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Nokia volta ao Brasil com celular Android, surfando fama de "indestrutível"

Nokia 2.3, smartphone que marcará o retorno da icônica marca ao Brasil - Divulgação/HMD Global
Nokia 2.3, smartphone que marcará o retorno da icônica marca ao Brasil Imagem: Divulgação/HMD Global

Helton Simões Gomes

De Tilt, em São Paulo

03/05/2020 06h00

Sem tempo, irmão

  • Celulares Nokia retornam ao Brasil após anos longe das lojas brasileiras
  • A marca icônica foi comprada e aposentada pela Microsoft; virou Microsoft Lumia
  • A ressurreição da Nokia começou em 2017, após acordo com a HMD Global
  • Durante muito tempo, os aparelhos eram equipados com Windows Phone
  • Na nova fase, os smartphones têm Android, são modernos, mas apelam ao saudosismo

Ex-líder de vendas de celular no Brasil, a Nokia retorna ao país depois de seis anos longe das prateleiras com o smartphone Nokia 2.3, que começa a ser vendido neste domingo (3) por R$ 899. Na sua reestreia, a empresa promete reviver a fama de "indestrutível" e realiza o sonho de muitos fãs: ver smartphones da finlandesa com Android.

Inicialmente, o aparelho importado será vendido apenas pela internet. Em entrevista a Tilt, os executivos da HMD Global, empresa que detém o direito de usar a marca Nokia desde 2016, afirmaram que este é só o primeiro passo da operação no Brasil, que tem a Multilaser como parceira. Já está em estudo a produção local e a venda em lojas físicas.

Não é top, mas é baratinho

Nas cores, cinza, dourado e verde, o Nokia 2.3 está longe de ser o top de linha desta nova fase da Nokia. Com tela LCD de 6,2 polegadas (15,7 cm) e resolução HD+, ele possui processador MediaTek MT6761, armazenamento de 32 GB e memória RAM de 2 GB. Ou seja, tudo bem modesto.

Há a possibilidade para inserir cartão micro SD de até 512 GB. A bateria tem capacidade de 4.000 mAh.

A câmera traseira é dupla (o sensor principal tem 13 megapixels e a lente de profundidade, 2 MP). Já câmera de selfie é de 5 MP, encaixada no topo do celular em um entalhe na tela em forma de gota. Além de fotos, ela também reconhecimento facial para destravar o aparelho com mais facilidade. Aqui também vemos configurações de celulares de entrada, mas isso tem uma explicação.

A Nokia possui modelos mais avançados, mas optou pelo Nokia 2.3 porque ele está na faixa de preço mais vendida do país.

Selecionamos um aparelho para entregar boa tecnologia com preço acessível e na faixa de preço que é metade do mercado. Se você pegar a faixa de celulares entre R$ 700 a R$ 1099, está falando de um mercado de 22 milhões de aparelhos no Brasil
Junior Favaro, diretor de marketing e vendas da HMD Global no Brasil

Foco no software e na resistência

O trunfo para se diferenciar dos concorrentes é equipar o aparelho com o Android mais moderno possível e torná-lo mais resistente. Como faz parte do programa Android One, o Nokia 2.3 tem interface sem tantas alterações em relação ao design do Google. Samsung, Huawei e Xiaomi costumam criar suas próprias versões gráficas do sistema operacional e até incluem seus próprios serviços. Além disso, o smartphone recebe atualizações do Android mais rápido. O aparelho nas lojas roda Android 9 Pie, mas já nas próximas semanas receberá o Android 10.

O software é um diferencial. Você não vai conseguir produtos com esse preço que recebam atualizações de Android. Enquanto nós vamos atualizar, a concorrência ainda estará com Android 7 Nougat. Isso deixa o aparelho com funcionalidades velhas e mais lento
Juan Olano, diretor de portfólio da HMD Global para as Américas

nokia - Divulgação/HMD Global - Divulgação/HMD Global
Nokia 2.3, smartphone que marcará o retorno da icônica marca ao Brasil
Imagem: Divulgação/HMD Global

O revestimento interno de metal garante a durabilidade física e algumas funções do Android, como o uso preditivo da bateria que dispensa a necessidade de novas recargas, asseguram o uso prolongado do aparelho, afirma Olano. "É isso que as pessoas estão aguardando da Nokia: um produto muito bem feito e que dura muito tempo", afirma o executivo.

