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Brasileiros estão matando o telefone fixo e preferindo celular pós-pago

Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

04/08/2020 04h00

Cada vez menos os brasileiros contratam e usam linhas de telefonia fixa. Um levantamento recente do site Melhor Plano mostrou que, em 12 meses, 4,1 milhões de linhas do tipo foram canceladas no país. Isso corresponde a cerca de 11% de queda no número total de telefones fixos no Brasil durante o período.

A fonte dos dados é a Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações). Em maio deste ano, o total de linhas do tipo no país era de 31,7 milhões, contra 35,8 milhões em maio de 2019. No mesmo período, as linhas móveis foram de 228,6 milhões a 225,3 milhões —houve queda, mas apenas de 1,4%.

As linhas móveis cresceram de maneira significativa na última década, indo de 202 milhões no início da década até 228,6 milhões (13,1% de crescimento), de acordo com os dados de maio da Anatel.

O número de telefones fixos se manteve estável nesse intervalo de tempo, mas obteve queda nos últimos anos. O número de pré-pagos era de 42,1 milhões no final de 2010, atingiu 44 milhões em dezembro de 2014 e em maio deste ano, chegou a 31,7 milhões. Portanto, houve uma redução de 24,7% em quase dez anos.

Uma causa disso é a maturação do mercado, com mudanças de hábitos dos usuários. Um comportamento em desuso, por exemplo, é o de ter vários chips pré-pagos de operadoras diferentes ao mesmo tempo para aproveitar promoções ou ligações mais baratas de acordo com a operadora de quem vai receber a chamada.

"Deixamos o telefone fixo em 2016 por diversos motivos, mas o principal é a mobilidade, já que a gente só usava quando estava em casa. No fim, pagávamos uma média de R$ 50 por mês para sequer usar o serviço", explica a analista de recursos humanos Gabriela Nakamura.

Outro ponto destacado por Nakamura é a quantidade de ligações de telemarketing recebidas na linha fixa. "Não sentimos falta alguma do telefone fixo. Moramos em três pessoas aqui em casa, temos celulares pré e pós-pago e tudo funciona bem. Fora que as operadoras hoje em dia têm pacotes de ligações que compensam, então não vejo fundamento em ter um fixo. Não quero nem de graça", diz.

Ainda há resistência

Apesar de esta postura ser uma tendência, a queda nas linhas fixas ocorrem de maneira muito mais suave do que o crescimento das linhas móveis. Um dos motivos para isso, segundo os analistas do Melhor Plano, está no fato de que a telefonia fixa ainda é um serviço tradicional e muito usado por empresas.

"A queda poderia ser bem maior se não fossem os incentivos das operadoras nos planos combo residenciais, que são atraentes nos primeiros meses. Na cidade de São Paulo, foi observado um desconto de até 50% no valor da mensalidade do fixo quando contratado em um pacote combo", afirma o cofundador do Melhor Plano, Pedro Israel.

Há também pessoas que mantêm uma linha física por hábito ou por força maior. É o caso da família da cozinheira Bianca Elascar Barros. "Nós ainda temos uma linha de telefone fixo em casa porque ela é a única forma de nos comunicarmos com a minha avó quando saímos, já que ela não sabe mexer em celular", explica.

Fora esse motivo, a família já pensou em abandonar a linha fixa, já que o celular é mais prático para manter contato com as pessoas, além de ser mais econômico.

"Para piorar, com essa pandemia temos usado ainda menos essa linha. No fim, ela só é usada quando há alguma ligação de telemarketing ou aquelas ligações de cobrança por engano", lamenta.

Pós em alta, pré em baixa

Outra tendência verificada pelo levantamento do Melhor Plano é a queda de linhas pré-pagas, enquanto o número de linhas pós-pagas tiveram movimento oposto.

Entre março de 2015 e abril de 2020, a Anatel registrou queda de 46,65% na quantidade de linhas pré-pagas ativas —de 213 milhões de linhas em março de 2015 a 114 milhões em abril deste ano.

Enquanto isso, os assinantes de planos pós-pago —o que inclui a modalidade "controle"— cresceram de maneira sustentada, de 70 milhões em 2015 a 49,2 milhões em maio deste ano —uma queda de 29,7% no período. Atualmente, os pré-pagos ainda são uma pequena maioria: 50,71% do total de linhas no Brasil, contra 49,29% dos pós-pagos.

"Entre as razões para os consumidores migrarem dos planos pré para os pós está o melhor custo-benefício e o aumento do uso de internet móvel entre a população. Para quem usa com frequência redes sociais, assiste a vídeos e joga online, os planos pós-pagos e controle tendem a ser mais vantajosos por oferecerem uma franquia de dados maior", diz Israel.

Um dos maiores vilões dos pré-pagos é o custo-benefício do pacote de dados. Para mostrar isso, o Melhor Plano analisou o custo por gigabyte de três planos de cada uma das quatro principais operadoras de celulares brasileiras: Vivo, TIM, Claro e Oi.

No caso dos planos pós-pagos, o custo médio por GB foi de R$ 4,94; na modalidade controle, R$ 7,56; e nos pré-pagos, R$ 8.

"Os pré-pagos que renovam mensalmente oferecem um bom custo-benefício, mas eles não oferecem uma grande franquia de dados no mês e o consumidor precisa ter créditos no momento da renovação automática. Se o usuário esquecer de recarregar seus créditos, terá seus serviços interrompidos até que consiga renovar o plano", reforça Israel.

Outro problema aqui é o preço da recarga para quem consome toda a franquia de dados. O levantamento do Melhor Plano considerou 12 pacotes de recarga —três em cada uma das quatro operadoras, indo da opção mais econômica à mais completa. O custo médio por GB de todos esses pacotes foi de R$ 31,70.

"As desvantagens do pré-pago ficam evidentes à medida que o consumidor faz uso contínuo da internet móvel. O preço por GB da recarga nas principais operadoras chega a ser cinco vezes mais caro do que o preço por GB nos planos mensais. No final, pode sair bem desvantajoso para o bolso do usuário", conclui Israel.