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Bem conservado? Estudo calcula que núcleo da Terra tem um bilhão de anos

@Stationcdrkelly/Nasa
Imagem: @Stationcdrkelly/Nasa

De Tilt, em São Paulo

30/08/2020 18h13

Uma pesquisa nova da Universidade do Texas (EUA) foi a mais recente a tentar calcular a idade do núcleo sólido interno da Terra. E a idade dessa criança agora é estimada em apenas um bilhão de anos.

As estimativas anteriores do tempo de vida desse núcleo —uma bola de ferro de 2.442 quilômetros— variavam de meio bilhão de anos a mais de 4 bilhões de anos. O planeta Terra como um todo teria 4,5 bilhões de anos. Os pesquisadores anunciaram a descoberta em 13 de agosto na revista Physical Review Letters.

Os pesquisadores espremeram um minúsculo pedaço de ferro entre dois diamantes e o explodiram com lasers para recriar as condições do núcleo em uma escala minúscula. Com isso, chegaram a uma nova estimativa de 1 bilhão a 1,3 bilhão de anos.

Esse intervalo de tempo foi mensurado com o valor da quantidade de energia perdida no experimento. O conhecimento dessa taxa permitiu calcular quanto tempo levaria para obter uma massa sólida de ferro do tamanho do núcleo atual do planeta.

O resultado sugere que o núcleo da Terra é "na verdade relativamente jovem", disse o autor do estudo Jung-Fu Lin, geocientista da Universidade do Texas.

Uma viagem hipotética ao centro do planeta seria como mergulhar em um bolo recheado com várias camadas:

  • Nos primeiros 5 km de viagem cruzaríamos com rochas sedimentares;
  • Depois há rochas cristalinas da crosta terrestre, compostas por minerais ricos em sílica e alumínio;
  • Reservas de água, gás e petróleo;
  • O manto terrestre, que é a camada mais espessa, com um bolsão de magma seguido de rochas metamórficas ricas em ferro e magnésio;
  • Núcleo externo da Terra, composto por ferro e níquel em estado líquido;
  • Núcleo interno, uma massa sólida composta por ferro, níquel e enxofre.

Este núcleo interno está crescendo lentamente à medida que o ferro líquido no núcleo esfria e cristaliza. Isso por sua vez energiza a agitação do núcleo externo e líquido, e com isso cria o campo magnético da Terra —incluindo os pólos Norte e Sul— e ajuda a proteger o planeta da radiação cósmica. Por isso é importante conhecer a natureza desse "ímã gigante".