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Cometa Neowise é registrado por todo o Brasil; veja as fotos

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

26/07/2020 15h31Atualizada em 28/07/2020 12h57

O cometa Neowise está visível pelos céus do Brasil desde o início da semana. O espetáculo não é tão intenso quanto no hemisfério Norte, mas nossos fotógrafos têm feitos belos registros país a fora.

A olho nu é muito difícil ver o cometa por aqui. Ele aparece apenas como uma estrela mais borrada, uma manchinha nebulosa no céu, mas é preciso estar em um lugar com o horizonte limpo, mais elevado e sem poluição atmosférica ou luminosa. E saber exatamente para onde olhar.

Um software ou app de observação dos céus (como o Skywalk, Starchart ou Stellarium) pode te ajudar a encontrar essa posição. Como o cometa não está tão brilhante, um binóculo astronômico ou de longo alcance é um grande aliado ­­—com especificações 7x50 ou 10x50 (ampliação x diâmetro da lente), pelo menos.

Apenas em cidades longe dos centros urbanos, de preferência mais ao Norte do país, talvez seja possível observá-lo sem ajuda de aparatos. De acordo com as previsões, o Neowise será potencialmente visível no Brasil até a próxima quinta-feira (30).

Importante: um cometa se move bem devagar. Do nosso ponto de vista, ele parece que está parado; não cruza o céu deixando um rastro de luz —tem muita gente confundindo aviões com cometas ou meteoros.

cometa - Beto Bellini - Beto Bellini
Cometa Neowise clicado em Boa Vista, Roraima
Imagem: Beto Bellini

Primeiros registros

As primeiras fotos brasileiras vieram da região Norte, que teve uma posição privilegiada na trajetória. O publicitário Beto Bellini, de Roraima, conseguiu belos registros, que exibem bem a cauda do cometa.

"Na segunda-feira, dia 20, a turma do CAC [Clube de Astronomia e Ciência de Roraima] conseguiu fazer talvez os primeiros registros do Neowise no Brasil. Tivemos muita sorte, porque, apesar do tempo nublado, as nuvens deram uma trégua e pudemos ter uma janela relativamente longa de observação. Temos imagens a partir das 18h40 até mais ou menos as 20h. E na sexta-feira conseguimos repetir o feito", contou.

"A emoção de ver o Neowise na tela da câmera nas primeiras fotos que fizemos é indescritível e levarei para o resto da vida como lembrança. Um cometa com essa magnitude e beleza não aparece a todo instante, não é mesmo? O último que vi a olho nu foi o Halle Bop, em 1997. Registrar o Neowise eu considero um prêmio à nossa persistência e amor em olhar para o céu e admirar toda a beleza do universo", disse Bellini.

cometa - Chico Rasta - Chico Rasta
22.jul.2020 - No Piauí, o fotógrafo Chico Rasta fez lindas fotos no litoral do Piauí
Imagem: Chico Rasta

cometa - Chico Rasta - Chico Rasta
22.jul.2020 - Cometa visto do ponto conhecido como "árvore penteada", em Luís Correia (PI)
Imagem: Chico Rasta

A região Nordeste também foi palco para belas imagens. No Piauí, o fotógrafo Chico Rasta fez lindas fotos na praia da Pedra do Sal, em Parnaíba, e no ponto conhecido como "árvore penteada", em Luís Correia, também no litoral do estado.

"Eu sou apaixonado pelo céu noturno, faço astrofografia, e aguardava ansioso pela passagem do Neowise por esse lado do hemisfério. Desde o último domingo, vinha esperando as melhores condições para registrá-lo, mas a maioria dos dias estava bastante nublado. Até que, na quarta e na sexta, fui presenteado com esse céu incrivelmente lindo. Fico imensamente contente e honrado por mais uma vez ter sido janela para que mais pessoas, que não tiveram a mesma chance de presenciar esse momento, pudessem ter o prazer de olhá-lo", disse Chico.

De Conceição do Coité, na Bahia, veio uma imagem com a cara do Brasil: um pé de mandacaru, em primeiro plano, com o cometa brilhando por entre seus galhos. O autor é Alexsandro Mota, fundador do projeto Mistérios do Espaço.

cometa - Alexsandro Mota - Alexsandro Mota
Cometa Neowise passando atrás de um mandacaru, em Conceição do Coité (BA)
Imagem: Alexsandro Mota

"Registrar o cometa foi um verdadeiro desafio, já que estamos passando por uma época muito chuvosa no Nordeste. Em uma breve abertura de apenas 2 minutos, consegui fazer fotos do Neowise. Foi uma noite inesquecível. A minha ideia desde o começo foi representar o Nordeste de alguma forma. Usei a planta símbolo da região para compor o cenário. O cometa está sendo registrado em todos os lugares, só faltava algo genuinamente brasileiro", relata Mota.

Da cidade de Taperoá, na Paraíba, Felipe Sérvulo, ficou surpreso, pois só esperava conseguir fotografar um cometa em 2062, quando o Halley volta a nos visitar. "A sensação de capturar uma imagem de um corpo celeste que só passará por aqui daqui a 6.800 anos é indescritível. Utilizei a lua como referência e a constelação da Ursa Maior. O Neowise estava próximo das 'patas traseiras' da ursa. Fiz várias fotos de longa exposição, que é uma das técnicas utilizadas por astrofotógrafos, pois consegue capturar mais luz e objetos invisíveis ao olho humano. Para capturar o cometa mais de perto, usei 10 segundos de exposição e uma abertura grande", conta.

cometa - Felipe Sérvulo - Felipe Sérvulo
Em Taperoa, na Paraíba, um registro do cometa Neowise
Imagem: Felipe Sérvulo

Do Sudeste, os primeiros registros foram conseguidos apenas na sexta-feira, quando o cometa passou a aparecer por lá. Na região, porém, o brilho está ainda menos intenso e ele está mais perto do horizonte, o que dificulta a observação. Ainda assim, rendeu boas imagens por Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo.

cometa - Cristian Dimitrius - Cristian Dimitrius
Na Serra da Mantiqueira, o cometa rendeu cliques incríveis
Imagem: Cristian Dimitrius

O Neowise está se apagando e afastando aos poucos, desaparecendo no Sistema Solar adentro. E só visitará a Terra novamente daqui a 6.765 anos ­—período de sua órbita ao redor do Sol.

Como ver?

O cometa está aparecendo todos os dias logo após o pôr do sol, por volta das 18h30. É preciso olhar para a direção noroeste, à direita de onde o sol se pôs, perto do horizonte.

Para quem já é familiarizado com o céu noturno, o cometa estará entre as constelações de Leão e da Ursa Maior, abaixo da Cabeleira da Berenice. Essas constelações não estarão visíveis a olho nu por aqui (a Ursa Maior é uma espécie de Cruzeiro do Sul do Hemisfério Norte), então use um app para localizá-las.

Você também pode achar a estrela Arcturus, da constelação do Boieiro, que é bem brilhante. Ela é uma ótima referência para que você construa um triângulo imaginário: trace uma linha reta entre ela e a Lua, que estão mais altas no céu, e desça a ponta de um triângulo até o horizonte, no meio das duas —o cometa deve estar nessa região.

No início de agosto, ele continuará passando pelos nossos céus, mas só conseguirá ser visto com a ajuda de telescópios.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que estava escrito no depoimento de um dos entrevistados, o cometa Halle Bop passou pela Terra em 1997, e não em 1985. O texto foi corrigido.