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Como é um eclipse solar visto da Lua? Estudantes captam fenômeno; veja foto

Eclipse solar visto da Lua  - Divulgação/Instituto de Tecnologia de Harbin, Rádio Telescópio de Dwingeloo, Reinhard Kühn, Jason Major
Eclipse solar visto da Lua Imagem: Divulgação/Instituto de Tecnologia de Harbin, Rádio Telescópio de Dwingeloo, Reinhard Kühn, Jason Major

Helton Simões Gomes

De Tilt

28/06/2020 12h08

Se você estava na Terra um ano atrás, provavelmente viu o eclipse solar de julho de 2019 ou ouvir falar dele. O roteiro já é conhecido: quando a Lua fica entre nosso planeta e o Sol, é como se o dia virasse noite. Mas como seria ver este fenômeno a partir da Lua?

Saborear esta visão é um privilégio até mesmo para astronautas, mas um grupo de estudantes chineses se aliou a astrônomos amadores e conseguiu flagrar cenas deste momento.

O eclipse em questão ocorreu em 2 de julho do ano passado. Neste dia, a Lua lançou uma sombra sobre partes do Oceano Pacífico, Chile, Argentina e um pedacinho do Brasil. Quem estava nessas regiões ficou no escurinho por alguns segundos.

De um ponto muito particular no espaço, o que se viu foi outra coisa. O microsatélite chinês Longjiang-2 (DSLWP-B, para os íntimos) registrou fotos da Terra justamente no momento em que a Lua encobria a estrela. Elas mostram um planeta com tons de azul, verde e marrom com uma bolinha preta em sua superfície.

O satélite só conseguiu a façanha porque orbitava a Lua naquela hora. Ele, porém, não foi lançado ao espaço em 2018 para tirar fotos, mas, sim, para estudar frequências de rádio vindas de objetos estelares muito distantes. Até tinha um companheiro, o Longjiang-1, que nem chegou a iniciar a missão por não ter sequer entrado na órbita lunar.

eclipse - Divulgação/Instituto de Tecnologia de Harbin, Rádio Telescópio de Dwingeloo, Reinhard Kühn, Jason Major - Divulgação/Instituto de Tecnologia de Harbin, Rádio Telescópio de Dwingeloo, Reinhard Kühn, Jason Major
Eclipse solar visto da Lua
Imagem: Divulgação/Instituto de Tecnologia de Harbin, Rádio Telescópio de Dwingeloo, Reinhard Kühn, Jason Major

O feito só aconteceu porque estudantes chineses, do Instituto de Tecnologia Harbin, de MingChuan, acoplaram uma câmera no Longjiang-2. Eles contaram ainda com colaboração internacional:

  • Depois de criarem os comandos necessários para o equipamento funcionar, o astrônomo amador alemão Reinhard Kühn os inseriu no satélite;
  • Quando os dados visuais foram mandados do espaço para cá, foram recebidos pelos operadores amadores do telescópio Dwingeloo, na Holanda;
  • Como se tratava de um projeto estudantil, as imagens não eram lá essas coisas. Tinham uma camada rosa, porque todo o equipamento era de baixo custo. O designer gráfico Jason Major tratou as fotos para reconstituir suas cores originais.

Foi Major que narrou como essa tabelinha entre aficionados por espaço deu origem às imagens em seu site "Lights in the Dark".

Você deve estar se perguntando: cadê as imagens de 21 de junho, quando um eclipse solar encobriu África, Ásia e parte do sudeste europeu? Haverá fotos do fenômeno em 14 de dezembro, quando a Lua sombreará Chile, Argentina e o Sul do Brasil?

Infelizmente, a resposta para estas perguntas é não. Informamos com pesar que, após 437 dias, o satélite Longjiang-2 se estatelou na superfície lunar em 31 de julho de 2019.

É bom que se diga: a queda foi planejada. Ele não está mais entre nós, mas as fotos que produziu estarão sempre vivas na memória dos curiosos de plantão — e na daqueles que ainda não podem pagar por uma viagenzinha para a Lua.