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Parem de querer bloquear o Sol: cientistas criticam projeto contra mudança climática

Getty Images
Imagem: Getty Images

Paris

20/01/2022 19h18

Cerca de 60 cientistas pediram nesta segunda-feira (17) que não se utilize a geoengenharia solar para resfriar a superfície da Terra, um método de combate à mudança climática, mas que esses especialistas consideram excessivamente imprevisível.

A geoengenharia solar ou climática implica a manipulação em grande escala da atmosfera para provocar mudanças que ajudem a frear o aquecimento do planeta. Especificamente, usa-se a dispersão de trilhões de partículas de enxofre na camada mais externa da atmosfera, para aumentar a refração dos raios solares.

Os efeitos colaterais poderiam superar os benefícios, segundo este documento publicado na revista WIREs Climate Change.

"A implantação da geoengenharia solar não pode ser administrada mundialmente de forma justa, inclusiva e eficaz. Pedimos, portanto, aos governos, à ONU e a outros atores que adotem medidas políticas imediatas para impedir a normalização da geoengenharia solar como opção contra o aquecimento do planeta", explicam os especialistas.

A temperatura do planeta já aumentou aproximadamente 1,1 °C desde a era pré-industrial, o que provocou um aumento dos fenômenos climáticos extremos, sejam as grandes secas, inundações ou tempestades, segundo os cientistas.

A comunidade internacional ratificou seu compromisso de limitar o aumento da temperatura média para menos de +2 ºC, preferencialmente a +1,5 ºC, embora os especialistas da ONU estimem que esse limite de +1,5 °C possa ser superado em 2030.

A história dos fenômenos naturais, como as erupções vulcânicas, mostraram que os gases que chegam à parte superior da atmosfera resfriam a temperatura média do planeta. Foi isso o que aconteceu com a grande erupção do vulcão Pinatubo nas Filipinas em 1991.

No entanto, uma modificação da atmosfera feita propositalmente poderia desestabilizar o sistema de monções no sul da Ásia e no oeste da África, afetando grandes extensões de cultivos, e causar fome, de acordo com estudos já publicados.

Por outro lado, essa tecnologia não impediria a concentração de CO2 na atmosfera causada pela atividade humana.

Os signatários desta carta pública, entre eles Aarti Gupta da universidade holandesa de Wageningen, e o presidente da Agência do Meio Ambiente alemã, Dirk Messner, consideram que essa tecnologia poderia "dissuadir os governos, as empresas e as sociedades de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para atingir a neutralidade do carbono", ou seja, o equilíbrio entre as emissões e a retenção de gases de efeito estufa.