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Eletrodomésticos do futuro terão olhos e ouvidos para detectar emoções

Eletrodomésticos são destaque da Appliance and Electronics World Expo  - Justin Sullivan/Getty Images
Eletrodomésticos são destaque da Appliance and Electronics World Expo Imagem: Justin Sullivan/Getty Images

Paula Escalada Medrano

Da EFE, em Xangai (China)

21/03/2019 12h26

Um espelho com uma câmera que sabe se você está triste, uma geladeira que mede seus sinais vitais e um sistema inteligente que escuta sua voz e adequa a luz ao seu estado de ânimo: assim serão as casas do futuro, que na China estão cada vez mais perto de ser tornar realidade.

As principais marcas de eletrodomésticos do mundo apresentaram recentemente na cidade chinesa de Xangai suas últimas novidades na Appliance and Electronics World Expo (AWE 2019), uma das principais feiras do setor em nível global.

Após quatro dias de apresentações e conversas, ficou claro o desejo e os planos das empresas para as nossas vidas: a inteligência artificial reinará nas casas, com aparelhos eletrônicos que não só farão o que pedirmos, mas que serão capazes de detectar nossas emoções e reagir.

"A tendência do mercado é que a inteligência artificial seja introduzida cada vez mais nas nossas casas, que tudo esteja conectado e seja coletada 'big data' (inteligência de dados) para que os aparelhos sejam cada vez mais inteligentes", explicou à Agência Efe o diretor do departamento de marketing internacional da feira, Thomas Wang.

Aparelhos que parecem de ficção científica se transformarão em parte da nossa vida cotidiana em um futuro não muito distante, segundo Wang, que acredita que estes podem começar ser vistos nas casas "em dois ou três anos". No entanto, ele garante que tudo o que foi apresentado na feira estará disponível no mercado "no mês que vem".

"Existem duas formas" de uma máquina conhecer nossas emoções: "ver seu rosto e escutar sua voz. Após ver como você está, o sistema de inteligência artificial de uma casa reage rápido e pode atuar com elementos como a luz, a temperatura e os sons", acrescenta o diretor de marketing.

Colocando música relaxante se você está estressado, por exemplo, ou diminuindo a temperatura se acontece uma discussão familiar.

Lavadoras que detectam as roupas através de uma câmera e decidem o programa de lavagem mais conveniente, aparelhos de ar-condicionado que detectam a presença de alguém, sabem quem é e ajustam sua temperatura às suas preferências e geladeiras que sabem - também graças a câmeras no seu interior - a comida que temos.

"Estão trabalhando para que as geladeiras não só reconheçam a comida que têm dentro, mas procurem a melhor receita combinando os alimentos que temos", conta à Efe uma encarregada de relações públicas da marca chinesa Midea, uma das mais populares do país.

A geladeira também é capaz de, através da impressão digital, medir os sinais vitais do usuário para detectar problemas de saúde como pressão baixa, enquanto outro dos aparelhos de ar-condicionado apresentados pela marca utiliza raios infravermelhos para medir a temperatura do usuário e saber se precisa de mais frio ou calor.

"A tendência também é que a tecnologia se alie à saúde", explica a representante de Midea, e também "com o cuidado com o meio ambiente", aponta, por sua vez, o vice-presidente da marca Haier, Li Yang, outra das mais importantes da China.

"A Haier está transformando o negócio para a ecologia, a internet das coisas e a inteligência artificial", diz à Efe o diretor.

A última lavadora apresentada na feira pela companhia pode ler as etiquetas da roupa, reconhecer as cores e materiais para preparar um plano de limpeza que proteja as peças, assim como oferecer sugestões como secá-las ao sol.

O mercado dos eletrodomésticos se transformou em uma grande aposta da China e, segundo um relatório apresentado na feira, o faturamento deste setor aumentou 9,9% em 2018 até alcançar os 1,49 trilhões de iuanes (R$ 841,1 bilhões).

"Temos uma indústria muito forte, que faz com que haja mais professores e mais estudantes se dedicando a áreas como a inovação", explicou Wang, algo que leva a China a ser "um dos principais construtores das casas do futuro".

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