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Como brasileiros ajudaram a acharam novos exoplanetas com dados da Nasa

Carlos Madeiro

Colaboração para Tilt, em Maceió

09/02/2021 04h00

Tem brasileiro por trás da descoberta de um exoplaneta a 250 anos-luz da Terra, que vai ajudar os cientistas a entender questões primordiais do nosso Sistema Solar. Batizado TOI-257b, ele foi encontrado por uma equipe que incluiu cientistas do Departamento de Física da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Eles publicaram a descoberta, que envolveu 94 pesquisadores do mundo todo, na tradicional revista de astronomia britânica "Monthly Notices of the Royal Astronomical Society" no final de dezembro.

O estudo desses exoplanetas (um planeta que fica fora do Sistema Solar) guia as teorias da formação planetária e explica a formação do nosso sistema planetário. O TOI-257b, que é quente e maior que Netuno e menor que Saturno, pode explicar porque um corpo celeste como este se forma longe do nosso Sol.

Este foi o segundo exoplaneta descoberto com participação do grupo da UFRN, usando dados do Tess (Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito, na sigla em inglês) da Nasa, a agência espacial norte-americana. Em 2019, o grupo anunciou o exoplaneta do tipo "Saturno quente", o TOI 197b.

Em janeiro, a missão Tess entregou a grupos de pesquisadores um total de 1.604 objetos candidatos a planetas, e a análise dos cientistas resultou em 37 descobertas confirmadas pelo mundo. O grupo de exoplanetas do Departamento de Física da UFRN é, atualmente, o único brasileiro diretamente envolvido.

Segundo o astrônomo José Dias do Nascimento Júnior, o TOI-257b deve ser gasoso, por conta da sua baixa densidade —a massa dele é 40 vezes maior que a da Terra e o volume, quase 350 vezes o do nosso planeta. A temperatura das nuvens chega a impressionantes 1.300°C.

O exoplaneta TOI-257b - TESS/Nasa - TESS/Nasa
O exoplaneta TOI-257b
Imagem: TESS/Nasa

"Esses planetas gigantes mudam um pouco o que entendemos como planeta habitável, porque são gasosos e não deveriam estar tão próximos da estrela. É uma coisa bastante peculiar", pontua Dias. "Os teóricos estão trabalhando para tentar encaixar essas novas observações nas teorias existentes, ou em novas teorias", diz.

Tal descoberta pode alterar o que se pensa sobre a formação do Sistema Solar. "A falta de tais planetas em nosso próprio sistema provavelmente se deve a três possibilidades: acaso, acidente ou algum princípio físico excludente. É neste ponto que estamos: decidir entre essas três", conta o astrônomo.

Os cientistas também caracterizam a estrela hospedeira do novo planeta, usando sismologia estelar (técnica que analisa espectros de frequências da energia das estrelas). "Isso coloca esse sistema entre os poucos que possuem uma caracterização muito precisa", comenta Leandro de Almeida, aluno do doutorado da UFRN e coautor da descoberta.