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Tela, apps e mais: quem são os maiores "gastadores" da bateria de celular

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Rodrigo Lara

Colaboração para o UOL, em São Paulo

02/06/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Especialistas apontam os maiores vilões da bateria e como reduzir o gasto
  • A iluminação da tela é o que mais consome energia, vale usar a função brilho automático
  • Aplicativos que usam sua localização, como o Facebook, drenam sua bateria; desligue a localização
  • Usar a rede wi-fi gasta menos energia que ficar ligado à conexão 4G

Você sabe o que exatamente qual função do seu smartphone consome mais energia? A resposta para essa pergunta, provavelmente, é não. Sem saber isso, na hora do desespero no fim da bateria, a maioria dos usuários não sabe o que evitar para fazer aqueles 10% durarem o máximo.

A relação entre tamanho da bateria e como os aparelhos utilizam a carga disponível ainda é um ponto crítico na indústria --tanto que questões como baterias maiores ou novas formas de gerenciamento de energia sempre são temas em destaque quando novos aparelhos ou versões de sistemas operacionais são apresentados.

No final das contas, porém, o tipo de uso do aparelho ainda determina o quanto a carga de sua bateria vai durar.

"Ouvir música, acessar constantemente as redes sociais, deixar a função de vibração ativa e o volume do aparelho no máximo são alguns dos elementos que consomem mais bateria. Ainda que sejam mais raras, ligações de voz mais longas também podem impactar", diz o professor Antonio Gianoto, de engenharia elétrica do Centro Universitário FEI.

Além disso, o professor cita que até mesmo a forma com a qual o aparelho se conecta à internet influencia na duração da carga.

"No wi-fi, geralmente a conexão é próxima do elemento que fornece o sinal, como os roteadores, facilitando o acesso ao serviço desejado e não exigindo mais potência do aparelho para se conectar a um ponto desta rede. Já na rede celular móvel, quanto mais longe de uma estação rádio base, o aparelho necessitará de mais potência para realizar uma comunicação, consumindo assim mais bateria", diz.

É por isso que em situações nas quais você está em uma região de sinal fraco a bateria do aparelho tende a acabar mais rapidamente.

E, claro, não podemos nos esquecer das telas. Cada vez maiores, elas tendem a ser "fominhas" quando o assunto é bateria, especialmente se considerarmos que ela fica ligada durante a maior parte do tempo que usamos efetivamente o smartphone.

"Quanto maior a tela, maior o consumo. No entanto, isso depende de outros fatores como o tipo de construção. Amoled consumirá mais energia conforme a quantidade de pixels ligados. Já no LCD, o consumo não depende tanto das cores da imagem exibida, mas telas maiores de LCD exigem mais iluminação e, portanto, têm um backlight maior e consomem mais", explica Henrique Costa, gerente de produtos da Asus Brasil.

Costa também cita que alguns apps são "campeões" na hora de drenar a bateria do aparelho. "Alguns apps comuns, como Facebook, Netflix, WhatsApp, Snapchat, Spotify, Google Maps, Waze e serviços que usam GPS, em geral, são consumidores vorazes de bateria."

Na hora de priorizar

Por mais que algumas ações como as citadas e outras, caso da utilização do aparelho para jogos e tirar fotos, consumam a bateria de forma mais intensa, cada aparelho acaba sendo um caso diferente nesse quesito. Há, entretanto, dicas para economizar bateria que podem ser usadas independentemente do modelo de smartphone utilizado.

Ambos os especialistas citam as seguintes ações como forma de estender a duração de cada carga de bateria:

  • evite deixar muitos aplicativos em funcionamento (abertos) ao mesmo tempo;
  • utilize a função de brilho automático da tela;
  • use redes wi-fi sempre que possível;
  • desative a localização (GPS) sempre que não estiver usando;
  • desative a vibração para notificações.

Vida longa à bateria

Além disso, há alguns cuidados que, mais do que diminuir o gasto de bateria, garantem não apenas cargas mais duradouras como também uma vida longa para o componente.

"A temperatura do ambiente pode interferir na duração da bateria dos smartphones. As baterias de íons de lítio sofrem com o calor e descarregam mais rápido em temperaturas mais altas", diz Costa.

Ele também cita um estudo do site Battery University que mostra que uma bateria completamente carregada, guardada em uma estufa a 60°C, pode perder mais de 40% de sua capacidade de armazenamento energético depois de apenas três meses.

"Enquanto isso, uma bateria conservada a 0°C, com 40% da carga, perderia apenas 2% depois de um ano", complementa.

Então você já sabe: nada de deixar o aparelho exposto ao sol, em ambientes muito quentes ou, ainda, continuar usando ele caso ele esteja muito quente.

Já o professor Gianoto aponta um mau hábito comum: levar o celular para o banheiro. Além de alguns riscos mais óbvios, como derrubar o aparelho na privada, há um vilão que parece inofensivo, mas que pode ser cruel.

"O ideal é não levar o aparelho para o banheiro para ouvir música enquanto toma banho, por exemplo. Mesmo que ele não seja molhado diretamente, o excesso de umidade provocado pelos vapores de água podem danificar o aparelho como um todo, inclusive a bateria, já que eles tendem a provocar a oxidação a médio prazo dos contatos internos", conclui.

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