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Empresa tem meta incomum contra o aquecimento: acabar com arrotos de vacas

Reprodução/Twitter @hallaboutafrica
Imagem: Reprodução/Twitter @hallaboutafrica

Ana Prado

Colaboração para Tilt

20/08/2020 14h56

Pouca gente lembra que o gado é um dos grandes responsáveis pela emissão de gases de efeito estufa na atmosfera. O metano, um desses gases ruins para a atmosfera, é liberado em grande quantidade pelas vacas, especialmente na forma de flatos e arrotos. Mas a Symbrosia, uma startup dos Estados Unidos, quer amenizar o problema sem que as pessoas necessariamente parem de comer carne.

A solução, para os empreendedores, está em incluir a alga marinha Asparagopsis taxiformis na dieta dos animais para inibir a produção de metano em seu estômago. Pesquisadores da Universidade Penn State descobriram que substituir apenas 0,5% da ração do gado por um suplemento com a alga pode reduzir até 80% das emissões.

Pode parecer pouco, mas é preciso lembrar que há no mundo mais de 1,4 bilhão de cabeças de gado e esses animais consomem uma enorme quantidade de comida. "A questão é conseguir fornecer o volume necessário de algas para pelo menos começar a atacar o problema", explicou Alexia Akbay, uma das fundadoras e executiva-chefe da empresa, ao site Digital Trends.

Embora o dióxido de carbono (CO2) produzido pela queima de combustíveis fósseis e queimadas das florestas esteja presente na atmosfera em maior quantidade e possa permanecer nela por mais tempo, o gás metano é muito mais potente para reter o calor no planeta. Daí a importância de controlar os gases dos bovinos.

Hoje, a alga Asparagopsis taxiformis pode ser encontrada em parte da Ásia e Austrália, bem como no sul da Califórnia, Florida Keys e Havaí, onde a startup está conduzindo o seu projeto piloto. O desafio neste momento é encontrar maneiras de aumentar a produção de forma sustentável e lucrativa. Por ser uma espécie potencialmente invasora, ela não pode simplesmente ser introduzida em um novo ambiente.

Pode parecer complicado, mas Akbay está animada. "Eu realmente gostaria de encorajar as pessoas a começarem a trabalhar em soluções mais difíceis", defende.