Onde vende?

Por ora, os aparelhos serão vendidos apenas em canais online, como os sites de Americanas, Submarino, Shoptime, Pernambucanas e o da própria Nokia. Ele estreia agora para pegar o embalo do Dias das Mães, um dos maiores feriados promocionais do país.

Favaro explica que a Multilaser não fabricará os aparelhos, que serão importados. Ela será parceira na distribuição, dada a sua presença em todas as regiões brasileiras.

A volta da Nokia ao Brasil

Fabricar smartphones da Nokia no Brasil está nos planos da HMD. "A gente pretende ter a produção local no Brasil. Estamos fazendo alguns estudos, porque você sabe: a gente ganha escala quando produz localmente", comenta Favaro.

Este movimento selaria o retorno da ex-líder de vendas de celulares no Brasil. Até 2011, a Nokia era a fabricante que mais vendia celulares no Brasil e a segunda que mais faturava com eles — ficava atrás apenas da Samsung.

Ainda assim, pairava sobre a finlandesa uma sombra que anunciaria de onde viriam os problemas no futuro: somados, os fabricantes de aparelhos Android já eram campeões de venda no Brasil. No mundo, a situação já havia se invertido. Na Europa, Estados Unidos e Ásia, a Nokia perdia espaço para as asiáticas e a Apple.

A saída foi abandonar seu sistema próprio, o Symbian, à época o mais usado do mundo, e se aliar à Microsoft, que queria fincar pé no mundo dos smartphones e disseminar seu software móvel, o Windows Phone. O primeiro modelo da parceria o veio ainda em 2011.

Dois anos depois, o casamento foi confirmado e a Microsoft desembolsou 5,44 bilhões de euros (US$ 7,17 bilhões) para comprar a área móvel da Nokia (o que incluía a unidade de aparelhos, patentes relacionadas à telefonia e um acordo de licenciamento de marca). O restante da empresa finlandesa continuou a trabalhar em tecnologia de telecomunicação e outros serviços, como o de geolocalização.

  • 2014: Microsoft aposenta a marca Nokia, substituída por Microsoft Lumia; o primeiro celular após a repaginação foi o Lumia 535, lançado em novembro daquele ano. Ainda naquele ano, a 2014: empresa diz que se livraria da área que fabrica celulares baratinhos e focaria nos produtos do Windows Phone
  • 2015: aquisição da Nokia não dá certo, e a Microsoft anuncia baixa contábil de US$ 3,2 bilhões
  • 2016: Microsoft lança último smartphone da família Lumia com Windows Phone. HMD Global, empresa finlandesa formada por ex-funcionários da Nokia, compra o direito de explorar a marca Nokia e se une a uma subsidiária da Foxconn para adquirir área de celulares básicos da Microsoft, chamada de Windows Phone
  • 2017: HMD anuncia o Nokia 6, a volta da Nokia ao mundo dos smartphones. No mesmo ano, a Microsoft informa que novos smartphones não estão nos planos.
  • 2019: a Microsoft encerrou em dezembro o suporte aos aparelhos que rodam Windows Phone
  • 2020: Presente em 180 países, HMD lança um novo celular Nokia no Brasil depois de 6 anos

No seu retorno, a HMD se notabilizou por repaginar aparelhos do passado, como o o Nokia 106, que tinha o jogo da cobrinha, e Nokia 8110 (o celular banana, usado no filme Matrix), ambos em 2018.

Os executivos da HMD ouvidos por Tilt não cravam quando os aparelhos chegarão ao Brasil, mas deixam claro que isto está nos planos. "Temos muitos planos e projetos e alguns deles com certeza terminarão sendo vendidos no Brasil no futuro", diz Olano.