PUBLICIDADE
Topo

'Big John', maior triceratops conhecido, é leiloado por R$ 50 milhões

"Big John" deve voltar aos Estados Unidos, onde foi descoberto em 2014 - Reprodução/Instagram/@mileberrypaz
"Big John" deve voltar aos Estados Unidos, onde foi descoberto em 2014 Imagem: Reprodução/Instagram/@mileberrypaz

21/10/2021 12h56Atualizada em 21/10/2021 13h42

O esqueleto de "Big John", o maior triceratops conhecido, com 8 metros de comprimento e 66 milhões de anos, foi leiloado nesta quinta-feira (21) em Paris e adquirido por um comprador americano por US$ 7,7 milhões (R$ 50,6 milhões na coração atual).

Esse valor é muito superior ao preço inicial estabelecido pela casa de leilões francesa Drouot, de US$ 1,1 milhão, mas está longe do recorde alcançado por um esqueleto fóssil de dinossauro. A marca ainda pertence a um Tiranossauro Rex, comprado por US$ 31,8 milhões, em outubro de 2020, em Nova York.

No total, 13 pessoas deram lances por "Big John".

O futuro dono deste triceratops foi a Paris para conhecer o esqueleto durante o período de exibição ao público, em setembro, e acabou "se apaixonando" por ele, explicou seu representante no leilão.

Assim, "Big John" voltará para os Estados Unidos, onde foi descoberto, em 2014, pelo geólogo Walter W. Stein Bill no estado da Dakota do Sul. Em tese, ele fará parte da coleção do comprador anônimo.

Este tricerátopo pertence à época do Cretáceo Superior, a última era dos dinossauros na Terra. Viveu em Laramidia, um continente insular alongado que ia do Alasca ao México.

"Big John" morreu em uma zona inundável e ficou enterrado na lama, o que explica seu nível de conservação. Seu esqueleto está 60% completo, e partes como o crânio, 75% completas.

Números astronômicos

Graças à colaboração com as universidades italianas de Bolonha e Chieti, foi possível estudar seus fósseis. Isso permitiu descobrir que o crânio de "Big John" é 5% a 10% maior do que o dos 40 crânios de tricerátops até então estudados por cientistas.

Os pesquisadores também analisaram uma linha de laceração perto do crânio, que pode ser o resultado de um ferimento causado por uma "chifrada" durante uma briga de "Big John" com seus colegas. Esta espécie era dotada de dois longos e pontiagudos chifres frontais.

O leilão desse esqueleto é mais um exemplo do fervor em torno desse tipo de fóssil.

Os esqueletos de dinossauros vendidos nos últimos anos atingiram cifras astronômicas nesses tipos de mercado. Uma má notícia para centros de pesquisa e museus públicos que não têm como concorrer com estes preços nos leilões.

"Não podemos competir", lamentou o diretor do Museu de História Natural de Toulouse (sul da França), Francis Duranthon, em recente conversa com a AFP.

Estes preços "equivalem a 20 ou 25 anos do nosso orçamento de compras", acrescentou.

A casa Drouot já vendeu alguns fósseis de esqueletos por grandes quantias. Entre 2018 e 2020, dois aleossauros foram vendidos por US$ 1,6 milhão e US$ 3,5 milhões. Em 2020, porém, a casa não encontrou compradores para várias espécies, já que o preço mínimo proposto pelo vendedor não foi atingido.