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SXSW ganha tom político e acirra disputa pela Casa Branca de Trump em 2020

Alexandria Ocasio-Cortez falou sobre seus projetos para os Estados Unidos em painel da SXSW - Sergio Flores/Reuters
Alexandria Ocasio-Cortez falou sobre seus projetos para os Estados Unidos em painel da SXSW Imagem: Sergio Flores/Reuters

Gabriel Francisco Ribeiro

Do UOL, em São Paulo

10/03/2019 11h55

Um dos painéis mais comentados até aqui - e um dos mais esperados até então - do festival SXSW (South by Southwest) foi a da deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez, que virou símbolo da "nova esquerda" e entrou em ascensão nos Estados Unidos. Em sua participação no festival que começou na última sexta (8), ela negou radicalismo de ideias como Novo Acordo Verde, Medicina para Todos e salário mínimo de US$ 15 por hora.

"Essas coisas parecem radicais comparadas ao que vivemos, mas onde estamos não é uma coisa boa. E essa ideia de 10% melhor do que o lixo não deveria ser onde nos acomodamos. O que me deixa furiosa é a ideia de 'vamos prender alguns menos, é muito complicado politicamente'. Quando foi que a posição moderada nos Estados Unidos virou prender crianças?", questionou, referindo-se a casos recentes da agência de imigração do país e que ela já disse querer abolir, segundo a CNN.

A deputada não pode concorrer à Presidência dos Estados Unidos em 2020 por ter 29 anos e a constituição local só permitir que pessoas acima de 35 anos disputem o cargo. Mesmo assim, pediu para os eleitores do partido votarem em quem acredita, não em quem acham que pode ganhar do rival republicano Donald Trump.

Na sua passagem pelo festival, a democrata afirmou ainda que as pessoas não deveriam ter medo de robôs e da automatização tomando seus empregos. Pelo contrário: deveríamos estar animados com essa realidade.

"Não deveríamos ser assombrados pelo espectro de ser tirado do trabalho pela automatização. Deveríamos estar animados. A razão de não estarmos animados é porque vivemos em uma sociedade em que se você não tem um emprego você é deixado para morrer. E esse é nosso problema", apontou de acordo com o The Verge, citando que a automação deveria significar mais tempo para ser usado em áreas criativas, pesquisas e em aproveitar o mundo.

A South by Southwest é uma conferência anual que mistura um pouco de tudo: tecnologia, cultura, política, sociedade e muito mais. Ela costuma atrair grandes nomes da indústria em diversos segmentos.

Veja o que mais rolou na SXSW 2019:

Ex-CEO do Starbucks rumo à Casa Branca?

Howard Schultz, ex-CEO do Starbucks, é um dos possíveis concorrentes de Donald Trump para a Casa Branca em 2020. Em sua conferência na SXSW, ele já fez um pouco de "campanha" ao mostrar planos do que chamou de "crescente crise do capitalismo no país". E seu projeto envolve fazer as companhias serem mais morais.

"Se eu disputar e ganhar, vou fazer de tudo para convencer as empresas nos Estados Unidos de que têm uma obrigação moral para fazer mais pelas pessoas e comunidades que servem", disse, de acordo com o site Fast Company.

O empresário ainda colocou dúvidas sobre planos de democratas na disputa, como Bernie Sanders e Elizabeth Warren, que propuseram planos de saúde gratuitos, entre outros projetos universais e grátis. Sua visão, em suma, gira em gerir a Casa Branca como o Starbucks, onde Schultz instaurou programas como o pagamento de cursos online educativos para funcionários por dois anos.

"Eu tenho um histórico de quase 40 anos de demonstrar que é possível fazer ambos: você pode criar valor para a companhia e acionistas e também valor para as pessoas. Também aprendemos algo no Starbucks: ao fazer coisas boas para as pessoas, seus clientes vão criar uma confiança em torno da marca porque querem apoiar uma empresa com valores compatíveis com os seus", contou.

Política até nos filmes

O festival também é palco do pré-lançamento de alguns filmes. Entre os que já foram exibidos até agora, está o aguardado 'Us', de Jordan Peele, mesmo diretor do aclamado 'Corra'. Em análise do The Verge, o novo longa transforma uma posição política em um filme de terror, assim como já havia ocorrido com o anterior do diretor .

"O novo filme não é tão convencional como 'Corra', mas é impressionante e inquietante. O tipo de filme de terror para fazer o público sair sentindo-se desconfiado com as coisas comuns ao seu redor, das sombras à noite, de espelhos, de coelhos, de tesouras", cita.

Segundo a análise, 'Us" não mostra a metáfora social tão claramente quanto 'Corra', mas é baseado em uma mesma premissa. Em uma sessão de perguntas e respostas na SXSW, Peele apontou que o longa é fundamentalmente sobre o errôneo medo dos norte-americanos de pessoas estranhas e estrangeiros.

"O filme é sobre este país. Estamos em um tempo em que temos medo dos outros, seja o misterioso invasor que achamos que vai vir, nos matar e roubar nossos empregos, ou a facção que não vivemos perto, que votou diferente de nós. Todos apontamos o dedo e queria sugerir que talvez o monstro que realmente precisamos olhar tem o nosso rosto. Talvez o mal seja nós", explicou.

Nova função do Foursquare é perseguidora?

Em assuntos menos políticos, o Foursquare, aplicativo que serve para as pessoas realizarem check-in em alguns locais, está com uma nova função durante a SXSW chamada Hypertrending. Por meio desse recurso, quando você entra em um restaurante em Austin, cidade do evento, a ferramenta vai saber: seu telefone aparecerá como um pontinho em um mapa ao vivo que literalmente qualquer pessoa na cidade pode acessar. Mas nem o fundador está seguro da ferramenta.

"Se isso assusta as pessoas, não vamos colocar no aplicativo", afirmou Dennins Crowley ao The Verge.

O recurso é anônimo no sentido de que ninguém é capaz de saber exatamente quem está está em um restaurante ou bar, mas é desenhado para permitir que outros usuários do aplicativo saibam quais locais estão mais populares ou lotados de forma mais visual do que o app já fez até agora. Quanto mais pessoas vão entrando, maior fica o círculo e as pessoas passam a saber que o lugar está bombando.

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