraus

Além de ir mais longe, os tripulantes passarão três dias na órbita terrestre e darão 15 voltas por dia ao redor do planeta, enquanto Bezos e Branson passaram apenas alguns minutos no espaço.

Os tripulantes poderão desfrutar de uma vista espetacular através de uma cúpula envidraçada instalada pela primeira vez na cápsula Dragon.

Por que é importante?

Empresas privadas e grandes nações estão de olho na indústria espacial. O sonho futurista de viver e trabalhar no espaço, sem precisar ser um astronauta profissional, pode virar realidade com o sucesso da missão Inspiration4.

A SpaceX quer provar que, um dia, viagens espaciais podem ser simples como pegar um avião comercial, para qualquer pessoa.

A cápsula usada nesta quarta foi a Crew Dragon "Resilience", a mesma que levou os astronautas da Crew-1 para a Estação Espacial e retornou em abril — mais um ponto positivo para a tecnologia da empresa, reutilizável e mais barata.

Missões anteriores já enviaram bilionários em voos suborbitais, alguns turistas no ônibus espacial ou até visitantes para a ISS — mas sempre junto com experientes astronautas norte-americanos ou russos. Esta é a primeira unicamente com amadores.

A Inspiration4 também tem um lado filantrópico: Isaacman quer arrecadar US$ 200 milhões para o hospital infantil St. Jude, especializado em pesquisa e tratamento de câncer. Ele próprio doará metade desse valor.

*Com matéria de Fabiana Uchinaka, Marcella Duarte e informações da AFP

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do publicado, quem voou acima da ISS foi a cápsula Crew Dragon.