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Cientistas podem ter descoberto o primeiro planeta fora da Via Láctea

Apelidado de M51-ULS-1b, ele seria levemente menor do que Saturno - Nasa
Apelidado de M51-ULS-1b, ele seria levemente menor do que Saturno Imagem: Nasa

Marcelle Duarte

Colaboração para Tilt

26/09/2020 11h40

Já sabemos que nossa galáxia, a Via Láctea, é repleta de planetas, talvez bilhões deles. Mas astrônomos podem ter encontrado algo inédito: o primeiro planeta em uma outra galáxia.

Os cientistas localizaram evidências de um objeto com dimensões planetárias, orbitando um sistema binário de estrelas na galáxia espiral M51, conhecida como 'Whirlpool' ou 'Rodamoinho'. Um sinal importante do que pode vir a ser realmente um planeta.

Apelidado de M51-ULS-1b, ele seria levemente menor do que Saturno, e também pode tratar-se de um gigante gasoso. Ele foi visto passando na frente de uma das estrelas - a 23 milhões de anos-luz da Terra, entre as constelações Ursa Maior e Cães de Caça.

A observação foi possível graças a uma condição especial: este sistema é composto por um buraco negro devorando uma enorme estrela próxima. Com a queima da poeira estelar, é liberada grande quantidade de energia. É uma das fontes mais brilhantes de raios-X na galáxia de Whirlpool— cerca de um milhão de vezes mais brilhante do que o Sol.

Pesquisadores localizaram evidências de um objeto com dimensões planetárias orbitando na galáxia espiral M51, conhecida como ‘Whirlpool’ ou ‘Rodamoinho’ - Reprodução - Reprodução
Pesquisadores localizaram evidências de um objeto com dimensões planetárias orbitando na galáxia espiral M51, conhecida como ‘Whirlpool’ ou ‘Rodamoinho’
Imagem: Reprodução

O estudo foi publicado na semana passada, pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, por uma equipe liderada por Rosanne Di Stefano, do Centro de Astrofísica de Harvard-Smithsonian. As imagens foram captadas pelo Observatório de raios-X Chandra, um telescópio espacial da Nasa, em 2012.

A notícia é empolgante, mas ainda está longe de ser confirmada. Se realmente for um planeta extragaláctico (fora da Via Láctea), pode demorar décadas para que a gente o veja novamente (a translação de Saturno em volta do Sol, por exemplo, demora quase 30 anos).

Desde 1992, foram descobertos 4.330 exoplanetas (planetas fora do Sistema Solar), em 3.200 sistemas diferentes da Via Láctea. Ao longo dos anos, também foram detectados alguns sinais de planetas em outras galáxias, em geral por análises gravitacionais, mas nenhum deles foi confirmado— esta evidência na M51 é a mais forte até hoje.

Como as outras galáxias são muito distantes e as estrelas estão concentradas em uma região percentualmente pequena do espaço, é difícil identificar, daqui a Terra, cada uma delas— e muito menos possíveis planetas a seu redor, que têm pouco brilho.

De acordo com os pesquisadores, agora que descobriram este primeiro candidato, é possível que logo surjam outros, utilizando as imagens do Chandra.

"Os arquivos contêm dados suficientes para conduzir pesquisas comparáveis às nossas mais de dez vezes. Portanto, antecipamos a descoberta de mais de uma dúzia de planetas extragalácticos adicionais em órbitas amplas", declarou a equipe, que segue analisando e coletando dados.

A Via Láctea pode ter até 400 bilhões de estrelas, e estima-se que 7% delas sejam da classe G - anãs amarelas como o nosso Sol. Pesquisas indicam que, orbitando essas estrelas, possa haver 40 bilhões de planetas, um terço deles parecidos com a Terra e potencialmente habitáveis, apenas em nossa galáxia.