PUBLICIDADE
Topo

É a luz que guia seu computador: descubra como funciona o mouse óptico

Rodrigo Lara

Colaboração para Tilt

02/07/2020 04h00

Quem trabalha (e até mesmo quem joga) usando um computador provavelmente conta com o auxílio de um mouse. Esta invenção da década de 1940, que inseria dados de radares de controle de tiro para a Marinha Britânica, evoluiu para o ponto em que só precisa de uma luz para funcionar. É o mouse óptico, tão presente em nossas vidas.

Os primeiros protótipos do que viria a ser um mouse são da década de 1960, mas o aparelho ficou mais comum com a popularização dos PCs. O conceito usava uma bola que girava sensores, o que se refletia na movimentação do cursor na tela.

Até que no final dos anos 1990, a Microsoft lançou o IntelliMouse, creditado como o primeiro mouse óptico do mercado. A novidade é que a famosa bolinha dava lugar de vez a um sistema que usava a luz a para se guiar e que é o padrão até hoje.

mouse - a tecnologia por trás
Imagem: Guilherme Zamarioli/UOL

O mouse óptico que você tem do lado do computador nada mais é do que uma câmera. Não, você não leu errado: o princípio básico de funcionamento dele é similar ao de uma câmera digital.

Os mouses mais simples contam com um LED na parte inferior —em alguns modelos mais avançados, pode ser um laser. Ela serve para iluminar a superfície abaixo do mouse, e alimenta um sensor optoeletrônico que registra centenas de imagens por segundo.

Essas pequenas fotos são enviadas para um dispositivo chamado Processador de Sinais Digitais (DSP), que compara cada uma das imagens com a anterior e calcula o deslocamento do mouse, determinando os componentes vertical e horizontal dessa movimentação.

Essa informação, então, é enviada ao computador —seja por conexão USB ou Bluetooth—, onde é refletida por meio da movimentação do cursor na tela.

Por que o mouse óptico é melhor do que o mecânico?

Um dos principais motivos diz respeito à manutenção. Nos antigos mouses "de bolinha", era preciso fazer uma manutenção periódica, limpando tanto a bola quanto as demais partes mecânicas, que não funcionavam corretamente quando havia poeira nelas. Além disso, por contar com partes móveis sujeitas a danos, a vida útil dos antigos mouses era menor.

Outro ponto a favor dos mouses ópticos é a precisão, já que a "câmera" usada para detectar o movimento desses aparelhos tem uma resolução maior do que os sensores mecânicos dos modelos antigos.

Por que existem mouses ópticos mais precisos do que outros?

Isso tem a ver com a resolução da "câmera" usada no aparelho. Com sensores melhores, aumenta também a capacidade de detecção de pontos por polegada (os famosos "dpi").

O tipo de tecnologia usado para a iluminação de superfícies também influencia nesse quesito. Mouses que utilizam laser costumam ser mais precisos. De maneira geral, periféricos mais comuns e de uso popular são capazes de detectar 3.000 dpi. Já os modelos mais avançados, com sensor melhor e iluminados a laser, detectam 15.000 dpi ou mais.

Mouse óptico funciona em qualquer superfície?

No caso dos modelos que usam LED, não. Isso porque eles são capazes de detectar padrões de imagem (e rastrear o movimento) apenas na superfície onde são colocados, o que faz com que eles não funcionem corretamente quando usados sobre superfícies muito brilhantes, com rugosidades ou, ainda, sobre vidros.

Já os que usam laser não têm esse problema porque esse tipo de iluminação consegue penetrar um pouco abaixo da superfície, o que permite captar mais detalhes.

A luz emitida pelo mouse óptico pode causar danos à saúde?

Não. Tanto os modelos que usam LED quanto os a laser são completamente inofensivos. No primeiro caso, a luz emitida não é intensa e isso significa que não há risco de danos à pele ou aos olhos. Já nos modelos com laser, o tipo de luz é o de Classe 1, sem intensidade para causar danos.

Fontes:

Marcelo Parada, professor do departamento de Engenharia Elétrica da FEI

Carlos Fernando Teodósio, coordenador do curso de Engenharia Eletrônica e de Computação da Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Poli-UFRJ)

Toda quinta, Tilt mostra que há tecnologia por trás de (quase) tudo que nos rodeia. Tem dúvida de algum objeto? Mande para a gente que vamos investigar.