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Telescópio James Webb é aprovado em último teste importante antes de seu lançamento

As asas do espelho do Telescópio James Webb são dobradas pela última vez na Terra - NASA/Chris Gunn
As asas do espelho do Telescópio James Webb são dobradas pela última vez na Terra Imagem: NASA/Chris Gunn

Da AFP, em Washington

11/05/2021 20h03

O monumental telescópio espacial James Webb, que será lançado da Guiana em outubro de 2021 para observar os confins do Universo, passou com sucesso em um teste final crucial ao ativar com sucesso seu imenso espelho pela última vez na Terra, anunciou a Nasa nesta terça-feira (11).

Como o espelho, de 6,5 metros de diâmetro, é grande demais para caber em um foguete, os engenheiros tiveram que criar um sistema que permitisse que ele se dobrasse como um origami.

A próxima vez que essa manobra delicada for realizada, será no espaço.

O telescópio será transportado dos Estados Unidos por navio até a Guiana, de onde será lançado por um foguete Ariane V.

"É como construir um relógio suíço de 12 metros de altura, 25 de comprimento e 12 de largura e prepará-lo para uma viagem ao vazio, a -240° C", disse Scott Willoughby, da Northrop Grumman, a principal fabricante, em coletiva de imprensa.

O telescópio será colocado em órbita ao redor do sol, a 1,5 milhão de quilômetros da Terra. Outro telescópio espacial, o Hubble, lançado em 1990 e ainda em operação, gira em torno de nosso planeta a 600 km de distância.

"Webb não foi construído simplesmente para fazer melhor o que o Hubble faz", afirmou o cientista Klaus Pontoppidan, do Instituto de Ciências do Telescópio Espacial da Nasa. "Ele foi construído também para responder a perguntas sobre o cosmos e suas origens que não podemos responder de outra forma."

O programa de observação para o primeiro ano de atividade do telescópio já foi estabelecido. Cientistas de 44 países enviaram mais de mil projetos no total, dos quais pouco menos de 300 foram selecionados por um comitê especializado.

Entre eles está a observação de exoplanetas, isto é, planetas que estão fora do sistema solar. Com James Webb, será possível analisar a composição de suas atmosferas, em busca de água ou CO2, por exemplo.

"Em outras palavras, explorar as atmosferas de mundos que poderiam abrigar vida", explicou Eric Smith, diretor científico do projeto na Nasa. "Webb vai explorar todas as fases de nossa história cósmica", acrescentou.

Projetado na década de 1990, o telescópio foi inicialmente programado para ser lançado na década de 2000, mas uma série de problemas de desenvolvimento levou a vários adiamentos e a um grande aumento em seu custo, por volta de 10 bilhões de dólares.