PUBLICIDADE
Topo

Fio nunca mais? Tecnologia gera eletricidade a partir da umidade do ar

"Air-gen" trata-se de um gerador alimentado pelo ar, com nanofios de proteínas - Pixabay/Creative Commons
"Air-gen" trata-se de um gerador alimentado pelo ar, com nanofios de proteínas Imagem: Pixabay/Creative Commons

Thiago Varella

Colaboração com Tilt

19/02/2020 04h00

Sem tempo, irmão

  • Invenção usa proteína natural para criar eletricidade a partir da umidade do ar
  • Air-gen conecta eletrodos a proteínas, que retiram energia do vapor na atmosfera
  • Cientistas desenvolverão versão para alimentar monitores de saúde e smartwatches

Agora não são apenas super-heróis como Thor e Tempestade que conseguem manipular eletricidade. Cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst (UMass Amherst) fizeram um aparelho que usa uma proteína natural para criar eletricidade a partir da umidade do ar.

De acordo com a notícia publicada na segunda-feira (17) na revista Nature, os laboratórios do engenheiro eletricista Jun Yao e do microbiologista Derek Lovley, da UMass Amherst, criaram um aparelho que eles chamam de "air-gen". Trata-se de um gerador alimentado pelo ar, com nanofios de proteínas —baseados na bactéria Geobacter, descoberta pelo próoprio Lovley— que funcionam como condutores elétricos.

Como funciona?

Apesar de não haver muitos detalhes, a "Nature" diz que o Air-gen conecta eletrodos aos nanofios de proteínas. Estes retiram a corrente elétrica do vapor de água naturalmente presente na atmosfera. "O Air-gen gera energia limpa 24 horas por dia, sete dias na semana", afirmou Yao.

O laboratório de Lovley desenvolveu recentemente uma nova linhagem microbiana para produzir de forma mais rápida e barata os nanofios de proteínas em massa. Os cientistas transformaram a bactéria E. coli em uma fábrica de nanofios de proteínas.

Lovley encontrou o micróbio Geobacter na lama do rio Potomac, há mais de 30 anos. Mais tarde, seu laboratório descobriu sua capacidade de produzir nanofios de proteínas que agem como condutores elétricos.

Já Yao projetava aparelhos eletrônicos com nanofios de silício. Foi Xiaomeng Liu, um estudante do laboratório de Yao, que notou algo promissor.

"Vi que quando os nanofios eram contatados com eletrodos de uma maneira específica, os dispositivos geravam corrente. Constatei que a exposição à umidade atmosférica era essencial e que os nanofios de proteínas absorviam água, produzindo um gradiente de voltagem no dispositivo", afirmou.

A nova tecnologia é considerada não poluente, é renovável e com baixo custo. Os cientistas afirmam que a invenção seria capaz de gerar energia até em áreas com umidade extremamente baixa, como o deserto do Saara.

Além disso, o Air-gen traria vantagens em relação a outras formas de energia renovável, como a solar e eólica, segundo Lovley, porque, diferentemente dessas outras fontes, o Air-gen não precisa de luz solar ou vento, e "funciona até em ambientes fechados".

Poderá substituir as baterias?

Os pesquisadores afirmam que a atual geração do Air-gen é capaz de gerar energia para aparelhos eletrônicos pequenos. Enquanto não produzem a invenção em escala comercial, eles desenvolverão uma versão para alimentar monitores de saúde e smartwatches. Um plano mais ousado é o de usar a tecnologia em telefones celulares.

SIGA TILT NAS REDES SOCIAIS

Ciência