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Falso comprovante de pagamento é o golpe mais usado no Brasil; previna-se

rupixen.com/ Unsplash
Imagem: rupixen.com/ Unsplash

De Tilt, em São Paulo

05/09/2021 10h00

Com o boom dos pagamentos online, os golpes estão cada vez mais frequentes e diversos, mas é o falso pagamento que lidera e domina a lista de fraudes digitais —corresponde a 42% dos casos, segundo pesquisa que analisou cerca de 20 milhões de contas abertas em plataformas. Na sequência, estão a falsa venda (25%) e o roubo de dados (23%).

No golpe mais utilizado no país, o fraudador elabora um falso comprovante de depósito, com os dados da vítima, e envia por email ou WhatsApp para finalizar uma transação de venda de um produto.

O vendedor acredita que o valor já foi depositado e entrega o produto. Quando percebe o golpe, o golpista já sumiu do mapa: ele já está com o produto em mãos e deixa de responder as mensagens.

O estudo, feito pela OLX, plataforma de compra e venda online, em parceria com a AllowMe, empresa de proteção de identidades digitais, coletou dados de janeiro a junho de 2021. Segundo o levantamento, esse golpe gerou um prejuízo estimado de certa de R$ 6 milhões apenas no 1º semestre deste ano.

O crime costuma acontecer com mais frequência na venda de eletrônicos, que representam 78% dos casos. Celulares aparecem em primeiro lugar (47%), em seguida, videogames (19%) e computadores (13%).

O perfil do fraudador

Os golpistas são extremamente organizados e não atuam sozinhos. Na verdade, eles participam de associações criminosas, que se organizam em rede, para criar contas falsas a partir de dados de pessoas de verdade.

Os fraudadores buscam atrair o maior número de vítimas por meio de anúncios, muitas vezes com abordagens realistas.

Há uma ideia de que as atividades cibernéticas criminosas estão associadas à deep web —parte da internet que não é indexada pelos mecanismos de busca como o Google, por exemplo— com navegador Tor, recurso utilizado nessa parte da web. Contudo, a pesquisa mostra que esse argumento não é tão assertivo assim: a cada 10 mil contas falsas criadas, apenas uma é feita a partir do Tor (0,01%) e 14 utilizam caixas de e-mail temporárias (0,14%).

Por outro lado, a relação de emails válidos, que vazaram recentemente, é muito superior. Se considerarmos uma amostra de mais de 10 mil contas falsas, 173 foram abertas fazendo uso de emails comprometidos.

Outro mito é em relação ao horário. Três em cada quatro atividades criminosas ocorrem entre meio-dia e meia-noite. A madrugada, período do dia que muitas pessoas acreditam que os golpes costumam acontecer, corresponde a somente 18%.

Como se prevenir?

Tanto Gustavo Monteiro, diretor geral do AllowMe, quanto Beatriz Soares, diretora de produto e operações da OLX, usaram os dados da pequisa para reforçar o papel dos internautas no reforço à segurança digital.

"Mesmo com maior investimento por parte das empresas nas soluções de segurança e a tecnologia como uma aliada nos modelos de prevenção de fraudes, os fraudadores atuam principalmente na falta de conhecimento dos usuários sobre os processos de compra e venda eletrônica para aplicar a engenharia social e enganá-los", ressaltou ela.

Já Monteiro aponta que os principais players do mercado investem em soluções de alta tecnologia para detectar e barrar atividades suspeitas, mas os usuários precisam ficar ligados. "Seja em relação a promoções extremamente irrecusáveis em troca de dados cadastrais ou na hora de efetuar um pagamento (por boleto, cartão de crédito, transferência bancária ou PIX)", diz.

Veja os que eles sugerem para você evitar cair em fraudes:

Evitar aplicativos de mensagem

O ideal, segundo as empresas, é negociar sempre pelos chats das plataformas de compra e venda. Isso porque os fraudadores preferem ambientes digitais em que não poderão ser rastreados.

Confirme o depósito pelo aplicativo do banco

Hoje em dia, é possível conferir seu extrato com facilidade. Use esse recurso para se prevenir de furadas.

Entrega do produto após confirmação do pagamento

Essa dica é fundamental. Só entregue o produto após ter certeza que recebeu o pagamento.

Desconfie dos compradores apressados

Segundo o estudo, essa é uma velha tática utilizada para que a pessoa entregue o produto antes da confirmação do pagamento. Siga o processo com calma.

E-mails

E-mails oficiais da empresa normalmente usam o nome da marca e não informações genéricas.

Vale a pena verificar também o domínio: empresas não costumam usar domínios de emails gratuitos, como Hotmail e Gmail, por exemplo.

WhatsApp verificado

Empresas também costumam ter o WhatsApp verificado, garantindo mais segurança ao processo de comunicação. Então, se não tiver o selo, fique com pé atrás.