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Pergunta pro Jokura

Cara de um, focinho do outro? Como os animais reconhecem seus filhotes

Siggy Nowak/ Pixabay
Imagem: Siggy Nowak/ Pixabay
Tiago Jokura

Tiago Jokura é jornalista e, portanto, curioso profissional. Passou os últimos 15 anos respondendo as dúvidas mais complexas e inusitadas dos leitores na mídia impressa ? na tentativa infinita de explicar como o mundo funciona com clareza e bom humor. Agora, continua essa saga aqui no UOL. Mande sua pergunta cabeluda que ele faz questão de pentear.

17/08/2020 04h00

Pergunta de Daniel Jokura, de São Paulo (SP) - quer enviar uma pergunta também? Clique aqui

Filhote, seguinte: entre as espécies que mantêm um vínculo familiar entre os indivíduos, cada uma tem sua estratégia (ou uma mistura delas). Entre reconhecimento pela visão, pelo odor, pelo tato e pelo som, este último é o que faz mais barulho entre os cientistas —talvez por ser mais fácil de testar. Há inúmeras pesquisas sobre como animais identificam diferentes membros do grupo pelos sons particulares que eles emitem.

Entre as cabras, o cheiro é uma importante marca de identidade, mas o ouvido também é um importante aliado das mamães para saber quem são suas crias. Pesquisadores da Universidade Queen Mary, em Londres, gravaram o choro de nove cabritinhos com cinco semanas de vida e arquivaram os registros. Num período que variou entre sete e 13 meses após esses filhotes terem sido desmamados e separados das mães, os cientistas reproduziram as gravações em meio a choros de outros bebês. As cabras prestavam mais atenção quando ouviam os filhos.

Aves como o pinguim-imperador, que se aglomeram em colônias de até dezenas de milhares de indivíduos (lembra do filme "A Marcha dos Pinguins"?), também são capazes de se identificar por meio da voz —filhotes inclusos, claro.

Voltando aos mamíferos, estudos feitos com 22 saguis-cabeça-de-algodão demonstraram que pais, filhos e outros familiares sabem quem é quem mesmo depois de mais de quatro anos e meio vivendo separados. Tudo na base do gogó.

Há ainda outros animais capazes de reconhecer indivíduos da mesma espécie pelo som emitido, de elefantes marinhos (que sabem diferenciar ritmos e timbres) a morcegos (Megaderma lyra). Embora essas pesquisas tenham sido focadas na interação entre adultos, é lógico inferir que mães e pais saibam quem são seus filhos, e vice-versa, pela voz. No vídeo a seguir dá para ouvir a "conversa" entre um elefantinho marinho e sua mãe.

Assim como a estratégia de reconhecimento mútuo entre membros de uma mesma família de animais é variada (estudos com cães indicam reconhecimento entre pais e filhos pelo cheiro), também há bichos tão inaptos para reconhecer os parentes que são enganados por filhotes de outras espécies. Mas esse é um papo para outra oportunidade...

Fontes: Artigos - Mother goats do not forget their kids' calls; Penguins use the two-voice system to recognize each other; Long-term Memory for Calls of Relatives in Cotton-top Tamarins (Saguinus oedipus); Northern Elephant Seals Memorize the Rhythm and Timbre of Their Rivals' Voices; Perception of individuality in bat vocal communication: discrimination between, or recognition of, interaction partners?; Long-term retention of kinship recognition established during infancy in the domestic dog.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.